sábado, setembro 27, 2008

ELEIÇÕES EM JEREMOABO.


Para as eleições municipais de 05 de outubro em Jeremoabo, temos, de um lado, um candidato efetivo, DERI, candidato do Presidente Lula e do Governador Jaques Wagner, com registro de candidato a Prefeito deferido pelo Juízo Eleitoral e, de outro lado, um pré-candidato, Tista, do DEM, do principal partido de oposição ao Governo Lula, apoiado pelo ex-governador Paulo Souto e ACM Neto, que teve seu pedido de registro indeferido pelo Juiz Eleitoral, decisão mantida por julgamento do TRE-BA.
O ex-prefeito Tista poderá ser chamado de pré-candidato e jamais, de candidato, porque assim somente poderá ser considerado, se o seu Recurso Especial for acolhido pelo TSE, em Brasília.
É importante saber os próximos passos.
Na sexta-feira, 26.09, terminou o prazo para a Coligação Jeremoabo de Todos Nós oferecer suas contra-razões ao Recurso Especial interposto por Tista, contra o acórdão do TRE que manteve indeferido o seu pedido de registro de candidato. No particular, ele está a exercer um legítimo direito constitucional, o de recorrer, garantia do art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal, e o fez com acerto, por haver se cercado de advogados de primeira linha.
Depois de recebidos os autos do Recurso Especial, o TSE, em Brasília, irá autuá-lo e distribuí-lo a um dos seus Ministros, que poderá julgá-lo por decisão monocrática ou remetê-lo a apreciação plenária. Provido o recurso, automaticamente, ele passará a ser candidato. Se negado, continua como se encontra, com nada.
Se o julgamento lhe for desfavorável, ele poderá entrar com recurso interno, concorrendo às urnas sem situação definida.
Se o julgamento lhe for favorável, a vez de entrar com recurso interno ficará por conta da Coligação. Nesse caso, ele concorrerá em igualdade de condições, permanecendo “sub judice”, porém, porque em outra decisão, o TSE poderá modificar o primeiro julgado, antes ou depois das eleições.
Na próxima semana, além das sessões ordinárias, o TSE já convocou sessões extraordinárias, porque a Corte está abarrotada de recursos.
Se o recurso for julgado desfavorável a Tista, o que ele poderá fazer? Vamos para a letra da lei. Todos os recursos no TSE deverão está julgado no TSE até o dia 25.09, já ultrapassado, cabendo julgamento até o dia 02, no máximo.
O candidato que for considerado inelegível, renunciar ou falecer após o término do registro, ou, ainda, tiver seu registro cassado, indeferido ou cancelado, é facultado ao partido ou coligação substituí-lo, art. 13 da Lei n°. 9.504/97. A substituição poderá acontecer até as 08:00 do dia 04.10, o que vale dizer, deverá ser protocolado no dia anterior, 03.10, RES – TSE - 22.579/2007.
Nesse caso, como as urnas eletrônicas já foram lavradas pelo Dr. Roque na última 5ª feira, mesmo com a substituição, a foto, o número do partido e o nome dele continuará na urna. O eleitor desavisado, clicando no nome dele, em verdade, estará votando em pessoa diversa e que talvez sequer a conheça, ocorrendo assim, verdadeiro estelionato eleitoral, embora permitido por lei.
Outra hipótese. O recurso de Tista não esteja julgado até a data das eleições, 05.10, ou esteja julgado, ele perdeu, e resolveu entrar com recurso interno no TSE, ou o recurso dele foi provido e a Coligação entra com recurso interno, o que acontecerá?
Deri é eleito em 05.10, o mais provável. Acaba tudo. Tista ganha, o improvável, e o recurso dele é improvido ou em sede de recurso interno da coligação, ele vem a ser declarado inelegível, o que acontece?
Se ele obtiver a maioria dos votos, serão havidos como inexistentes, diplomando-se DERI. Se o diploma de Tista já haver sido expedido, será declarado nulo, diplomando-se DERI. Se tista já estiver diplomado e empossado, ambos os atos serão considerados nulos, diplomando-se e empossando-se DERI. A candidatura de Deri é como o rio, somente corre para o mar (o rio Vaza-Barris deságua no Atlântico, sabe onde? Sergipe. Deri é de onde? Sergipe).
Alguns fantasiosos pensam que se Tista ganhar nas urnas e perder no TSE, haverá outras eleições. Errado. Deri perdendo, o que hoje é quase impossível, ficará como segundo colocado e será declarado eleito. Para alguns, como Deri não teria a maioria dos votos, metade mais um, o caminho seria de novas eleições. Errado. A Lei Eleitoral, n°. 9.504/97, no art. 3°, diz que será considerado eleito o candidato a prefeito que obtiver a maioria dos votos, não computados os em branco e os nulos.
Vamos traduzir. O improvável, em razão do andor da carruagem. Em Jeremoabo são 21.700 eleitores (salvo engano, agora não estou conseguindo o site do TSE na quantificação do eleitorado). Entre votos em branco, e abstenções, o percentual é de 20% (4.340). Diminua-se: 21.700 - 4.340 = 17.360 votos contados. Tista tem 9.000 e perde no TSE. os seus votos serão considerados nulos ou inexistentes, então sobrarão 8.360 votos dados a Deri, que é declarado é eleito, porque os votos válidos serão apenas considerados os dados a DERI. Os 9.000 votos de Tista nenhuma valia teria para o resultado das eleições majoritárias.
Bom, quanto ao que o candidato do partido do DEM, de oposição ao Presidente Lula e ao Governador Jaques Vagner, disse na entrevista de ontem, estou ouvindo para saber se haverá necessidade de resposta.
Paulo Afonso, 27 de novembro de 2008.
Fernando Montalvão.
montalvao.adv@hotmail.com

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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