domingo, fevereiro 27, 2022

Alemanha muda postura e enviará armamento pesado à Ucrânia




Soldado alemão segura uma bazuca em treinamento militar

Chanceler federal, Olaf Scholz, anunciou fornecimento a Kiev de 1.000 armas antitanques e 500 mísseis terra-ar. Até agora, Berlim vinha resistindo em mandar armas letais à Ucrânia, sob fortes críticas de outros países.

Em uma mudança brusca de postura, a Alemanha anunciou neste sábado (26/02) o fornecimento de armas pesadas ao exército ucraniano. O anúncio foi feito pelo chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, pelo Twitter. Segundo ele, a Alemanha enviará à Ucrânia 1.000 armas capazes de destruir veículos de combate, conhecidas popularmente como antitanques, e 500 mísseis terra-ar Stinger, do estoque das Forças Armadas Alemãs (Bundeswehr).

"O ataque russo à Ucrânia marca um ponto de virada. Ameaça toda a nossa ordem pós-guerra", justificou Scholz. "Nesta situação, é nosso dever fazer o nosso melhor para apoiar a Ucrânia na defesa contra o exército invasor de Vladimir Putin. A Alemanha está perto da Ucrânia", completou Scholz.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, saudou a decisão alemã. "Continue assim, chanceler Olaf Scholz", escreveu no Twitter.

Mais cedo, Berlim havia permitido que a Holanda enviasse à Ucrânia 400 bazucas e que a Estônia fornecesse a Kiev peças de artilharia do estoque da antiga Alemanha Oriental, que por acordos contratuais, exigiam a aprovação da Alemanha antes de serem repassadas.

Além disso, a Alemanha quer entregar 14 veículos blindados e até 10.000 toneladas de combustível à Ucrânia.

A oposição também apoiou a decisão de Scholz. "Agora que vemos claramente que a diplomacia chegou ao fim, temos que estar dispostos a apoiar aqueles que obviamente estão sendo ameaçados massivamente por essa agressão", disse o líder da CSU no Parlamento alemão, Alexander Dobrindt.

Resistência em fornecer armas

Até agora, a Alemanha vinha se mantendo irredutível em não permitir que armas letais da Alemanha ou de fabricação alemã fossem enviadas à Ucrânia, uma política de longa data aplicada também a outros países. No entanto, em meio a críticas de várias nações, inclusive da própria Ucrânia, e à pressão de aliados da União Europeia e da Otan, mudou a postura. 

Países do bloco europeu já haviam externado a intenção de enviar armas à Ucrânia, mas não podiam fazê-lo sem a autorização da Alemanha.

Neste sábado, o primeiro-ministro da Polônia, Mateusz Morawiecki, criticou a Alemanha, afirmando a Ucrânia precisa de "ajuda real" para seus soldados e classificou como "brincadeira" o envio da Alemanha de 5.000 capacetes à Ucrânia.

Outros países da OTAN, incluindo o Reino Unido e os EUA, já haviam fornecido armas à Ucrânia nas últimas semanas.

A autorização deste sábado pode significar um rápido aumento na assistência militar europeia para a Ucrânia, já que grande parte das armas e munições do continente são fabricadas na Alemanha, dando a Berlim o controle legal sobre sua transferência. 

Isso, porém, não significa necessariamente que todos os pedidos de envio de armas passarão a ser aprovados por Berlim.

Horas antes do anúncio de Scholz, o embaixador ucraniano na Alemanha, Andrij Melnyk, havia manifestado esperança de que o governo alemão desse sinal verde para o fornecimento de armas defensivas à Ucrânia.

Melnyk especificou que os dois principais tipos de armas defensivas que a Ucrânia precisa são mísseis de defesa antiaérea e mísseis antitanque, "para interromper a ofensiva terrestre e proteger o espaço aéreo".

Restrição "direcionada" da Rússia ao Swift

Também neste sábado, em outra mudança de postura, a Alemanha expressou sua disposição para apoiar uma restrição "seletiva e funcional" do acesso da Rússia ao sistema bancário Swift.

O Ministério das Relações Exteriores alemão informou que está trabalhando em maneiras de limitar os "danos colaterais" de uma desconexão russa do sistema "para que isso afete aqueles que deve afetar".

"O que precisamos é de uma restrição seletiva e funcional do Swift", acrescentou o ministério.

A Alemanha vinha resistindo à desconexão da Rússia do Swift por conta do enorme impacto que essa medida teria também no mercado alemão.

Não seria possível, por exemplo, pagar pelo gás russo e, portanto, também não seria possível comprá-lo, argumentou o ministro das Finanças alemão, Christian Lindner.

Já a ministra das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, expressou preocupação com o fato de que excluir a Rússia do sistema Swift também significaria que ela não poderia financiar projetos humanitários ou que cidadãos residentes na Europa pudessem enviar dinheiro para suas famílias.

Zelenski já havia clamado, em particular, à Alemanha e à Hungria para apoiar a exclusão da Rússia do sistema bancário Swift. 

Durante uma visita à fronteira com a Ucrânia, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, garantiu que seu governo apoiaria todas as sanções impostas pela União Europeia contra a Rússia. "Este é o momento de estarmos unidos, é uma guerra." 

Em uma ligação telefônica para Zelenski , o primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, também prometeu seu total apoio às sanções da UE, "incluindo as sanções relacionadas a Swift". 

Deutsche Welle

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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