Por: Helio Fernnades
Sem arma, sem motivo, sem confissão, com oportunidade
Do ponto de vista do fato consumado, é difícil encontrar ou relembrar um crime tão bárbaro, cruel e até monstruoso quanto o da menina Isabella, de apenas 5 anos, na época. E mais estarrecedor pela circunstância dos supostos (até agora a palavra tem que ser essa) assassinos serem o pai e a madrasta de Isabella.
Com todas essas circunstâncias e o fervor sensacionalista das televisões, o crime ficou 1 mês nas manchetes e horários de maior audiência dessas estações. (As mesmas televisões que anteontem à tarde transformaram um simples incêndio numa loja de colchões num "desastre de um avião que caiu em cima de prédios de zona comercial e residencial". Deram até o nome da empresa de aviação, Pantanal. E ficaram mais de uma hora com esse assunto na pauta e no noticiário).
Por todas as questões incertas e duvidosas e pela comoção nacional (também chamada de clamor público), o País praticamente parou, os possíveis criminosos quase foram linchados fisicamente. E do ponto de vista legal, condenados antecipadamente.
Escrevendo sobre todos os assuntos, não pude deixar de analisar o caso e a posição do pai e da madrasta da menina assassinada. Foi apenas uma vez e escrevo pela última, até o caso chegar a julgamento.
Nesse artigo, estranhei o fato do pai do possível assassino, que não tem problema de dinheiro, contratasse advogados jovens e sem experiência ou prestígio, em vez de grandes criminalistas. Agora, corrigindo em parte o erro ou equívoco, o avô de Isabella contratou o médico-legista George Sanguinetti, que ganhou fama nacional funcionando no caso da morte de PC Faria, também de repercussão extraordinária, pois aí, além de tudo, se juntava o fator político.
Sanguinetti deu reviravolta total no caso, mudando as "conclusões" praticamente aceitas. Isso no caso PC Faria.
Examinando ligeiramente os laudos oficiais, Sanguinetti já "descobriu pontos obscuros que não permitem chegar a conclusões". Um dos mais utilizados pela acusação: o fato da camisa do pai de Isabella ter "resquícios" da grade aberta para a menina ser jogada. Resposta de Sanguinetti: "Ele foi ver se a filha realmente fora jogada". Diminui a importância do fato, mas praticamente deixa claro que o pai não foi o assassino. Joga tudo em cima da madrasta.
Em qualquer crime sem flagrante, existem obrigatoriamente os 4 pontos que coloquei no título. Examinemos sumariamente, mas com total isenção, cada um desses 4 itens, fundamentais e cujas respostas são indispensáveis para a solução do caso.
Motivo: É evidente que não existe motivação ou justificação para o assassinato de uma menina de 5 anos. E com a acusação se concentrando no pai e na madrasta.
Arma - Não existe, a menina foi agredida e estava cheia de marcas no rosto e no corpo. E o ponto final foi o fato de ter sido jogada do 6º andar.
Confissão: Nenhuma. A investigação foi tendenciosa e mal conduzida, feita para agradar o sensacionalismo da população, sensacionalismo aumentado diariamente pelos jornais e principalmente as televisões, pela repercussão e pela possibilidade de ficar 24 horas por dia "informando". Só existem esses três fatos.
Oportunidade - Esse é o grande ponto favorável à acusação. No local só estava o casal. A "tese" levantada pelo pai-possível-assassino, "de que havia uma terceira pessoa no local" (um ladrão que não roubou nada nem tinha tempo para estar lá), é hábil mas precisa ser provada.
PS - Em suma, não há suma. Por mais competente que seja, o médico-legista só conseguirá sucesso se apresentar esse terceiro personagem irreversivelmente no local do crime.
PS 2 - Acho que Sanguinetti só absolverá seus clientes se colocar na cena do crime outro pseudo ou possível assassino. Se não conseguir, ajudará a acusação, esclarecendo qual foi a parte executada pelo pai ou pela madrasta.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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