Por: Alexandre Garcia
Alexandre Garcia: Qualidade de vida é qualidade dos alimentos. Se há esse descaso
com o leite, como será com os demais alimentos? E como fica a relação Brasil-Argentina com a eleição de Cristina Kirchner?
Qualidade de vida é qualidade dos alimentos. O Brasil não está atrás nesse ponto. E eu fico me perguntando: como confiar naquele carimbo de inspeção do Ministério da Agricultura. É mais um caso que atinge a confiança.
É a inspeção que não inspeciona e nos faz tomar leite com soda cáustica e água oxigenada sabe lá por quanto tempo, é a revelação da conta do caseiro que atinge a confiança no sigilo bancário; é a companhia aérea voando para o desastre sem freio aerodinâmico. Parece que um caso não serve de lição para o outro e erros graves se repetem.
Nesse último caso, a ganância foi outra vez má conselheira. Quem fez isso prestou um grande desserviço ao setor de laticínios no Brasil, mas mostra a que está entregue o que entra pela nossa boca. Se há esse descaso com o leite, como será com os demais alimentos?
Cristina Kirchner e as relações Argentina-Brasil
Como fica a relação Brasil-Argentina com a eleição de Cristina Kirchner? Será que muda a política externa da Casa Rosada? O presidente Kirchner nunca foi um entusiasta com a vizinhança brasileira. Por aqui, ou não vinha às reuniões regionais, ou chegava atrasado ou saía mais cedo. Tem sido mais simpático com Chávez, da Venezuela, que teve petrodólares para comprar títulos argentinos.
A mulher dele, a senadora Cristina, como candidata a presidente, no entanto, deu sinais de mudança. Foi ao Palácio Alvorada há dias afirmar amores pelo Brasil e deu à TV Globo uma declaração entusiasmada em favor do Brasil, às vésperas da eleição.
Com quase 40 anos de militância peronista, seria ela independente do ranço justicialista em relação ao Brasil? Ou teria autonomia para mudar a política externa de indiferença ao Brasil praticada pelo marido?
Eu fui correspondente na Argentina durante os quase dois anos de governo de Isabelita, a vice que assumiu com a morte do marido Perón. Sem experiência, ela governava sendo governada pelo ministro Lopes Rega. Néstor governaria a senhora de Kirchner? Os dois fizeram carreiras políticas juntos e separados. Até onde um influencia o outro? Quem influencia mais?
No plano interno, ela recebe problemas que o marido não conseguiu resolver: falta de energia para crescer; e inflação, que se diz ser o dobro do número oficial de 10%. Vai precisar de arrocho ela que foi eleita porque a Argentina vem crescendo a 8%, com queda do desemprego e aumento do poder aquisitivo dos salários mais baixos.
A campanha foi apática e o baixo comparecimento às urnas fez adiar por uma hora o seu fechamento. A abstenção se aproxima dos 30%. O politizado povo argentino está descrente dos seus políticos, mesmo com o voto obrigatório. Analistas argentinos sérios recomendam que ela esqueça certas amizades do marido e se mire no Chile e no Brasil.
Fonte: bomdiabrasil
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