segunda-feira, dezembro 22, 2008

Crime ecológico mata peixes em Buraquinho

Por Roberta Cerqueira
Mais um crime ecológico se abateu sobre o litoral baiano neste final de semana, provocando a morte de milhares de peixes e trazendo riscos à saúde da população. A tragédia desta vez aconteceu na Praia de Buraquinho, no município de Lauro de Freitas, que amanheceu sobre intenso odor, característico de esgoto, assuntando moradores e freqüentadores da região, e com milhares de peixes, carangueijos, siris e outros crustáceos mortos. Sem nenhuma orientação, pescadores estavam retirando os peixes para o consumo e comercialização, colocando suas vidas e de centenas de pessoas em risco. O primeiro dia de verão para os que escolheram Buraquinho para passar o final de semana não foi dos melhores. A localidade recebeu inúmeros ônibus, lotados de turistas, no início da manhã de ontem, mas muitos não se arriscaram a adentrar as águas da praia e do rio, com medo da poluição. “Está um cheiro muito ruim, prefiro tomar banho de chuveiro”, dizia a estudante Larissa Andrade, 27 anos, freqüentadora assídua da região. De acordo com moradores, o cheiro característico de esgoto começou a exalar no final da tarde de sábado. “Desconfiamos que tenha havido o rompimento de alguma encanação de esgoto, que agora está desembocando no rio e trazendo a poluição também para a praia”, diz a professora Regina Vilas Boas, 38. Outros moradores garantem que a poluição foi provocada pela abertura de uma represa desativada, que fica na localidade de Areia Branca, há alguns quilômetros dali. Como a maré estava baixa, a água suja teria invadido o Rio Joanes e provocado a mortandade das espécies. Quem insistiu em entrar na água já apresentava alguns sintomas. “Estou com o corpo todo coçando, desde que tomei banho no rio”, relata a dona-de-casa Rosa Maria dos Santos, 45, moradora da localidade enquanto mostrava algumas placas avermelhadas na perna. Logo mais a frente, homens com sacos cheios de peixes relatavam as outras conseqüenciais do forte odor. “Tem mais de três mil peixes mortos por aí e outros milhares tentando sobreviver”, diz o pescador Juvenal dos Santos, 39, que identificou mais de cinco espécies. “Vi tainhas, curimã, carapeba, robalo, baiacu além de camarão e siri, todos mortos, é muito triste, principalmente para nós que vivemos de vender esses animais”, enfatizou. Os menos conscientes afirmaram que consumiria os peixes infectados. “Não tem problema não, eu os pesquei ainda vivos, não faz mal não”, garante Euvaldo Carvalho Silva, 46, enquanto tratava o fruto de sua pesca matinal.
Veranistas e visitantes assustados
Familiares e amigos do empresário Fernando Novis, que costuma veranear em uma área próxima a foz do Rio Joanes, há mais de 30 anos, ficaram assustados com o fenômeno, nunca antes visto por lá. “Não estamos deixando as crianças se aproximarem da água, afinal não sabemos o que está provocando isso”, dizia. Na entrada de Lauro de Freitas, o Rio Ipitanga, também conhecido como Rio Beira Mar, apresentava o mesmo odor, além de lixo espalhado por toda extensão. Já no Terminal Turístico Mãe Mirinha de Portão, que também é cortado pelo mesmo referido rio, comerciantes e freqüentadores nada sabiam a respeito do fenômeno. “Pela manhã os pescadores entraram na água e não viram nada de anormal”, conta a garçonete Amanda dos Santos Moreira, 30. Até o fechamento desta edição nenhuma autoridade havia se manifestado a respeito do problema, que também não tem sua origem esclarecida. “Esperamos que os culpados sejam punidos e as autoridades tomem alguma atitude para conter este desastre ecológico, já morreram peixes, não queremos ter outras conseqüências”
Vestibular da Uneb é adiado para janeiro após denúncias
Os 54.469 inscritos para os 133 cursos de graduação da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) devem prestar vestibular em janeiro de 2009, juntamente com os candidatos que disputam vagas para o concurso de Formação de Oficiais da Polícia Militar -BA, segundo a assessoria de imprensa da instituição. O motivo para o processo seletivo ter sido suspenso foi uma denúncia anônima via fax de que as questões da prova teriam vazado, conforme divulgação do site www.uneb.br na sexta-feira passada, dia 19. A empresa contratada para elaborar o exame, a Consultec, vai investigar o caso. Na mesma data, a Uneb publicou ainda a ocorrência de fraude virtual para extorquir dinheiro sob promessa de contratar coordenadores de vestibular e concursos na Bahia e em São Paulo. Preocupada com a idoneidade dos processos seletivos, a diretora do Departamento de Ciências Exatas e da Terra (DCET) do Campus II da UNEB, a professora Maira Portofé de Mello informa no site da universidade a utilização improcedente de e-mails não reconhecidos em nome da instituição. Na home page é relatada ainda, que a fraude indica uma conta bancária para depositar valores aos interessados em efetivar o cadastro referente às vagas inexistentes. Alguns inscritos tentam ver o lado positivo. “A não realização das provas diante a possibilidade de vazamento das questões comprova a seriedade e lisura da instituição bem como da empresa que prepara a prova. Mais do que nunca fico tranqüila, pois percebo o comprometimento da Uneb para com os futuros alunos e todos os inscritos porque não haverão dúvidas devido à postura assumida”, disse o estudante Márcio Dantas de Oliveira. Também tenta tirar o bom das supostas irregularidades, a aluna que concorre a uma das 8.215 vagas para o próximo semestre, Carla de Souza Almeida. “Terei mais alguns dias para estudar os resumos, além do fato de saber que quem teve acesso as questões terão que estudar como eu e competir de igual para igual se quiser ser aprovada e ter o canudo nas mãos”. Porém nem todos pensam da mesma forma. É os caso do estudante Rafael da Silva Gomes. “Esse é o meu terceiro vestibular e toda vez fico ansioso, nervoso. A prova estava marcada para 21 e 22 deste mês. Agora, por causa da fraude vou passar o natal na ânsia de fazer a prova. A preocupação de ter algo a fazer não me permite relaxar, curtir a festa com a família, essas coisas. Não vejo como um tempo para estudar, afinal a preparação para o vestibular acontece durante o ano inteiro”.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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