quarta-feira, agosto 28, 2024

Governismo no Congresso: Deputados baianos acompanham o governo em 89% dos projetos aprovados na Câmara

 

Governismo no Congresso: Deputados baianos acompanham o governo em 89% dos projetos aprovados na Câmara

Por Edu Mota, de Brasília / Eduarda Pinto

Governismo no Congresso: Deputados baianos acompanham o governo em 89% dos projetos aprovados na Câmara
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

Em meio às tensões e disputas entre os Três Poderes em Brasília por conta das emendas parlamentares, tem se tornado cada vez mais reduzida a influência do Palácio do Planalto nas decisões da Câmara dos Deputados. No entanto, a bancada baiana ainda se mostra conectada em torno do governo petista, uma vez que os 39 deputados do estado votam predominantemente junto ao Poder Executivo em 89,87% dos casos.

 

É o que aponta o levantamento do Bahia Notícias, considerando os resultados das votações dos 21 projetos mais importantes aprovados neste ano na Câmara. A pesquisa se baseou nas proposições que tiveram manifestação da liderança do governo para sua aprovação, com a verificação dos parlamentares que votaram de acordo com essa orientação.

 

Entre os textos elaborados pelo Executivo ou apoiados pelo Palácio do Planalto e votados pela Câmara, entre janeiro e agosto deste ano, estão propostas emblemáticas como a regulamentação da Reforma Tributária, o Novo Ensino Médio e o Marco Regulatório do Hidrogênio Verde. 

 

 

No ranking dos parlamentares mais governistas e os mais oposicionistas da bancada baiana, seis deputados aparecem empatados com 100% de aprovação das pautas governistas. 

 

Os deputados são, em ordem alfabética: Alice Portugal (PC do B), Léo Prates (PDT), Lídice Da Mata (PSB), Marcio Marinho (Republicanos), Neto Carletto (PP) e Rogéria Santos (Republicanos). Estes compareceram a todas as votações dos projetos analisados e seguiram a recomendação do governo - pela aprovação - durante o plenário. No entanto, apenas nove das 21 propostas analisadas tiveram votações nominais. As outras 12 votações ocorreram de maneira simbólica e as lideranças/bancadas votaram unanimemente pela aprovação. 

 

Do outro lado do ranking, quatro deputados foram apontados como os mais oposicionistas, tendo votado junto com o governo em apenas 14 e 15 oportunidades, respectivamente. A dupla mais oposicionista, empatada com apenas 14 propostas aprovadas, foi Elmar Nascimento (União Brasil) e Roberta Roma (PL). No caso da liberal, ela acompanhou o governo em apenas duas das nove votações nominais e votou contra os projetos outras quatro vezes. A deputada colecionou ainda três isenções, por não comparecimento ou abstenção. 

 

Já o candidato ao cargo de presidente da Câmara dos Deputados, Elmar Nascimento, acumulou sete isenções, por não comparecimento ou abstenção. Ainda este ano, o parlamentar esteve entre os deputados mais faltosos da bancada baiana, com 11 faltas. Ao total, o candidato também votou pela aprovação de projetos governistas duas vezes entre as votações nominais. 

 

A segunda dupla de “oposicionistas” também pertence aos partidos PL e União Brasil, desta vez com Capitão Alden e Arthur Maia, respectivamente. Alden (PL) poderia ser considerado o líder oposicionista da bancada baiana. O liberal votou contra propostas governistas em cinco das nove oportunidades e se isentou de apenas uma votação. No entanto, acumulou três votos pela aprovação de projetos do Executivo em votações nominais. 

 

Arthur Maia (União), líder em ausências na Casa entre os deputados baianos, acompanhou o governo em três oportunidades e se ausentou de seis entre as nove votações nominais. Além dos grupos mais ou menos governistas citados, a ampla maioria dos parlamentares baianos se manteve numa média entre 20 e 18 projetos aprovados junto ao Governo Lula em 2024. 

 

No caso do deputado Zé Neto (PT), ele registrou uma quantidade de projetos votados menor que os colegas, 20 dos 21, devido à licença adquirida por ele em julho deste ano. Na votação em esteve ausente, do segundo projeto de regulamentação da Reforma Tributária, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2024, a deputada suplente, Elisangela Araujo (PT), votou pela aprovação. 

 

Todo o material produzido neste levantamento, incluindo uma lista com os votos de cada deputado nos projetos analisados, estará disponibilizado na nossa coleção no aplicativo PinPoint do Google (confira aqui). 

 

Veja o ranking completo: 


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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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