quinta-feira, fevereiro 03, 2022

3 Crise na Ucrânia: por que EUA enviarão milhares de soldados para a Europa




O presidente Joe Biden planeja enviar nesta semana mais tropas americanas para a Europa em meio ao prosseguimento dos temores de uma invasão russa da Ucrânia, informou a Casa Branca.

Cerca de 2.000 soldados de Fort Bragg, Carolina do Norte, serão enviados para a Polônia e Alemanha. Outros 1.000 que já estão na Alemanha seguirão para a Romênia.

Seu destacamento se soma aos 8.500 soldados que o Pentágono colocou em alerta no mês passado para estarem prontos para serem enviados à Europa, se necessário.

Moscou nega que haja planos para uma ofensiva, mas mobilizou cerca de 100 mil soldados perto da fronteira com a Ucrânia.

O governo Vladimir Putin se opõe acirradamente à participação da Ucrânia na Otan, aliança militar formada em 1949 por 12 países, incluindo EUA, Canadá, Reino Unido e França.

A nova crise ocorre oito anos depois da anexação pela Rússia da península ucraniana da Crimeia e do apoio a uma rebelião separatista na região leste de Donbas, que deixou 14.000 pessoas mortas desde 2014.

A Rússia acusa o governo ucraniano de não implementar um acordo internacional para restaurar a paz no leste do país - onde os grupos apoiados pela Rússia controlam faixas de território.

O presidente Jair Bolsonaro deverá se encontrar com Putin na segunda semana de fevereiro, em uma visita que o brasileiro fará a Moscou.

Recentemente Biden alertou para uma "possibilidade" de que a Rússia invada a Ucrânia em fevereiro e, ao fazê-lo, "mude o mundo". O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, invocou os horrores da Chechênia e da Bósnia.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, disse que a Rússia ainda não reuniu forças suficientes para montar uma invasão em grande escala e que a diplomacia está ajudando a evitar a ameaça de um ataque russo.

O presidente russo, Vladimir Putin, deve falar com Boris Johnson, por telefone nesta quarta-feira (02/02). Mais cedo, em uma visita à Ucrânia, Johnson acusou a Rússia de colocar uma "arma na cabeça da Ucrânia".

Segundo Washington, as tropas dos EUA que estão sendo enviadas não lutarão na Ucrânia, mas garantirão a defesa dos aliados norte-americanos.

"É importante que enviemos uma forte mensagem a Putin e ao mundo que a Otan é importante para os Estados Unidos e para nossos aliados", disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby, a repórteres.

O jornal espanhol El País diz que EUA e a Otan enviaram à Rússia na semana passada uma oferta confidencial de negociações sobre redução de armamento nuclear e medidas de construção de confiança em troca da redução das tensões sobre a Ucrânia.

Um funcionário da Otan disse à BBC que a aliança nunca comenta sobre supostos vazamentos. O porta-voz do presidente Putin, Dmitry Peskov, disse que Moscou estava ciente da reportagem, mas não quis comentar, segundo a agência de notícias AFP.

Putin acusou os EUA de tentar atrair seu país para uma guerra na Ucrânia.

Ele disse que o objetivo dos EUA é usar um confronto como pretexto para impor mais sanções à Rússia.

"Parece que os Estados Unidos não estão tão preocupados com a segurança da Ucrânia... mas tem como principal tarefa conter o progresso da Rússia. Nesse sentido, a própria Ucrânia é apenas uma ferramenta para atingir esse objetivo."

A rivalidade entre a Rússia e os EUA, que ainda possuem os maiores arsenais nucleares do mundo, remonta à Guerra Fria (1947-1989). A Ucrânia era na época uma parte crucial da União Soviética comunista, a segunda república mais importante do bloco.

Putin disse que os EUA ignoraram as preocupações de Moscou sobre a resposta dada para demandas russas. O país quer um compromisso formal de que expansão da Otan não seguirá na direção da Rússia.

Ele sugeriu que a adesão da Ucrânia ao bloco militar poderia arrastar os outros membros para uma guerra com a Rússia.

"Imagine que a Ucrânia é membro da Otan e uma operação militar [para recuperar a Crimeia] começa", diz o líder russo. "Vamos lutar com a Otan? Alguém já pensou sobre isso? Parece que não."

BBC Brasil

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