segunda-feira, maio 26, 2008

Pinheiro será o candidato do PT à prefeitura

Deputado começa hoje a articular alianças e discutirá com governador apoio do PP, que hoje está com João Henrique


Flávio Costa
Após prévias marcadas pela tensão na contagem de votos, que só terminaram no início da madrugada de hoje, o deputado federal Walter Pinheiro será o candidato petista à prefeitura de Salvador. Preferido do governador Jaques Wagner _ que articulou a seu favor, inclusive no adiamento da prévias, que deveriam ter ocorrido no domingo retrasado _, Pinheiro venceu o também deputado federal Nelson Pellegrino por 128 votos de diferença – 1.337 contra 1.209. No total, 2.558 mil militantes compareceram para a votação, de um total de 6,4 mil eleitores.
A abstenção ficou acima do previsto pelo diretório municipal de Salvador, o que chegou a ser recebido como boa notícia por Pellegrino, que confiava na atuação e comparecimento em massa da sua militância. Apesar da tensão na contagem dos votos, o clima da votação nas 20 zonais do PT foi tranqüilo, sem incidentes.
Fizeram a diferença a favor de Pinheiro os votos da 15ª e da 20ª zonas eleitorais, redutos do deputado estadual J. Carlos, que desistiu da sua pré-candidatura em favor do vencedor. Além de J. Carlos, quem também desistiu de disputar as prévias para apoiar Pinheiro foi o secretário estadual da Promoção da Igualdade, Luiz Alberto. Na disputa de ontem, o ex-ministro da Defesa, Waldir Pires, declarou abertamente seu apoio a Pinheiro. “O PT precisa de um nome que possa aglutinar forças e liderar o processo de construção da frente de esquerda”, disse, usando os mesmos argumentos de Wagner para justificar a preferência pelo deputado.
Hoje à tarde, Pinheiro terá um encontro com o governador. Pela manhã, ele tem uma reunião interna marcada para discutir a formação de uma chapa. Pinheiro destacou que vai começar as conversas pelo PSB da deputada federal Lídice da Mata e pelo PCdoB da vereadora Olívia Santana, que são atualmente pré-candidatas. O PV, que ainda integra a base de sustentação do governo João Henrique Carneiro (PMDB), também será procurado. Sobre uma suposta articulação com o PP, outra sigla que integra a base do prefeito, Pinheiro informou que ainda não tratou do assunto com o governador, o que será feito hoje. O PP poderá aderir ao PT se for contemplado com uma secretaria. Com isso, o PT espera ao menos minizar as perdas por conta do processo de disputa interna, já que viu potenciais aliados, como o PTB, aderirem ao PMDB.
Apuração - Dezenas de militantes do PT começaram a se aglomerar em frente à sede regional do partido na Bahia, no bairro de Nazaré, a partir das 17h, quando a votação foi encerrada. Apesar da acirrada disputa que já era prevista, os dois grupos adversários iniciaram a apuração em clima de cordialidade. Os dois acompanharam a contagem em seus respectivos escritórios políticos.
Os ânimos começaram a se exaltar a partir da apuração dos votos de zona de Cajazeiras, tida como reduto eleitoral de Pellegrino, que naquele momento estava com 20 votos de vantagem. Fiscais da chapa “Para Ganhar Salvador”, de Walter Pinheiro, desconfiaram de um “canudinho de 21 votos colocados juntos na urna todos a favor de Pellegrino” e tentaram impugnar os votos desta zona. O impasse durou mais de uma hora e atrasou a contagem das outras urnas.
Uma das mesárias da 8ª zona eleitoral, Angela Dias, tentou entrar no local de apuração com o objetivo de convencer que não houve fraude. “Eu não saí da minha mesa um minuto. Sou uma pessoa temente a Deus e nunca vou me envolver com fraude”, declarou. Apesar de estar sub judice, os votos da 8ª foram contabilidados. Pellegrino venceu, nesta urna, por larga margem: 134 contra 39. Se perdesse, Pinheiro deveria entrar com um recurso para tentar impugnar esses votos, o que poderia resultar em problemas semelhantes aos ocorridos na eleição para a presidência do PT na Bahia, que necessitou de um terceiro turno, por determinação do diretório nacional.
Quando os partidários de Pellegrino já comemoravam, o jogo virou para Pinheiro com os votos do subúrbio ferroviário, considerado reduto de J. Carlos, que é líder do Sindicato dos Rodoviários. Na 15ª zona, de Plataforma, Pinheiro venceu com quase 200 votos de frente, o que desanimou os militantes de Pellegrino. No início de madrugada, Pellegrino aceitou a derrota ao cumprimentar Pinheiro na sede do partido em Nazaré.
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Derrotado insistiu na disputa interna
As prévias do PT se tornaram inevitáveis por insistência do deputado federal Nelson Pellegrino. Depois que saiu na frente e lançou a sua pré-candidatura, no dia 26 de abril, com o apoio de 1,2 mil militantes que assinaram um documento em seu favor, Pellegrino passou a sofrer, durante quase um mês, o assédio da cúpula do partido e do governo para que retirasse o nome do páreo em prol do consenso. O governador Jaques Wagner não escondeu a preferência pelo deputado federal Walter Pinheiro, por avaliar que seria o nome que poderia aglutinar mais forças no campo das esquerdas no primeiro e num eventual segundo turno.
