sábado, agosto 31, 2024

“Maria (do Carmo) está fechando o ciclo da vida”, diz Ana Alves ao revelar a situação crítica de saúde da ex-senadora

Aos 83 anos, Maria do Carmo - senadora por 24 anos - foi supreendida por um câncer no Pâncreas, fígado e pulmão

Internada num hospital desde esta última terça-feira, 27, Maria do Carmo Alves, 83 anos, – pioneira na política sergipana ao se eleger pela primeira vez senadora – teve uma piora significativa nesta sexta-feira, 30, devido a um câncer que apareceu de forma repentina no pâncreas e está espalhado pelo fígado e pulmão. No momento, ela está sob cuidados paliativos.

Em conversa com a Coluna Aparte na noite desta sexta, Ana Alves, filha de Maria do Carmo, relatou que o quadro de saúde de sua mãe é praticamente irreversível diante da metástase do câncer. Contudo, até dias atrás, a ex-senadora estava bem, sem grandes queixas e nenhum indício da doença, fazendo suas atividades de rotina, como visita voluntária ao Same – Lar de Idosos Nossa Senhora da Conceição.

“Eu cheguei no dia 17 na casa dela, depois dela me ligar e dizer: ‘Aninha, venha dormir aqui comigo’. Eu achei isso muito estranho porque minha mãe é uma mulher, assim, mais reservada. Não é meu pai. Aí eu fui e de lá não sai mais. Ela estava bem, somente reclamando de cansaço. Jogou conversa. Mas depois dos exames foi ladeira abaixo. Foi tudo rápido. Só que hoje uma pessoa me disse que as pessoas boas não sofrem muito. Não sei se é verdade, porque eu vejo muitas pessoas boas sofrendo também”, disse Ana Alves à Aparte.

PIORA REPENTINA – Ana relata que tudo foi mais repentino ainda após a internação hospitalar. “Maria entrou no hospital, terça-feira agora (para fazer exames), lúcida, contando histórias como começou a namorar com o meu pai; eu perguntando como era o nome do homem da vida dela e ela respondia: ‘João’. Eu perguntei como o povo chamava e ela dizia: ‘o Negão de Sergipe’”.

Maria do Carmo está internada há três dias na Unidade de Terapia Intensiva - UTI - do Hospital São Lucas. De acordo com boletim médico, o quadro clínico dela é crítico, com sepse – infecção generalizada –, que demanda maiores cuidados relacionados à disfunções renal e cardiovascular. Segundo Ana Alves, os rins da ex-senadora pararam.

PARTINDO COM DIGNIDADE – De forma consciente e serena, Ana afirma que sua mãe está partindo deste plano terrestre sem muito sofrimento. “Maria está fechando o ciclo da vida dela. Nós temos o ciclo de nascer, viver e morrer. Ela vai fechar com dignidade esse ciclo da vida dela e vai encontrar o amor da vida dela (o ex-governador João Alves Filho)”, disse à Aparte.

Ana revela ainda que, depois da morte de João Alves – falecido em 24 de novembro de 2020 –, Maria ficou triste e muito depressiva. “Ela vai agora viver com o grande amor da vida dela em outra dimensão. Ela estava chamando muito por meu pai ultimamente. Ela dizia: ‘meu amado’”, relatou.

Neste momento delicado, todos da família estão juntos com Maria do Carmo desde o primeiro dia de internamento, de acordo com a filha. “Tudo está nas mãos de Deus. Eu saí de lá do hospital – fui tomar um banho em casa – e ela estava no oxigênio. Ela não está mais falando, mas fazemos movimentos nela e sempre acho que ela está ouvindo. Os médicos dizem que podemos falar, fazer tudo com ela. Então, beijei os pés, as mãos e a testa e disse ‘minha mãe reaja, por favor’”, afirmou Ana Alves.

TRAJETÓRIA – Advogada, filiada atualmente ao Progressistas – PP –, Maria do Carmo Alves foi senadora por Sergipe de 1999 a 2023, sendo a primeira mulher eleita para o Senado Federal por Sergipe e a primeira mulher a cumprir três mandatos consecutivos no Senado.

Maria do Carmo também foi primeira-dama de Aracaju em dois momentos (1975-1979 e 2013-2017) e primeira-dama do Estado por três vezes (1983-1987, 1991-1995 e 2003-2007), sempre de forma atuante nas áreas da assistência social e saúde da mulher.

Em 2022, Maria . Carmo decidiu não disputar uma nova candidatura como senadora, deixando o Senado após 24 anos. Contudo, não parou na política, sempre participando de articulações e diálogos políticos.

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Jozailto Lima

É jornalista há 40 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Com colaboração da jornalista Tatianne Melo.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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