segunda-feira, setembro 29, 2008

Carreatas tomam conta da cidade

Como em Salvador e muitas outras cidades do Brasil, Jeremoabo também ontem a noite viu tantos veículos desfilando na carreata como talvez nunca tenha acontecido.
Apesar da enorme multidão tudo correu em pez e o mais importante, civilizadamente.
É o povo de Jeremoabo com outra mentalidade, e demonstrando que vandalismo e violência não leva a nada.(Jeremoabohoje)



Por Karina Baracho
Milhares de carros plotados, bandeiras, balões e carros de som incomodando a população tocando gingles a todo volume. O cenário da orla e de vários pontos da cidade mudou no último domingo de campanha antes das eleições, que vão acontecer no próximo dia 5. Nas carrocerias das caminhonetes alguns candidatos acenavam para o público, a maioria concorre a uma vaga na Câmara Municipal de Salvador. Os veículos que acompanhavam mudavam a rotina do final de semana, com buzinaços e pisca – alerta ligados no intuito de chamar a atenção da população – que o candidato estava passando. Em algumas ruas, a mobilização começou cedo, às 7 horas com carros de som ligados incomodando o sono dos cidadãos. Quem aproveitou para ir à praia enfrentou trânsito lento. “Isso é um transtorno para a cidade, pois engarrafa tudo. É melhor comício do que colocar carro na rua, pois atrapalha tudo”, observou o mecânico Carlos Reis, 53 anos. Sem conseguir driblar a carreata ele resolveu parar o seu veículo e aguardar o trânsito fluir. “Depois que todos passarem eu sigo meu rumo”. Mesmo presa no congestionamento, a estudante de administração Renata de Souza, 22 anos, acha as carreatas uma prática válida. “Incomoda um pouco no sentido de trânsito, mas é campanha e campanha é assim mesmo”. Conforme ela, a iniciativa é importante para que os soteropolitanos conheçam de perto os candidatos. “Assim como nas passeatas e comícios”. O candidato a Prefeitura do Salvador pelo Psol estava numa carreata na orla da cidade. Acompanhado do candidato a vice, Hilton acenava para o público, distribuía santinhos e era seguido por outros carros. “Essa atitude é muito importante, para nós e para os soteropolitanos pois podemos apresentar as nossas propostas para que as pessoas conheçam com mais detalhes”, disse o professor e militante Agnaldo Silva, 33 anos. É um carnaval diferente”, foi como definiu a comerciante Paula Santos, 31 anos. “Cada um quer o seu pedaço do bolo. Percebo que as carreatas estão pacificas, com muita música, bandeiras e balões, parece uma grande festa”. Apesar de se atrasar para chegar à praia em decorrência do trânsito lento – conseqüência das carreatas – a comerciante alertou para a importância do ato. “Precisam correr atrás de voto. Dessa forma eles não ficam trocando farpas”. Na reta final e último domingo de campanha, a maioria dos candidatos à Prefeitura preferiu fazer caminhada nos bairros. Dessa forma os prefeituráveis conseguem observar de perto as necessidades de cada pessoa e localidade e expor com maior clareza os seus planos de governo.
Clima de campanha só até sexta-feira
A seis dias das eleições a caça ao voto é intensa em Salvador. Até a tarde da próxima sexta-feira, último dia em que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) permite a propaganda eleitoral, as mobilizações políticas devem tomar conta da cidade. Os candidatos e militantes de partido vão sair em busca dos eleitores indecisos, que segundo especialistas se tornaram um fenômeno nas eleições deste ano. Em Salvador, mais de 1,7 milhão de pessoas devem ir as urnas no domingo. Em caminhadas pelos bairros e comunidades populares, os candidatos a prefeito e a vereador trabalham duro para conseguirem atingir principalmente, aqueles que ainda não sabem em que votar. Esse é o caso da jovem Suzana Silva, 27 anos, formada em Comunicação, que confessa estar indecisa entre dois candidatos a prefeito. Ela diz que também não escolheu ainda o candidato a vereador. “Onde moro conto com o assédio quase que diário de dezenas deles, mas sinceramente ainda não sei em quem vou colocar na urna”, afirma. A manicure Adriana Costa, 30 anos, moradora do Nordeste de Amaralina disse que ainda está avaliando a performance dos candidatos, mas que a influência da família pode pesar na escolha. “ Estou entre dois candidatos, mas minha mãe, meu marido e meus irmãos estão me pedindo para votar naquele que eles já definiram. Estou quase indo pela cabeça deles”, afirma. (Por Roberta Cerqueira )
Rigidez contra crimes eleitorais
