sexta-feira, dezembro 26, 2008

Natal tenso nas rodovias do país

JB Online
BRASÍLIA - Nem mesmo a Lei Seca, em vigor desde junho, foi suficiente para acabar com o fim de ano marcado por acidentes e mortes nas rodovias federais. Balanços preliminares da situação nas estradas brasileiras divulgados pela Polícia Rodoviária Federal revelam que a combinação explosiva entre a imprudência e irresponsabilidade de muitos motoristas e a péssima condição de muitas rodovias do país, principalmente aquelas mais afetadas pelas intensas chuvas que atingiram algumas regiões nos últimos dias, continua a fazer estragos.
Um dos estados que registrou números elevados de acidentes na vias federais foi Minas Gerais. Além dos fatores tradicionais que causam os acidentes, as estradas da região, divulgou a PRF, foram castigadas pelas fortes chuvas, deixando trechos inteiros danificados e muitas pistas com acúmulo excessivo de água.
Balanço do órgão revelou que desde o dia 20 deste mês até a quarta-feira 34 pessoas já morreram na malha rodoviária federal que corta o estado. O número significa um aumento na média diária de mortes de 30,7%, se comparado com o mesmo período do ano passado.
São 6,8 mortes por dia nas rodovias mineiras. O estado concentra o equivalente a um quarto dos quilômetros de estradas do país. Só na quarta-feira foram 11 fatalidades. Num dos mais graves acidentes, dois adultos e uma criança de dez anos morreram, ontem, após a colisão entre o veículo em que estavam e uma carreta.
Outros estados
No Rio de Janeiro, o tempo chuvoso também contribuiu para o número de colisões, apesar da ausência de grandes engarrafamentos. A PRF não divulgou o balanço de acidentes, mas informou que espera um fim de ano um pouco mais tranqüilo do que em 2007, quando foram registrados 205 colisões, 74 feridos e quatro mortos. No Paraná, já foram contabilizados nos últimos dias 145 acidentes, com 124 feridos e seis mortos. Só em Cascavel, uma ultrapassagem indevida resultou na morte de três pessoas.
No Distrito Federal, até o momento ainda não foram registradas mortes decorrentes de acidentes. Em 2007, foram cinco. A PRF não informou o número de colisões. No Rio Grande do Sul, desde o dia 23 já foram registradas dez mortes em acidentes nas estradas federais do estado.
Em São Paulo, estima-se que até o fim do ano cerca de dois milhões de automóveis deixem a capital em direção ao litoral ou outras regiões do país. E foi no estado que um dos piores acidentes dos últimos dias ocorreu. A colisão aconteceu na rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, na madrugada. Um caminhão tombou na altura do quilômetro 72 da rodovia, sentido Rio de Janeiro, entre Caraguatatuba e São José dos Campos, e deu início a uma série de batidas.
Segundo informações da PRF, após o capotamento o veículo parou no meio da pista. Outros dois carros que vinham logo atrás da carreta não conseguiram desviar e acabaram colidindo no caminhão tombado. Outros três veículos bateram entre si ao tentar desviar do acidente. Em seguida, mais dois automóveis se envolveram no acidente pelo mesmo motivo. Por fim, uma ambulância acertou a traseira de um microônibus que havia conseguido parar a tempo de evitar a colisão.
A paciente que era transportada na ambulância, Claudiana da Silva Souza, de 25 anos de idade, chegou a receber cuidados médicos, mas morreu no local. Ela era transportada para um hospital por que havia sofrido um infarto. O motorista da ambulância e um auxiliar ficaram feridos e foram levados para um pronto-socorro próximo.
De acordo com a PRF, tudo ocorreu entre as 5h15m e 5h20m e chovia fortemente. O tráfego na rodovia ficou congestionado por horas.

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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