sexta-feira, setembro 26, 2008

Filme mostra troca de alimentos por votos

Por Lilian Machado
Aumentam as denúncias de corrupção nas campanhas eleitorais do interior da Bahia. Militantes e eleitores do PSDB do município de Boa Vista do Tupim, na região da Chapada Diamantina, denunciam uma suposta compra de votos na cidade com a entrega de cestas básicas pelo grupo de oposição, ligado ao candidato a prefeito do PT, conhecido como Gidú. Filmagens feitas esta semana pelas lideranças ligadas ao atual prefeito e postulante à reeleição, Iran Campos, mostram carregamentos de caixas de mantimentos em um caminhão sendo transportadas para um depósito e depois sendo distribuídas para comunidades carentes e assentamentos de sem-terra do município. O grupo ligado à gestão atual deve entrar com uma ação judicial contra os opositores até hoje. As filmagens servirão de prova para o processo na Justiça Eleitoral. A doação de cestas básicas em período de campanha se configura como crime eleitoral. Os candidatos que forem flagrados comprando votos podem ter o registro da candidatura cassado e pagam multa à Justiça. A dez dias das eleições, o fato serve de alerta contra a prática de crimes eleitorais no Estado. Vinte e quatro vídeos com tempo que varia de 20 segundos a três minutos expõem a ação de três militantes do PT de Boa Vista do Tupim, caracterizados com bonés do Movimento dos Sem Terra (MST), retirando as cestas básicas de um caminhão com placa de Salvador – JOM 3068 e guardando em um depósito de propriedade particular. Em seguida, aos poucos, eles retiram alguns dos alimentos e armazenam no porta malas de um Gol branco de placa JQS-8743, que faz as entregas em um assentamento conhecido como Brasilina. Além disso, os vídeos mostram uma moto de placa JMC 5253 parada em frente ao local de armazenamento das cestas básicas, com adesivos do candidato petista. O dono da moto também é apontado na filmagem como um dos envolvidos na negociação. Em um dos vídeos aparece o presidente do MST na cidade, conhecido como Arlindo também manuseando as cestas básicas. Durante a ação feita de forma escancarada, a pessoa que registra as imagens tenta argüir com os militantes, informando que se trata de um crime eleitoral, mas eles ignoram. Em um dado momento, um dos envolvidos chega a ironizar a situação, dizendo que quer ser filmado. Segundo lideranças do candidato a prefeito Iran, os bonés do MST têm sido usados como material de campanha do candidato Gidú. “São novos, ou seja, foram doados agora justamente para campanha”, diz um dos militantes tucanos que preferiu não se identificar. Além disso, eles suspeitam que as cestas básicas sejam de origem de programas sociais do governo estadual, ou seja, da Secretaria de Combate a Pobreza, do secretário Valmir Assunção, deputado que apóia o candidato Gidú no município. A hipótese é fundamentada nas filmagens que mostram o veículo transportador dos mantimentos como sendo de Salvador, o que faz crer que foram financiados por algum político de relevância do âmbito estadual. A probabilidade é de que grande parte das cestas básicas já tenha sido entregue às pessoas carentes da cidade em troca de voto. Os coligados do prefeito tucano acusam os petistas de adotarem uma política de clientelismo, após se juntarem ao partido Democratas (DEM). “Os eleitores estão assustados com essa prática antiga que não tem nada a ver com as propostas e o modelo da gestão atual”, diz.
Geddel e Wagner participam de comício em Ipirá. Porém em lados opostos
(Por Cristina Ribeiro da Sucursal de Ipirá) - O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, maior liderança do PMDB na Bahia esteve visitando o município de Ipirá , que fica á 204 Km de Salvador. A corrida pela vitória do candidato a prefeito, Luiz Carlos Martins da Silva do (PMDB) nas eleições de Ipirá, dia 5 de outubro ganhou reforço de peso. Na tarde de quarta-feira, o ministro Geddel Vieira Lima e o deputado federal João Barcelar participaram do comício na Av. César Cabral onde declararam apoio total ao candidato Luiz Carlos. Além da força do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima foi forte à participação e o apoio do deputado federal João Barcelar. “Estou aqui para dizer que Luiz Carlos é o candidato de Lula, e se estou falando é por que o presidente me autorizou, estamos confiante na vitória de Luiz Carlos no dia 5 de outubro”. Em seguida Geddel participou de comício em Baixa Grande, Macajuba, Maíri e Várza da Roça. Como prometido, após chegar de Nova Iorque na manhã de quarta-feira, o governador Jaques Wagner pôs os pés na campanha municipal 2008. Abriu sua participação por Ipirá, município em que o PT tem o PMDB como principal rival. O governador Jaques Wagner acompanhado dos deputados estaduais Neusa Cadore e Jurandy Oliveira e dos secretários de governo Afonso Florence e Rui Costa participaram do comício do grupo da “Macacada”. A visita do governador, foi para falar de política e assegurar seu apoio ao atual prefeito Antonio Diomário Gomes de Sá. A expectativa quanto à visita do governador a Ipirá foi muito grande durante todo o dia, a cidade viveu um clima de festa e de curiosidade. Wagner disse que “o melhor para sua cidade é eleger um candidato afinado com os governos federal e estadual, e Diomário é o meu candidato em Ipirá.” No discurso que durou menos que vinte minutos o governador Wagner ratificou o seu apoio ao prefeito Diomário. “É claro que o barco navega muito mais rápido quando todos remam na mesma direção”, disse. Ao sair do palaA? ???@???????ŸEnque o governador foi bastante assediado pela multidão presente, todos queriam cumprimentá-lo ou simplesmente acenar para ele como forma de agradecimento pela sua segunda visita à cidade de Ipirá, em menos de 3 meses. Wagner disse estar confiante na vitória do prefeito Antonio Diomário em Ipirá e prometeu total apoio.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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