BRASÍLIA - A candidatura do senador Tião Viana (PT-AC) à presidência do Senado ganhou fôlego com a desistência de seu mais forte opositor. O senador José Sarney (PMDB- MA) comunicou ao presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), ao líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e ao principal articulador de sua candidatura - o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que ficará fora da corrida sucessória.
Sarney era apontado como a única alternativa do PMDB que dava segurança ao Planalto, a ponto de a cúpula do partido no Senado contar com a intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para convencer Tião Viana a retirar a candidatura, evitando a disputa no plenário.
Nem assim o PMDB está disposto a permitir que o petista vença o jogo sucessório "por w.o", como candidato único ao comando do Congresso. Embora Sarney tenha acenado com a possibilidade de uma composição em torno do petista, tal como o presidente Lula havia sugerido ao PMDB, a cúpula do Senado movimenta-se em sentido oposto.
Para deixar claro que, mesmo com Sarney fora do páreo, o PMDB não abre mão do direito de indicar o presidente, Renan e o líder da bancada, senador Valdir Raupp (RO), procuraram os líderes da oposição hoje (26), e reafirmaram disposição de lançar candidato, com o apoio do DEM e do PSDB.
O recuo da candidatura Sarney foi oficializado em reunião na noite de segunda-feira, na casa de sua filha e senadora Roseana (PMDB-MA). Convidado a participar do encontro e "fazer uma análise do quadro sucessório", Temer perguntou logo se, afinal, Sarney seria ou não candidato. Explicou que precisava da resposta para orientar sua campanha a presidente da Câmara e ouviu resposta idêntica à que lhe fora dada em conversa anterior, quando a candidatura Sarney era trabalhada nos bastidores.
"Não serei candidato de jeito nenhum", afirmou o ex-presidente da República e do próprio Senado. A firmeza da negativa é a mesma. A diferença, agora, é uma questão pessoal, que envolve a saúde de sua filha senadora. Sarney abateu-se com o resultado de um check-up de rotina, que Roseana fez na última semana. Os exames revelaram um aneurisma cerebral que precisa ser resolvido com cirurgia. Preocupado com a cirurgia que só deverá ser realizada no início do ano que vem, Sarney não quer mais tratar de candidatura.
Diante da resposta, o líder Jucá apressou-se em articular uma composição com Tião Viana, argumentando que a melhor solução era caminhar com a candidatura do petista, tal como Lula gostaria que ocorresse. A anfitriã e líder do governo no Congresso foi pelo mesmo caminho, em defesa da unidade da base governista.
Um dos presentes ao encontro revela que Renan limitou-se a dizer que acompanharia o que o partido decidisse. Ato contínuo, no entanto, o senador passou a articular pela candidatura própria, com ou sem Sarney, e conta com a ajuda do líder Raupp no trabalho de fechar a bancada com a tese do respeito às regras e à tradição do Senado. O resultado concreto dessas conversas é que a disputa continua.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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