Prefeito eleito em Guapimirim virou candidato na véspera da votação, mas urnas mostravam nome e fotografia de seu tio
Michel Alecrim
Rio - As eleições para prefeito de Guapimirim podem ser anuladas. Tramita no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) pedido da procuradora Silvana Batini para que o eleito Júnior do Posto (PTC) não seja diplomado e haja outra votação. Como os eleitores viram nas urnas a foto e o nome do atual prefeito, Nelson do Posto (PMDB), que deu a candidatura a Júnior apenas na véspera do pleito, por ter sido indeferido, ela acredita que as pessoas votaram sem saber em quem.
A procuradora regional eleitoral deu entrada no mandado de segurança semana passada. O relator é o juiz Célio Salim Tomaz Júnior, que ainda não se manifestou. No pedido, Silvana alega que a soberania popular foi ferida. Segundo ela, perante a Justiça Eleitoral, “o membro do Ministério Público deve balizar sua atuação, com muito mais razão, na defesa do regime democrático, que engloba a proteção à soberania, à representatividade e aos direitos políticos”.
O indeferimento da candidatura à reeleição de Nelson do Posto foi mantida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na sexta-feira anterior à eleição (3 de outubro). Só no sábado, véspera do pleito, a coligação decidiu indicar o sobrinho dele e vice na capa, Júnior do Posto, para concorrer. Não havia tempo hábil para a mudança nas urnas eletrônicas.
Ele ficou com 74,14% dos votos válidos. Em segundo lugar, ficou Medeiros (PT), com 20,63%. Paulo Micena (PV) obteve 5,23%. Não foram contabilizados os votos para o ex-prefeito Ailton Vivas, já que sua candidadura estava sub-júdice.
A coligação de Júnior é formada por nove partidos. O sobrinho do prefeito já foi deputado estadual e é irmão da deputada cassada Renata do Posto.
PREFEITO DIZ QUE RESPEITA A LEI
O atual prefeito, Nelson do Posto, criticou ontem a medida tomada pelo Ministério Público Eleitoral e disse que a substituição do candidato foi feita dentro da lei. Segundo ele, para que a programação das urnas fosse alterada, a troca teria que ter sido feita com pelo menos 10 dias de antecedência
“A eleição foi mais do que válida. Tudo ocorreu dentro da legalidade”, garantiu o prefeito. Nelson perdeu o direito de se candidatar porque seu nome constava nas listas do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de políticos condenados por irregularidades em suas contas. Nelson teve três condenações no TCE por supostas irregularidades cometidas em 2000 em contratos de compras e outra por sua prestação de contas de 1999. Na época, ele era prefeito de Magé.
Fonte: O Dia
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