quinta-feira, agosto 29, 2024

A campanha eleitoral agita o comércio de votos em Sergipe

 em 29 ago, 2024 8:07

Adiberto de Souza

O cerco verificado nas eleições passadas contra os políticos que compram votos em Sergipe não tem impedido que cabos eleitorais insistam em ganhar dinheiro vendendo a consciência do eleitor. Felizmente, as últimas condenações por compra votos assustaram os abastados clientes dos donos de currais eleitorais. Bom exemplo disso é Valdevan Noventa, que teve o mandato de deputado federal cassado após ficar provado que ele comprou votos nas eleições de 2018. Ressalte-se, contudo, que apesar do temor de serem descobertos, os cabos eleitorais insistem nesse negócio criminoso, pois precisam desovar o “gado” em fase de engorda. A compra de consciência vai continuar por muito tempo, mesmo com o risco de um flagrante, graças a atuação do Ministério Público e ao uso indiscriminado do celular, que a tudo filma para denunciar nas redes sociais. Misericórdia!

Patinho feio

Embora o governo Mitidieri insiste em dizer o contrário, Sergipe é o lanterninha do Nordeste na geração de empregos. Segundo os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em julho passado, o campeão de empregos gerados na região foi a Bahia (83.823), com um saldo positivo de 9.614 postos de trabalho. Já Sergipe gerou 10.738 empregos com carteira assinada, mas no mesmo período 9.474 trabalhadores foram desligados das empresas, resultando num saldo positivo de apenas 1.264. Ressalte-se que o Caged não considera os “bicos” criados pelas caríssimas festas promovidas pelo governo estadual. Só Jesus na causa!

Venda da Deso

Os grupos empresariais Aegea, Iguá Cotação, Pátria e BRK Ambiental se habilitaram para disputar a concessão do abastecimento de água e esgotamento sanitário de Sergipe. Executados atualmente pela estatal Deso, os dois serviços devem ser leiloados no próximo dia 4. O critério de julgamento das quatro propostas será o de maior oferta pela outorga da concessão, obedecendo o valor mínimo estabelecido no edital. O processo permitirá a exploração dos serviços por 35 anos. Ainda de acordo com o edital, nos três primeiros anos de atuação, a concessionária não poderá fazer qualquer reajuste tarifário acima da inflação. Marminino!

Novo sergipano

Sergipe ganhou um novo filho. Sandro Heleno Gomes de Souza, subsecretário do governo do Espírito Santo, foi homenageado com o título de cidadania sergipana concedido pela Assembleia Legislativa. Autor do Projeto de Lei, o deputado estadual Georgeo Passos (Cidadania), não economizou nos elogios ao homenageado, “um sergipano de alma e coração”, destacou. Segundo o deputado Luciano Pimentel (PP), Sandro deu uma grande contribuição para a União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale). Então, tá!

Promessa furada

A candidata a vereadora Moema Valadares (União) anda prometendo que se eleita vai criar uma escola cívico-militar em Aracaju. Alguém precisa dizer a ela que este não é papel de vereador. Ademais, municípios e estados não podem instituir modelo educacional que não esteja previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Bolsonarista tal qual Moema, o governador de São Paulo, Tarciso de Freitas (Republicanos), teve a lei estadual criando escolas cívico-militar suspensa pela Justiça. Portanto, cuidado com quem anda por aí querendo vender gato por lebre. Creindeuspai!

Renda irlandesa

Como perguntar não ofende: quando será que Sergipe vai começar a exportar, em larga escala, a nossa renda irlandesa para a Irlanda? A indagação se justifica depois que o governo Mitidieri mandou aquele país uma alegre comitiva visando divulgar o artesanato produzido em Divina Pastora. À época, o executivo sergipano garantiu que a viagem de seus representantes para Dublin – custeada pelos contribuintes sergipanos – visava promover a exportação da nossa renda irlandesa, só que até agora necas de pitibiriba. Home vôte!

Pesquisas enganam

Engana-se quem pensa que o candidato favorito nas pesquisas feitas agora em Aracaju será eleito em outubro próximo. Muita gente que acreditou nisso e foi se refastelar com sombra e água fresca se decepcionou. Há casos em Sergipe de candidatos que figuravam na lanterna das intenções de voto e terminaram sendo eleitos. Portanto, acreditar nas pesquisas, muitas vezes feitas ao gosto de quem as paga, é tão irracional quanto confiar em profecias de uma falsa cartomante.  Depois não diga que a cigana lhe enganou. Desconjuro!

Estoque de obras

Você sabia que cerca de 90% das obras inauguradas até agora pelo governo Mitidieri foram deixadas praticamente prontas pelo ex-governador Belivaldo Chagas (Pode)? Esta informação é do próprio ex-gestor e ainda não foi desmentida pelo atual inquilino do Palácio Olímpio Campos. Sempre que pode, Chagas também lembra que entregou o governo a Fábio Mitidieri (PSD) com R$ 360 milhões em caixa. A questão é saber em que pé estão as obras iniciadas pela atual gestão, para que sejam inauguradas quando não houver mais nenhuma do estoque deixado por Belivaldo. Arre égua!

Aviso aos infratores

Quem estiver pensando em burlar a lei durante a campanha eleitoral é bom ir logo tirando o cavalinho da chuva, pois a Justiça vai jogar duro contra os infratores. O Tribunal Superior Eleitoral já alertou que não será cúmplice dos transgressores da lei. Nas eleições passadas, muitos candidatos tentaram enganar a Justiça, forjando contribuições financeiras e maquiando as contas. Resultado: muitos já foram condenados e outros estão sendo processados. Portanto, o político que estiver pensando em fazer falcatruas para se eleger, é bom ficar sabendo que pode dar com os burros n´água. Quem avisa, amigo é!

Locutor aloprado

A deputada estadual Linda Brasil (Cidadania) criticou o radialista Paulo do Valle por praticar o que chamou de “violência política de gênero”. O comunicador da rádio Lagarto/FM já comparou uma candidata a vereadora a uma galinha e se referiu a uma mulher trans como “mulher barbada”. Além de prometer acionar a Justiça contra Paulo do Valle, a deputada solicitou à direção da emissora que se posicione “sobre esses casos de machismo e legbtfobia”. O Sindicato dos Radialistas já emitiu uma nota repudiando o comportamento agressivo do locutor aloprado. Cruz, credo!

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Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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