Por: Vitor Rocha
O mais novo desentendimento entre PMDB e PT se delineia na sucessão da presidência da
Assembléia Legislativa, marcada para o próximo 2 de fevereiro. Enquanto os deputados estaduais petistas fecharam apoio à reeleição de Marcelo Nilo (PSDB), os peemedebistas apóiam a candidatura do correligionário Arthur Maia.
Na Assembléia, o PMDB lança mão do argumento de que Nilo havia firmado compromisso oficial com o partido para não tentar a reeleição, em troca do apoio dos peemedebistas na escolha do presidente da casa em fevereiro de 2007. Nilo reage e diz ter sido chantageado, na época, para prometer apoio a Maia, coisa que alega não ter feito.
Um documento proposto pelo PMDB e assinado por Marcelo Nilo em 29 de janeiro do ano passado (fax simile acima) demonstra o compromisso. O item quatro do ofício explicita:
– Não reeleição: Considerando salutar para a vida parlamentar a rotatividade dos seus dirigentes, informamos que não será candidato à reeleição, e a escolha do próximo candidato à Presidência passará pelo crivo da base de sustentação do Governo, conforme pontos de vistas esboçados pelo atual governador. Apelo – Nilo diz que o trecho não explicita garantias de que ele não seria candidato à reeleição, mas que a decisão seria da base governista. “O que está escrito aí, em outras palavras, é que eu apoiaria o candidato do governo”, argumentou, para dizer que ele é esse candidato. “Pessoalmente, sou contra a reeleição, e nem pensava nisso. Mas não posso deixar de atender ao apelo de 48 deputados da base e de alguns da oposição, exceto do PMDB, que me pediram para ser candidato”, alega. O deputado Arthur Maia disse que participou do processo de redação do documento – que leva apenas a assinatura de Marcelo Nilo, seguida por um “de acordo” –, mas prefere não se manifestar sobre seu teor por considerá-lo claro. O peemedebista reforça o desejo de ser presidente da Assembléia para, apesar de apoiar o governo, manter uma relação de independência com o Executivo. “Acho que precisamos seguir uma linha mais independente na casa”, disse o deputado. Independente em relação ao governo Wagner? “Independente aos poderes”, afirma Maia, completando que a prioridade é o “respeito aos interesses constitucionais”. Apesar dos desentendimentos, os deputados do PMDB continuam oficialmente na base do governo Wagner, com exceção da deputada Maria Luíza, que alega foro íntimo para se manter na oposição desde o final das eleições municipais, em outubro.
Fonte: A Tarde
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