KENTUCKY (EUA) - O Brasil foi reeleito para o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). A Assembléia-Geral da ONU realizou ontem a votação para a renovação de 15 dos 47 assentos do Conselho. Brasil, Argentina e Chile foram escolhidos para ocupar as vagas do grupo latino-americano por um período de três anos, que começará no dia 20 de junho.
O Conselho foi criado há dois anos para substituir a Comissão de Direitos Humanos, que foi extinta, após 60 anos, por causa de sua falta de legitimidade. A comissão estava sem credibilidade porque suas decisões eram consideradas politizadas demais.
A escolha do Brasil, que ganhou mais um mandato no Conselho, foi criticada por entidades de direitos humanos. Segundo relatório da Freedom House e da UN Watch, o histórico do Brasil em direitos humanos é "questionável". "O Brasil não tem um histórico terrível como outros países que foram reeleitos, como Paquistão", disse Paula Schriefer, diretora da Freedom House.
"Mas o País tem um histórico questionável, absteve-se de alguns votos importantes sobre direitos humanos na ONU e não tem uma completa liberdade de imprensa. Nós preferíamos um país com histórico impecável em direitos humanos". Segundo o relatório da entidade, Argentina e Chile têm um bom registro em direitos humanos e estavam aptos para serem eleitos.
A embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Viotti, não quis se pronunciar. "Dado que os direitos humanos são uma prioridade da política externa do Chile, nos sentimos profundamente satisfeitos de ter sido escolhidos na primeira maioria", declarou à agência EFE o embaixador chileno na ONU, Heraldo Muñoz.
O diplomata acrescentou que para seu país esta escolha também é "um reconhecimento à consistência da política chilena em matéria de direitos humanos e talvez também por nosso passado trágico", disse. Os 15 novos membros do CDH foram escolhidos ontem em primeira votação e por maioria absoluta, formada por 97 dos 192 Estados que formam a Assembléia-Geral.
O Brasil foi eleito com o apoio de 175 nações, enquanto o Chile foi votado por 176 países e a Argentina, por 172. Os outros dois Estados da região que queriam um lugar no grupo, Venezuela e Equador, obtiveram três e um voto, respectivamente. A eleição da Venezuela causaria grande gritaria entre ativistas, que consideram a situação dos direitos humanos no país "muito preocupante".
Os novos membros do CDH que ficarão no órgão até 2011 são Brasil, Argentina, Bahrein, Burkina Fasso, Chile, Coréia do Sul, Eslováquia, França, Gabão, Gana, Japão, Paquistão, Reino Unido, Ucrânia e Zâmbia. "A raposa está cuidando do galinheiro", disse Hillel Neuer, diretora-executiva da UN Watch, sobre a eleição de países como Paquistão, Bahrein, Gabão e Zâmbia, "que não têm os padrões mínimos de respeito a direitos humanos para comporem o Conselho".
"Enquanto a ONU continuar elegendo os piores violadores dos direitos humanos para o Conselho, nós continuaremos a ter raposas cuidando do galinheiro - com China, Arábia Saudita e Cuba bloqueando medidas para proteção do Tibete, direitos das mulheres ou jornalistas presos".
Fonte: Tribuna da Imprensa
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