sábado, dezembro 27, 2008

Carla Bruni toma banho de mar com filho

Vítor Rocha, do A TARDE
Especial Itacaré - A primeira-dama da França e ex-modelo, Carla Bruni, aproveitou o bom tempo que faz no sul da Bahia na sexta-feira, 26, para se banhar nas águas mornas da Praia de Itacarezinho, em frente ao resort onde está hospedada, no município de Itacaré, a 436 km de Salvador. Acompanhada do filho Aurélien, ela caiu no mar, por volta das 16h45, trajando um maiô branco e chamando a atenção dos turistas e hóspedes do Resort Txai. Depois de sair do resort, ela tirou um chapéu e a saída de praia que usava, deixou na areia e foi para o mar, onde brincou com o filho. Ela passou toda a manhã e a maior parte da tarde na área interna do resort e não contou com a companhia do presidente francês, Nicolas Sarkozy, no banho de mar. Ele, que vinha fazendo cooper nos finais de tarde, não apareceu na praia. Foi a primeira vez que Carla Bruni foi vista com traje de banho no local, mas não foi flagrada por fotógrafos. Na verdade, o casal presidencial da França tenta se esconder de qualquer maneira da imprensa, que está sendo monitorada por policiais militares que trabalham como seguranças do hotel e impedem que os fotógrafos transitem pela praia em frente ao hotel. Assim, evitam que os fotógrafos cheguem perto do presidente. O acesso dos banhistas, no entanto, é permitido normalmente. A brincadeira de gato e rato entre o casal Sarkozy e a imprensa teve outro capítulo ontem. A presença de equipes de emissoras de TV locais afugentou a dupla, que faria visita ao Bar Vesúvio, na orla de Ilhéus. O bar ficou eternizado pelo livro Gabriela Cravo e Canela, de Jorge Amado. No romance, o árabe Nacib era o proprietário do estabelecimento que servia de ponto de encontro dos figurões ilheenses ávidos por ver de perto a charmosa Gabriela, amante do dono do bar. A presença ilustre foi aguardada com ansiedade por Guido Paternostro, o Nacib da vida real e proprietário desde 2000 do bar que é um dos principais pontos turísticos de Ilhéus. Ao lado do prefeito Newton Lima, Paternostro até que se animou quando viu um helicóptero sobrevoar a área por volta das 11h, mas foi avisado por um tenente da Polícia Militar de que a visita havia sido cancelada. O motivo alegado pelos franceses, segundo o tenente, era que o casal estava evitando a imprensa, facilmente vista de longe por conta de veículos equipados com antenas para realizar transmissões ao vivo. Críticas – Sarkozy tem sido duramente criticado pela oposição e pela população francesas por deixar o país no período de início de recessão. O primeiro-ministro François Fillon goza férias no Cairo, Egito, e quem assume o comando político é a ministra do interior, Michele Alliot-Marie. Anteontem, uma mulher, namorada de um francês, escreveu com letras garrafais na areia da praia, próximo ao resort onde o presidente está hospedado, a frase “Sarko, go home”, dando um tchau ao presidente francês. Na última terça-feira, o delegado da Polícia Federal em Ilhéus, Fábio Marques, disse que Sarkozy ligou para o presidente Lula para reclamar da presença da imprensa, pois a chancelaria brasileira teria lhe prometido total privacidade ao visitante. A presença de Sarkozy e a esposa no resort tem passado despercebida no centro de Itacaré, cidade repleta de turistas em busca de boa praia. A rotina do local continua inalterada, mas fontes da PM afirmam que o presidente e sua esposa pretendem visitar a cidade.
Fonte: A Tarde

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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