De acordo com recomendações do TRE, a fiscalização será rígida contra qualquer ação que se configure como crime eleitoral, a exemplo da compra de votos e a boca de urna na véspera e no dia das eleições. Conforme o juiz membro da corte, Maurício Vasconcelos, “a boca de urna será combatida veementemente” A propaganda fora dos prazos é classificada como crime. A partir da meia - noite de sexta-feira quem for flagrado fazendo boca-de-urna pode pegar de 6 meses a 1 ano de detenção, com multa que varia de R$ 5.320,50 a R$15.961,50 Em recente entrevista a Tribuna da Bahia, a porta-voz do TRE, Cesaltina Lélis alertou para esse tipo de situação, advertindo para que as pessoas não aceitem dinheiro para passar santinhos e panfletos dos candidatos. Segundo ela, no mínimo a pessoa passará por um constrangimento ao entrar em um carro da polícia. Para ação de combate a boca de urna e a compra de voto nas ruas, a Justiça Eleitoral contará com a ajuda de 25 mil policiais militares em todo estado. É visto como crime, o uso de alto-falantes e amplificadores de som ou a promoção de comício ou carreata, a arregimentação do eleitor ou a propaganda de boca-de-urna. Além disso, fica vedada também qualquer tipo de divulgação de candidato ou de partido político com cartazes, camisas, bonés, broches ou bottons. As medidas tomadas pelo Tribunalç Regional Eleitoral tiveram endosso da população, principalmente porque diminuiu a pressão dos candidatos sobre os eleitores, mormente sos mais carentes.
Início do debate contou com poucos momentos vibrantes
O primeiro bloco do debate realizado ontem à noite na Rede Record (TV Itapoan) serviu para que os candidatos se apresentassem e dissessem, em pouco mais de um minuto, o que pretendem fazer à frente de Salvador nos próximos quatro anos. Com a mediação do repórter Celso Teixeira e perguntas dos jornalistas , o primeiro bloco não apresentou qualquer discussão entre os candidatos. A repórter Cristina Miranda (Record) perguntou ao candidato ACM Neto (Democratas) sobre saneamento básico, apontando os índices de Salvador e perguntando se tem solução. Neto respondeu reconhecendo que Salvador é uma cidade desigual e que, por isso, vai priorizar o social, assumindo o compromisso de investir para melhorar a qualidade do saneamento básico da capital. Ele pontuou ainda as obras do Bahia Azul, “que ajudaram a modificar o quadro degradante que está aí”. Em seguida, o repórter Levi Vasconcelos (A Tarde) perguntou ao candidato do PT, Walter Pinheiro, se a troca de farpas entre ele e o prefeito João Henrique não vai dificultar uma recomposição no segundo turno. Pinheiro alegou que as suas críticas são políticas, falou do apoio dado pelo seu partido na eleição de João Henrique e que “rompeu em razão dos problemas enfrentados durante a gestão”. Pinheiro, contudo, disse que espera dialogar no segundo turno com o prefeito João Henrique e que a relação seja respeitosa. O repórter Luiz Augusto (Tribuna da Bahia) perguntou ao candidato do PSOL, Hilton Coelho, se o futuro do seu partido não seria o mesmo do PT que, ao chegar ao poder, caiu no contraditório por ser protagonista de fatos que condenava como o populismo (como o Bolsa Família) e a corrupção (com o Mensalão). Coelho respondeu que a história não se repetirá, alegando que se isso não fosse verdade não teria saído do PT. “Se fosse ser igual, nós teríamos ficado lá, usufruindo de cargos e poder. O PT abraçou um projeto conservador e nos obrigou a sair”, alegou. Coelho disse ainda que o importante é um projeto em favor da maioria e que o PSOL é um exemplo de coerência. O repórter Osvaldo Lira (O Correio) perguntou a Antônio Imbassahy (PSDB) se ele fez algum acordo com o PT para criticar ACM Neto no horário eleitoral. Imbassahy disse que “não existe acordo algum. Nós estamos trabalhando com propostas bem elaboradas que tem inicio meio e fim”, justificou. O tucano aproveitou para criticar também a administração do prefeito João Henrique, evocou as suas qualidades de político experiente e disse que a voz das ruas o colocará no segundo turno. “A propaganda desta administração é diferente da realidade que está aí”, criticou. Já o radialista Armando Mariani, da Rádio Sociedade, perguntou ao prefeito João Henrique quais os benefícios que ele teve com a saída do PDT para o PMDB. João Henrique respondeu que Salvador se transformou num canteiro de obras e aproveitou para agradecer a população sobre a sua ascensão nas pesquisas. O prefeito falou ainda da geração de emprego durante a sua administração e disse que “Salvador deixou de ser a capital campeã de desemprego no Brasil. A nossa administração não é apenas para os turistas. Estamos cuidando da Cidade Alta, da Cidade Baixa, do Subúrbio e das ilhas, o que não acontecia anteriormente”, disse João Henrique. (Por Evandro Matos)
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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