sexta-feira, setembro 26, 2008

Candidatos buscam votos nas igrejas

Tribuna da Bahia Notícias-----------------------
O apoio das igrejas aos prefeituráveis de Salvador, até mesmo da Católica que sempre preferiu manter uma postura neutra no processo eleitoral, tem dado um novo tom à sucessão municipal local. Com isso, na busca incessante pela vitória, cada candidato tem procurado ao máximo atrelar a sua religião ou de seus vices, aos milhares de eleitores de cada uma delas e o que isso possa representar no dia do pleito. Se por um lado, dois dos mais expressivos postulantes à vaga são evangélicos declarados e, por tabela, ainda um vice - leia-se João Henrique (PMDB), Walter Pinheiro (PT) e o bispo Márcio Marinho (PR), respectivamente, os outros dois, o democrata ACM Neto e o tucano Antonio Imbassahy, são católicos. Apenas Hilton Coelho (PSOL) preferiu preservar, pelo menos até agora, o seu lado religioso. O prefeito João Henrique, por exemplo, que luta pela reeleição (PMDB) e nunca escondeu o seu lado evangélico, tem focado muitos de seus compromissos de campanha para os cristãos da Assembléia de Deus - igreja da qual faz parte - , e demais evangélicos. Como reforço conta ainda com quatro ou cinco pastores como seus assessores diretos. Assim como João Henrique, Walter Pinheiro também não esconde a sua vocação pela igreja evangélica, tem se reunido com freqüência com fiéis e lideranças da Igreja Batista. ACM Neto, por sua vez, que já conta com o seu vice, o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), Márcio Marinho, pedindo voto abertamente em seu favor - rumores dão conta de que ele, inclusive tem utilizado os cultos neste sentido a ponto de irritar alguns dos “irmãos” - , se diz católico. Vale ressaltar que ao lado do ex-governador Paulo Souto, Neto abriu sua campanha com uma visita à Colina Sagrada, onde fica o templo do Senhor do Bonfim, santo milagroso dos baianos, mas o bispo Marinho não compareceu ao ato de fé católica. O resultado esperado, seria nada menos, que a possibilidade de milhares de “fiéis” se renderem ao lado cristão dos dois maiores representantes da chapa do DEM. No dia 3 de julho, por exemplo, no bairro de Brotas, o candidato do Democratas, foi agraciado pela força dos jovens da Iurd. Na ocasião, cerca de dois mil jovens da Igreja Universal participaram do lançamento da candidatura à reeleição da vereadora Eron Vasconcelos (DEM), que é seguidora da igreja, e declararam apoio irrestrito à candidatura de ACM Neto. O bispo também esteve presente e chegou a afirmar, que ao contrário do atual prefeito, ACM Neto não terá preconceitos com nenhuma religião, e que apoiará todos os credos. O mais curioso, no entanto, trata-se do fato de um grupo da igreja católica ter entrado de cabeça na campanha do tucano Antonio Imbassahy, com direito à distribuição de carta e tudo mais, onde eles reiteram que “desde julho, quando convidamos todos vocês a estarem conosco ajudando na eleição de Antonio Imbassahy para prefeito de Salvador, tínhamos a segurança de que ele é o único candidato católico que vai pautar a sua gestão nos fundamentos dos ensinamentos do Cristo”. Nesta reta final, conforme a carta, a idéia é sugerir que faça uma reflexão sobre os destinos da cidade, já que dois candidatos se declaram seguidores de igrejas evangélicas e um terceiro se diz católico, mas elegeu para governar, com ele, um bispo da Igreja Universal e caso o candidato do Democratas se elegesse, significaria que todas as vezes que ele se ausentasse de Salvador, mesmo que por 2 ou 3 dias, assumiria os destinos da cidade um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. “E aí nos vem à mente a imagem que foi transmitida para todo o Brasil pela TV, de um bispo da mesma igreja, chutando a imagem de N.S. Aparecida. Esta mesma igreja entrou com um projeto de lei na Câmara Federal para tirar o título de padroeira do Brasil de N.S.Aparecida”. Sobre João Henrique, os amigos católicos de Antonio Imbassahy, como o documento foi assinado, “trata-se de um gestor que tratou a nossa Igreja Católica muito mal. Todo o apoio que tínhamos nas pastorais, creches, escolas e eventos religiosos foi suspenso. Não podemos permitir que nossa cidade continue a se deteriorar”. Por fim, o grupo de católicos destaca que a eleição está sendo decidida nestes próximos dias e que é preciso “colocar para nos governar alguém em quem possamos confiar e que fale a nossa mesma língua em relação à vida, ao amor, à família e a Cristo. Somos católicos e queremos uma prefeitura de fé”. (Por Fernanda Chagas)
A caminho da revolução pelo voto após o horário eleitoral
