sábado, dezembro 27, 2008

O gestor deve estar atento às ações do seu governo

Antonio Pimentel é agrônomo e mestre em Ciências Agrárias pela Escola de Agronomia da UFRB-BA, ex-diretor Tesoureiro da UPB e atualmente assessor da presidência para assuntos de interesse dos municípios no Congresso Nacional, pós-graduado no curso de Auditoria Governamental para as Organizações Públicas, é prefeito do município de Governador Mangabeira há 8 anos. A Tribuna da Bahia conversou com o prefeito sobre responsabilidade fiscal, eficiência de gestão, transição de governo entre outros assuntos. Pimentel foi eleito um dos melhores gestores municipais do Brasil.
ENTREVISTA
Tribuna da Bahia – Ao tomar posse em 2001, faziam 07 meses da sanção da LRF – Lei de Responsabilidade Fiscal, na sua visão o que a LRF mudou na gestão da prefeitura? Antonio Pimentel– Aproveitei a situação e mudei completamente o modo de gerir, aplicando os princípios contidos na lei, como: gastar somente o que se arrecada, cumprir os limites estabelecidos e ainda cumprir os mandamentos constitucionais de cobrar os impostos de competência municipal e somente promover políticas públicas através de programas. Para se ter uma idéia, o município tinha muitas contas rejeitadas pelo TCM – Tribunal de Contas dos Municípios, hoje são sete contas apreciadas e aprovadas, inclusive em 2003 sem nenhuma ressalva, enfim utilizei os rigores da recente LRF para modernizar o modo de administrar o município e se relacionar com as instituições. TB – Apesar de ter uma gestão eficiente nestes oito anos e reconhecida em toda Bahia, o senhor não conseguiu fazer sucessor, como pode explicar esta situação? AP – Posso explicar através de vários exemplos da história, pois o Presidente Juscelino Kubitschek e Fernando Henrique Cardoso, que tiveram governos marcantes, também não conseguiram e aqui em Governador Mangabeira, que mudou da inadimplência generalizada no pagamento de servidores e fornecedores ao cumprimento das obrigações nos prazos estabelecidos, da falta de crédito com todas as instituições a credibilidade crescente, da estagnação do comércio a um crescimento sustentado, do atraso tecnológico à informatização completa das unidades de prestação de serviços públicos municipais, de escolas rudimentares a unidades escolares modernas, de atendimento de saúde quase inexistente a unidades de saúde equipadas e com serviços humanizados, mesmo assim o nosso candidato perdeu a eleição, faz parte da democracia. Outro fator relevante, é que as discussões nas eleições, infelizmente no nosso país estão distanciadas da gestão, hoje ainda é mais uma luta de poder, muitos chegando a mandatos eletivos em várias eleições e poucos gerindo bem nas três esferas de governo, o que é uma pena, talvez ainda devido à correlação entre a grande demanda por serviços públicos e recursos escassos, explique também, além do mais, governos acima de oito anos em situações como a do PT, na prefeitura de Porto Alegre - RS, do DEM no governo da Bahia e do PSDB no governo do estado de São Paulo serão cada vez mais raros doravante, até mesmo porque o povo parece está experimentando a alternância de poder, tão propalada na democracia, vamos esperar a performance do candidato do Presidente Lula em 2010, para termos uma visão melhor do comportamento do eleitor. TB – Como o senhor procedeu para alcançar uma gestão pública eficiente? AP – Hoje, cada vez mais, a fiscalização dos órgãos de controle externo, TCM, que audita mensalmente e anualmente os atos administrativos, o TCE – Tribunal de Contas do Estado, que julga as prestações de contas dos convênios repassados pelo Governo Estadual, o TCU – Tribunal de Contas da União, que julga as prestações de contas dos convênios com o Governo Federal, além da CGU – Controladoria Geral da União, mediante sorteio, tem sido intensa, aliada as Câmaras de Vereadores, Conselhos Municipais e Ministério Público Estadual, quando solicita dos gestores. Tudo isto leva muitos agentes políticos às barras dos tribunais, inclusive com imputação de multas e ressarcimentos de valores, como também de perda do mandato eletivo, impedimento de disputa de eleições futuras, entre outras sanções, portanto foi importante fazer um trabalho preventivo para melhor atender as demandas da comunidade com uma gestão eficiente e organizada, investimos em modernização, bons quadros técnicos e implantou a CGM – Controladoria Geral do município, que tratou de alertar e cobrar de todos o cumprimento fiel das legislações, além de criar Relatórios de Acompanhamento e Controle das ações, como também programas municipais inovadores para resolver os problemas e aproveitar oportunidades. TB – Qual o maior saldo de todas estas mudanças? AP – O saldo maior de todas essas mudanças, a meu ver, é a transparência, que permite a qualquer cidadão acompanhar com riqueza de detalhes pelo site da prefeitura clicando ” tesouraria” as receitas e “execução financeira” as despesas. Não só o equilíbrio financeiro da prefeitura, mas das instituições públicas e privadas da cidade. Um equilíbrio financeiro que permite encarar sem susto a alternância no poder e transmitir o governo municipal de forma republicana, contribuindo para a ampliação do debate público e multiplicando as possibilidades de participação organizada da sociedade nas ações e decisões do governo. TB – O senhor foi o primeiro prefeito reeleito do município, qual a avaliação, que faz do sistema e o que acha da proposta de sua extinção, para inserir na constituição o mandato único que tramita no Congresso Nacional? AP – A emenda da reeleição faz apenas dez anos, e não há dados científicos confiáveis que a condene, esta discussão neste momento está fora de propósitos, não creio que a reeleição e a duração do mandato não seja a raiz do problema da má qualidade da gestão pública no Brasil, acredito muito mais, que o nosso problema de insucessos nas políticas públicas, está na questão da fragilidade dos partidos políticos, com coligações diferentes em cada Município, Estado e União Federal, práticas que desfiguram os verdadeiros programas dos partidos, que ao invés de funcionarem como oficina de idéias eficazes para a solução das demandas da população, servem para enfrentar eleições de dois em dois anos, de acordo com os interesses do momento, que invariavelmente se desfaz logo após o início da gestão, reorganizando-se tudo novamente para a eleição futura, onde os problemas da gestão pública mas uma vez serão superficialmente discutidos. TB – Por fim, quais os principais conselhos que daria para os novos gestores? AP – Escolher uma equipe de profissionais capacitados, inclusive de consultores é muito importante. Imagine um Secretário Municipal de Desenvolvimento Urbano, sem ter conhecimento de Engenharia Civil ou Arquitetura, improvisar pode custar caro ao ordenador de despesas, as páginas dos jornais todos os dias provam isto; o segundo, é centralizar tudo, todas as demandas devem ser encaminhadas mediante ofício no protocolo da entidade, de forma que o gestor, possa ler, nem que saiba de forma breve e tomar conhecimento das ações, pois no fundo o único responsável perante os órgãos de controle é o gestor, portanto, todo cuidado é pouco, pois fazer despesas está na alma do ser humano, portanto, para haver equilíbrio financeiro e evitar erros, somente quem conhece as receitas, deve autorizar despesas e quem tem autoridade para tal é o gestor; o terceiro, é montar a Controladoria Geral do Município, pois a prevenção de erros e acompanhamento das ações antes da consolidação dos atos administrativos é importante e tem melhorado bastante os relatórios de auditoria dos tribunais de controle externo.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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