sexta-feira, agosto 30, 2024

Sergipe tem uma bancada federal de segunda categoria

em 30 ago, 2024 8:06

Adiberto de Souza

 Diferente de outros estados, onde suas representações no Congresso se destacam pelo protagonismo, a bancada federal de Sergipe pode ser considerada de 2ª categoria. A grande maioria dos 11 deputados e senadores diz amém ao presidente de plantão, enquanto os de oposição se contentam em repetir as palavras de ordem contra o governo federal. Entre as poucas ações concretas de nossa bancada talvez a mais destacada seja a apresentação de emendas ao Orçamento da União. O tradicional Prêmio Congresso em Foco é um dos exemplos de como estamos mal representados em Brasília. Na edição deste ano, que teve o resultado divulgado ontem, apenas os senadores Rogério Carvalho (PT) e Alessandro Vieira (MDB) apareceram entre os melhores do Congresso. Essa péssima representação parlamentar é o resultado da força do coronelismo e da falta de consciência política de grande parte dos sergipanos, que votam por favor, por dinheiro, pelo discurso bonito ou pela simpatia dos candidatos e candidatas. Enquanto Sergipe continuar votando mal, vai permanecer elegendo uma bancada federal incapaz de defender em Brasília o crescimento socioeconômico do estado. Simples assim!

Vai sair no braço

Numa gravação divulgada nas redes sociais, uma pessoa com voz semelhante à do ex-deputado federal Valdevan Noventa (PRTB) ameaça dar uma surra em alguém. “Eu tô achando que vou ter que mostrar minhas garras. Quando eu der o primeiro, nego vai acreditar que sou capaz de bater em gente”. As ameaças foram feitas durante uma conversa entre o suposto ex-parlamentar e uma pessoa que ele pensava que “fosse meu amigo”. Cassado em 2022 sob a acusação de comprar votos nas eleições de 2018, Valdevan apoia vários candidatos na região Sul de Sergipe. Misericórdia!

Prepare as oiças

A partir desta sexta-feira, os sergipanos que ligarem a televisão ou o rádio terão pela frente um show de blá-blá-blá dos diabos, com autos-elogios, ataques aos adversários, fake news a torto e a direito e, principalmente, promessas para todos os gostos. Os candidatos a uma cadeira nas Câmaras de Vereadores terão um espaço menor no horário eleitoral gratuito, porém vão se esforçar para conquistar o número de votos suficientes às suas eleições. Quem se sair melhor no show de lero-lero ganhará um emprego muito bem remunerado e bancado pelo suplicante que acreditou nas mirabolantes promessas. Creindeuspai!

Aposta nas pesquisas

Quando não aparecem na liderança, os candidatos e candidatas dizem cobras e lagartos das pesquisas de intenção de votos, contudo ninguém não abre mão delas. Tanto isso é verdade que os partidos encomendam consultas para consumo interno, visando avaliar a a situação de momento. Sem estes levantamentos, as campanhas seriam um tiro no escuro. Ora, já é difícil se eleger conhecendo o terreno disputado, de olhos fechados seria praticamente impossível. Portanto, não acredite quando os candidatos dizem não confiar nas pesquisas, pois é uma mentira deslavada: todos eles dormem e acordam pensando nelas. Marminino!

Arma contra a mentira

A população pode denunciar, de maneira rápida e direta, as mentiras e desinformação sobre o processo eleitoral através do SOS Voto, disque-denúncia que tem como número 1491. A ferramenta da Justiça Eleitoral objetiva promover maior transparência e agilidade no enfrentamento das mentiras durante as eleições municipais deste ano. A cidadã e o cidadão podem acessar o SOS Voto gratuitamente de qualquer cidade do país de segunda a sexta, das 8h às 20h, e no sábado, das 9h às 17h. Supimpa!

Sede própria

O presidente do Ibama em Sergipe, Cássio Costa, visitou o presidente da Assembleia, deputado estadual Jeferson Andrade (PSD), como parte de uma série de diálogos que o Instituto tem mantido com outras esferas de governo. Costa informou ao parlamentar que, após um período de apagão institucional, o Ibama está se reestruturando. Ele pediu o apoio de Jeferson para o Projeto de Lei a ser encaminhado pelo governo de Sergipe que visa doar ao Instituto um terreno do estado. “Com isso, após 35 anos de existência, o Ibama terá sua sede própria em Sergipe”, frisou Cássio. Ah, bom!

Confrontos mortais

Quase todos os dias suspeitos de praticarem crimes em Sergipe são mortos pela Polícia. A explicação para tantos óbitos é que os acusados reagiram à voz de prisão, atirando primeiro contra os policiais. Não se defende que os nossos agentes enfrentem criminosos frios e sanguinários com balas de hortelã, contudo alguém precisa investigar melhor estes anunciados enfrentamentos, até para colocar um fim às suspeitas de que há execuções. Refém da criminalidade, a sociedade sergipana exige uma resposta dura da Segurança Pública, porém não pode concordar com o olho por olho, dente por dente da lei de Talião. Home vôte!

Abaixo a corrupção

Entra ano e sai ano sem que se conheça punições mais severas aos corruptos, que insistem em roubar o patrimônio público. Diante da falta de punição mais severa para os bandidos de colarinho branco, a corrupção tem evoluindo como um câncer a se espalhar pelo tecido social do Brasil. Antes de pensar em votar num corrupto, lembre-se que ao permitir o desvio de recursos que poderiam ser aplicados em programas de geração de emprego e renda, a corrupção é geradora do estado de miséria. Danôsse!

Gás preocupa

O senador Laércio Oliveira (PP) defende a implantação de medidas efetivas para desconcentração de mercado. “É preciso promover retomada da indústria nacional a partir de uma redução do preço do gás natural por meio do aumento da sua oferta, desconcentração de mercado e maior controle dos custos das infraestruturas de escoamento, processamento e transporte”, ensina. O parlamentar propõe a criação de estímulos econômicos, permitindo que os agentes do setor possam aumentar a oferta através da redução da reinjeção do gás natural. Então, tá!

Quadro grave

É grave o estado de saúde da ex-senadora Maria do Carmo Alves (PP), 83 anos. Boletim médico divulgado pelo Hospital São Lucas, em Aracaju, revela que a viúva do ex-governador João Alves Filho foi diagnosticada com câncer de pâncreas com metástases hepáticas e se encontra na UTI. Embora grave, o quadro da ex-senadora é considerado estável. A família divulgou que dona Maria vinha realizando exames médicos quando piorou e precisou ser hospitalizada às pressas. Melhoras!

Ladeira abaixo

De um bebinho, numa bodega imunda da periferia de Aracaju: “A geração de empregos em Sergipe é igual a rabo de égua, só cresce pra baixo”. Cruz, credo!

INFONET

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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