Pinheiro se inscreveu no diretório municipal como pré-candidato no dia 27 de abril, como também o fez oficialmente Pellegrino, o deputado estadual J.Carlos e o secretário da Promoção da Igualdade do governo baiano, Luiz Alberto. Esses dois últimos atenderam aos apelos de Wagner e recuaram para apoiar Pinheiro, que conseguiu o apoio da cúpula petista.
Os apelos para que Pellegrino desistisse da disputa foram feitos em diversas reuniões, em que o representante de Wagner foi o secretário de Relações Institucionais, Rui Costa. Uma das reuniões aconteceu durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Salvador, no último dia 9, quando J.Carlos e Luiz Alberto ainda eram pré-candidatos.
Especulações - Chegou-se a especular que Pellegrino, numa provocação a Pinheiro, aceitaria retirar a pré-candidatura se o PT e o próprio governador lhe dessem a garantia de que seria o candidato do partido ao Senado no pleito de 2010. Além disso, os “incendiários” ligados a Pinheiro disseminaram a informação de que Pellegrino poderia abrir mão da pré-candidatura em troca de cargos no estado.
Durante o processo de disputa, Pellegrino e Pinheiro trocaram farpas publicamente, em entrevistas à imprensa e, mais moderadamente, no debate ocorrido na última sexta-feira entre os dois, promovido pelo diretório municipal do partido. Pellegrino lembrou que Pinheiro não queria que o PT tivesse candidato próprio e apoiasse João Henrique. Já Pinheiro acusou Pellegrino de ser o eterno candidato petista.
Wagner também foi uma “pedra no sapato” de Pellegrino quando o PT ainda estava na base do prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) – o rompimento foi oficializado em abril deste ano, após a insistência do deputado. O governador deu declarações afirmando que o ideal seria que o PT não tivesse candidato próprio e apoiasse João Henrique.
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Partido deve manter veto a PSDB em Minas
BRASÍLIA - De nada valeram até agora as negociações e a aprovação da aliança entre petistas e tucanos para a eleição à prefeitura de Belo Horizonte por parte dos diretórios municipal e estadual do PT em Minas. Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não entrar em campo, tudo indica que o comando nacional do PT manterá o veto à parceria com o PSDB do governador Aécio Neves. Ciente de que a crise ameaça bater à sua porta, Aécio admite, em conversas reservadas, dar apoio branco à coligação na disputa da capital mineira.
Um mês e dois dias depois de uma dura resolução política que proibiu o casamento de papel passado com os tucanos na eleição de outubro, a executiva nacional do PT voltará a se reunir hoje para mexer no vespeiro. A tendência é de que a cúpula deixe tudo como está e empurre a decisão final para o encontro do diretório nacional do partido, marcado para sexta-feira e sábado. Articulador do acordo com Aécio, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), esteve em Brasília na terça-feira passada _ pela segunda vez em duas semanas.
No mais fiel estilo do mineiro que trabalha em silêncio, fez corpo-a-corpo pelos corredores do Congresso e tentou virar votos de integrantes da Executiva contrários à parceria. Pouco obteve. “Eu não perdi a esperança”, afirmou Pimentel, que não acredita em intervenção do PT no diretório municipal. “É mais difícil explicar por que não queremos o apoio do PSDB em Belo Horizonte do que por que o aceitamos. Nosso partido às vezes paga preço alto por se isolar”.
Fantasmas - O prefeito e o governador planejaram a aliança em torno da candidatura de Márcio Lacerda (PSB) para a prefeitura de Belo Horizonte no início do ano. O plano de lançar um concorrente de partido neutro (PSB), tendo como vice o deputado estadual Roberto Carvalho (PT), foi feito sob medida para driblar a união com o PSDB. A resistência na seara petista, porém, foi maior do que a expectativa.
Afilhado político do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), outro presidenciável, Lacerda é secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Aécio e sempre foi visto com desconfiança pelo PT. Embora Lula tenha dito que considera a aliança “normal e conveniente”, a maioria da cúpula do partido torce o nariz para a dobradinha. O argumento é que a parceria só fortalece o governador mineiro, pré-candidato do PSDB à sucessão presidencial, em 2010, num provável embate mais à frente contra o PT. (AE)
Fonte: Correio da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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