terça-feira, dezembro 27, 2022

Terroristas de Brasília fazem lembrar o Atentado do Riocentro, no regime militar


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A bomba explodiu no colo do sargento Guilherme Rosário

Roberto Nascimento

Essa bomba-relógio aí de Brasília, que seria detonada nas proximidades do aeroporto, lembra-nos o fracassado Atentado do Riocentro, que seria praticado na madrugada do dia Primeiro de Maio. no local do show em comemoração ao Dia do Trabalhador. O espetáculo tinha sido organizado por Chico Buarque para homenagear Luiz Gonzaga, e a bomba explodiu quando estava se apresentando cantora Beth Carvalho, militante de esquerda a vida toda, que morreu, aos 72 anos, no mesmo dia em que o atentado ao Riocentro completava 38 anos.

Eram duas bombas. Uma delas, colocada no transformador para cortar a energia, felizmente não detonou. Naquela hora, havia cerca de 20 mil pessoas no Riocentro, pode-se imaginar quantas morreriam no pânico que seria causado pela explosão.

FOI UM FIASCO – Planejado pela ala frotista do Exército para evitar a abertura democrática, o atentado foi um fiasco e acabou fortalecendo a campanha pelo fim do regime militar.

A segunda bomba explodiu dentro de um automóvel Puma GTE, no colo do sargento Guilherme Pereira do Rosário, codinome “agente Wagner”, matando-o militar e ferindo gravemente o responsável pelo ato terrorista, capitão Wilson Chaves Machado, codinome “dr. Marcos”, que foi salvo por Andréia Neves, neta de Tancredo, que estava com seu namorado no estacionamento e providenciou socorro.

Machado jamais foi punido e recebeu três promoções, sendo reformado como coronel.

TRAGÉDIA ANUNCIADA – Se a outra bomba também explodisse, destruindo a subestação de energia, todo o local ficaria na mais completa escuridão. Seria um massacre, um trucidamento dos artistas, e dos jovens e dos trabalhadores, que só tinham uma única saída para se evadirem do pavilhão.

Essa falha do atentado salvou as vidas de milhares de pessoas inocentes que lá estavam e impediu o fortalecimento da  chamada “Linha Dura”, comandada pelo general Sylvio Frota, ex-ministro do Exército no governo Geisel.

Os frotistas queriam manter o endurecimento do regime e não aceitavam a abertura democrática comandada pelo então presidente, general Figueiredo.

FIGUEIREDO INFARTOU – O stress foi tão grande, que o chefe do governo sofreu um infarto. Operado em Cleveland, nos EUA, colocaram pontes de safena e o general voltou para cumprir a promessa de entregar o poder aos civis em 1985.

João Figueiredo não quis entregar a faixa para José Sarney, que largou a PDS, partido do governo, para compor a chapa da oposição como vice de Tancredo Neves, que ficou doente, não tomou posse e Sarney assumiu na vacância do titular.

Quatro décadas depois, o que me espanta, nisso tudo, é a falta de criatividade dessa gente, que não aprende com os erros do passado. O empresário frentista do Pará e as vivandeiras de portas de quartel se parecem com o “Exército Brancaleone”, a ópera bufa do cineasta Mario Monicelli, baseada no clássico “Dom Quixote de La Mancha”, de Cervantes. E ainda bem que não sabem dar golpe de estado.

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