Fernando Exman
BRASÍLIA. Em tensa sessão, senadores da ala governista e da oposição iniciaram ontem um novo movimento para tentar convencer o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a licenciar-se do cargo até que seja absolvido de todas as denúncias que enfrenta. Exigiram que o colega deixasse a presidência a fim de preservar a já prejudicada imagem da instituição e as suas próprias reputações nos Estados. Ameaçaram novamente paralisar os trabalhos da Casa.
Renan rebateu a acusação de que teria mandado espionar os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO). Informou que abrirá uma sindicância interna e manterá afastado até a conclusão da investigação o ex-senador Francisco Escórcio, seu assessor que teria tentado operar o esquema de arapongagem. Os demais senadores consideraram a medida insuficiente. Renan argumentou então que, como ele próprio não queria ser alvo de prejulgamentos, não exoneraria de forma sumária o auxiliar.
O presidente do Senado voltou a ressaltar que não pedirá licença, pois assim estaria assumindo ser culpado.
- Não tenho o direito de recuar. Tenho um mandato a cumprir - declarou Renan. - Vou até o limite das minhas forças para defender a minha honra e provar a verdade.
Parlamentares influentes de PSDB, DEM, PT, PDT, PSB e PMDB decidiram ontem esperar até o dia 2 para que o Conselho de Ética do Senado julgue as duas representações contra Renan que já contam com relator. A primeira refere-se à denúncia de que o presidente do Senado teria tentado beneficiar a cervejaria Schincariol. A outra é sobre o envolvimento em suposto esquema de desvio de recursos públicos de ministérios controlados pelo PMDB. Se o prazo - estipulado pelos integrantes do conselho - não for cumprido, o grupo paralisará os trabalhos do plenário e comissões da Casa.
O grupo de senadores acusa Renan de usar o poder de presidente da Casa para adiar o julgamento. Impassível, Renan ouviu a maior parte dos ataques dos colegas sem reagir. O clima da sessão ficou tenso quando alguns senadores apartearam o discurso de defesa de Renan. O presidente do Senado disse que não queria transformar seu pronunciamento em debate, mas não conseguiu evitar o constrangimento. Cortou a palavra de Aloizio Mercadante e abandonou a tribuna (PT-SP) quando este pediu seu afastamento.
Em seguida, fez o mesmo com o senador Demóstenes Torres, líder da minoria na Casa. Durante o seu discurso, o parlamentar goiano pediu para a assessoria técnica da Casa reproduzir uma gravação que supostamente comprovaria a tentativa de Escórcio montar um esquema de espionagem. O senador Valter Pereira (PMDB-MS) saiu em defesa do correligionário.
- Senador Demóstenes Torres, depois de ouvir essa gravação, cabe uma pergunta: onde estamos? No Senado Federal ou em uma delegacia de polícia?
Renan aproveitou a deixa para culpar Torres pela crise: "É isso o que vossa excelência quer fazer com o Senado brasileiro?", perguntou o presidente da Casa durante a ríspida discussão com o senador do Democratas.
- Não. É o que vossa excelência fez com o Senado - respondeu Torres.
Fonte: JB Online
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