Os conceitos de esquerda e direita na política nasceram no século XVIII, com a Revolução Francesa de 1789, opondo, respectivamente, jacobinos e girondinos na Assembléia Nacional. A partir de 1917, com a Revolução Bolchevista na Rússia, as designações atravessaram praticamente todo o século XX e tinham característica predominantemente econômica: o Estado hipertrofiado era encarregado do controle dos meios de produção, gerindo uma economia planificada cujos frutos, em tese, seriam distribuídos com justiça a toda a sociedade. Como se sabe, a prática, ao longo das décadas, tomou o lugar da teoria, e o resultado é que o desmoronamento da União Soviética em 1989 e a revisão patrocinada pela China, onde o Estado continua forte, mas a economia teve considerável abertura, levaram a idéias novas e até esquisitas, como o fim da História proposto por um certo Fukuyama. No Brasil, pouco antes da extinção do império supostamente marxista-leninista da Europa do Leste e das mudanças no Extremo Oriente, esses princípios eram encampados por uma série de partidos políticos entre os quais pontificava o PT, que chegou a nossos dias mais forte que outras legendas igualmente radicais. Marxistas, comunistas, socialistas de todas as tonalidades agruparam-se, na sua maioria, entre os petistas, que também se orgulhavam de sua gênese simultaneamente sindical e intelectual, chegando a tal ponto de presunção que acreditavam firmemente ter o pensamento de esquerda no Brasil nascido com eles, no ABC paulista, desdenhando tudo mais que se oferecesse ao exame da nação. Tanto que na sua fase inicial recusavam terminantemente toda e qualquer aliança eleitoral, uma ameaça exógena a seu purismo ideológico. Montado nesses princípios, os petistas abjuravam, no período pós-anistia, a herança da luta política do período anterior ao golpe militar de 1964, personificada na figura do governador Leonel Brizola, recordista em exílio, com seus 15 anos de permanência no Uruguai e, já no fim do castigo, Estados Unidos. Apontado como prócer do populismo demag?=???????????ógico, Brizola seria um caudilho personalista e centralizador, em contraposição ao emergente e democrático líder operário Lula, que encarnava, pela origem eminentemente popular, o sonho revolucionário dos brasileiros despos-suídos.(Por Luis Augusto Gomes)
Bolsa-família x emancipação
O passar dos anos e o pragmatismo da luta pelo poder transformaram o PT e os petistas, que chegaram a aceitar Brizola como vice de Lula em 1998, num pleito em que sabiam ser certa a vitória de Fernando Henrique. Mas nem o mais empedernido adversário ou crítico imaginaria que o partido que embalou o sonho da nação nos últimos 30 anos chegasse à aposentadoria de teses históricas, muito menos ao escândalo do mensalão em sua cúpula e à suprema heresia do bolsa-família em lugar da emancipação dos pobres pela educação e da subsistência pelo trabalho digno e remunerado com um mínimo de justiça. Toda essa digressão vem de uma reflexão sobre a atualidade, em que Lula, a despeito de todas essas considerações, bate seguidamente recordes de popularidade e continua propalando impunemente - e até sendo aplaudido por isso - suas teses de momento. No horário eleitoral, candidatos a prefeito disputam a tapa sua simpatia ou sua vinculação com as campanhas em curso. “Pinheiro não é Lula”, afirma peremptório o programa de João Henrique, enquanto o do próprio petista conforma-se a reprisar o “genérico” que o presidente gravou para qualquer um, em qualquer lugar, que se diga seu amigo. E não é só isso: humilde postulante ao cargo de vereador declara suas raízes operárias, no caso petroleiras, para atribuir a Lula “a descoberta que garante o futuro”, apostando nas maravilhas que o messiânico ex-torneiro mecânico propiciará ao País com o petróleo da camada pré-sal. Que sigam, portanto, todos nesse rumo. Que busquem através de Lula o voto que jamais conquistariam por outros meios. Que lhe reforcem o respaldo nas prefeituras, governos e assembléias de todos os níveis. Que lhe dêem o poder quase absoluto para que ele continue produzindo felicidade incessante. Assim, o Brasil fará pelas urnas o que não conseguiu fazer pelo sangue em tantas e tantas infrutíferas batalhas do passado.
Governador divulga realizações e inaugura obras em Tapiramutá
“Neste um ano e nove meses, já foram gerados 116 mil novos empregos na Bahia, construímos 6.500 casas populares, 60 mil estão em construção. Cerca de 1 milhão de pessoas já foram beneficiadas com o Programa Água Para Todos, a meta é que até o final do meu mandato a cobertura chegue a 2 milhões”, afirmou o governador Jaques Wagner ao fazer um balanço do governo.No palanque, montado na praça principal de Tapiramutá, o governador entregou obras, interagiu com o povo e repetiu uma frase do presidente Lula: “ Nós não temos que perguntar ao povo em quem ele vota, mas qual a necessidade do povo”.A agricultora Vandira Alves colocou vestido novo e foi à praça para ver de perto o governador da Bahia, que só conhecia pela televisão. Ela estava feliz e sorridente com a inauguração de quatro quadras poliesportivas, do ginásio de esportes e da reforma do estádio de futebol.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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