segunda-feira, fevereiro 28, 2022

Alemanha investirá 100 bilhões de euros nas Forças Armadas

 




Anúncio foi feito pelo chanceler federal, Olaf Scholz, em discurso no Bundestag, diante das ameaças russas ao Ocidente. Governo alemão também destinará mais de 2% de seu PIB, anualmente, para a defesa.

O chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, anunciou neste domingo (27/02) um investimento de 100 bilhões de euros para modernizar as Forças Armadas Alemãs (Bundeswehr) e um repasse anual de mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa nacional.

Em um discurso no Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão), em uma sessão extraordinária para discutir a guerra na Ucrânia, Scholz enfatizou a necessidade de contar com uma Bundeswehr "eficiente, avançada e de ponta" para proteger o país, entre outras ameaças, da Rússia de Vladimir Putin.

"Melhores equipamentos, equipamentos modernos, mais pessoas, isso custa muito dinheiro", reconheceu, acrescentando, porém, que isso é algo possível para um país do tamanho e da importância da Alemanha na Europa. Para Scholz, o país deve investir mais em sua segurança para proteger a liberdade e a democracia.

Segundo o chanceler, diante desta "mudança de época" provocada pela agressão de Putin, "tudo o que for necessário para garantir a paz na Europa" será feito - e a Alemanha será solidária em sua contribuição. Para isso, no entanto, a Bundeswehr precisa de "novas e importantes capacidades", declarou Scholz.

Mudança de postura

A guerra na Ucrânia está levando o governo alemão a repensar sua política externa e de segurança.Scholz já havia revisado posições centrais no sábado. Depois de um logo período de negativas, a Alemanha finalmente concordou em enviar armamento letal à Ucrânia - incluindo 1.000 armas antitanque e 500 mísseis terra-ar do estoque da Bundeswehr. "Não poderia haver outra resposta à agressão de Putin", enfatizou o chanceler federal.

Além disso, Berlim permitiu neste sábado que a Holanda enviasse à Ucrânia 400 bazucas e que a Estônia fornecesse a Kiev peças de artilharia do estoque da antiga Alemanha Oriental, que por acordos contratuais, exigiam a aprovação da Alemanha antes de serem repassadas.

As medidas revertem um princípio de longa data adotado pela Alemanha. Durante anos, Berlim se recusou a exportar armas para zonas de guerra ou permitir que países terceiros enviassem armas fabricadas na Alemanha para áreas de conflito. A política está enraizada na história da Alemanha como agressora durante a Segunda Guerra Mundial. 

Ao anunciar a reversão da política no sábado, Scholz disse que a "invasão russa da Ucrânia marca um ponto de virada".  

Scholz afirmou que o presidente russo quer "criar uma nova ordem na Europa e não tem escrúpulos em usar capacidades militares para alcançá-la". 

"Nunca nos resignaremos à violência como meio de política. Não descansaremos até que a paz seja assegurada na Europa", escreveu no Twitter. 

Há tempos, a Alemanha vinha sendo criticada por sua postura de não permitir o envio de armas. Outros países da OTAN, incluindo o Reino Unido e os EUA, já haviam fornecido armas à Ucrânia nas últimas semanas.

UE enviará armas à Ucrânia

Também neste domingo, a União Europeia (UE), com o apoio da Alemanha, concordou em conceder 450 milhões de euros para financiar o fornecimento de equipamento militar letal à Ucrânia, e outros 50 milhões de euros para equipamento não letal, como combustível e equipamento de proteção. O anúncio foi feito pelo alto representante de Política Externa da UE, Josep Borrell, em entrevista coletiva.

Borrell explicou que esse montante será coberto pelo Fundo Europeu para a Paz e pelo fundo intergovernamental, que conta com 5 bilhões de euros para usar entre 2021 e 2027 e é financiado pelos Estados-membros, não pelo orçamento da UE.

O chefe da diplomacia europeia salientou que esta é "a primeira vez na história" que a UE vai financiar conjuntamente este tipo de equipamento, para o que "todos concordaram ou, pelo menos, não obstruíram esta decisão".

Borrell também disse que a Polônia, país que faz fronteira com a Ucrânia, se ofereceu como centro logístico para montar o equipamento antes de sua entrega aos ucranianos, e acrescentou que, nesta segunda-feira, os ministros de Defesa do bloco se reunirão para discutir os detalhes.

Quando questionado se a ativação das equipes de contenção nuclear da Rússia diante das sanções que o Ocidente lhe impõe atrapalha os planos dos europeus, Borrell respondeu que "todos estão cientes dessa ameaça, mas isso não nos impede de fazer o que tem de ser feito".

"A UE é um projeto de paz e queremos continuar a lutar pela paz na Europa", completou. 

Deutsche Welle

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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