sexta-feira, setembro 26, 2008

Presa cúpula da PF de Volta Redonda

Delegados e agentes federais são acusados de envolvimento com máfia dos combustíveis
Acusada de envolvimento com uma "máfia dos combustíveis", a cúpula da Delegacia da Polícia Federal (PF) em Volta Redonda, no sul fluminense, foi presa ontem durante a Operação Resplendor, realizada pela Superintendência Regional da PF no Rio.
Foram detidos no início da manhã, depois de denunciados à 4ª Vara Federal daquele município pelos crimes de formação de quadrilha armada e corrupção, o delegado-titular, César Augusto Gomes Gaspar, o delegado-substituto, Gustavo Stteel, o chefe do Núcleo Operacional local, Sérgio Vinícius de Oliveira, e três agentes da delegacia. Outro agente estava foragido até o fim da tarde.
A Procuradoria da República denunciou e pediu a prisão de 58 pessoas e a 4ª Vara Federal expediu 40 mandados de prisão preventiva: os sete policiais federais, mais cinco policiais civis e oito policiais militares do Rio, um PM de São Paulo, 18 empresários e um despachante. Até o final da tarde, além dos seis federais, estavam presos dois policiais civis, o policial militar de São Paulo, 12 empresários (três de São Paulo) e o despachante.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o esquema criminoso incluía o acobertamento policial a atividades comerciais ilícitas, especialmente a compra, distribuição e revenda clandestina de combustíveis, muitas vezes adulterados e com fraudes fiscais. O superintendente da PF no Rio, Valdinho Caetano, afirmou que o grupo de policiais recebia uma "caixinha" mensal de cerca de R$ 90 mil dos empresários para não fiscalizá-los. Na casa de um dos agentes federais foram apreendidos R$ 20 mil.
A Justiça não aceitou os pedidos de prisão contra quatro fiscais da Secretaria da Receita do Estado do Rio, dois motoristas de caminhões e mais oito policiais militares de São Paulo, também denunciados pelo MPF. Entre os policiais militares do Rio com mandados de prisão estava Rogério Cerqueira, dono da empresa Intacta Segurança Eletrônica e Serviços, de Volta Redonda.
A PF fez busca e apreensão na casa da mãe do PM. O delegado Gaspar, dono de uma fazenda em Minas, morava em um hotel de Volta Redonda, mas foi preso na casa da namorada. No edifício Saint Laurent, na rua Coroados, Bairro Aterrado, em Volta Redonda, policiais federais aguardavam um policial civil no saguão e não repararam quando ele chegou de carro e foi chamado por uma mulher que o ajudou a fugir.
As investigações foram iniciadas há seis meses pelo Setor de Inteligência da Superintendência da PF. Os empresários são acusados, entre outros crimes, de corrupção ativa, falsificação de documentos, adulteração e transporte clandestino de combustíveis. De acordo com a PF, o combustível era levado de São Paulo para o sul fluminense.
"Eles usavam notas frias e alguns caminhões passavam sem nota nenhuma", disse o superintendente. "Inicialmente, os policiais faziam falsas blitz para extorquir dinheiro. Num segundo momento, estabeleceu-se uma caixinha mensal e o trânsito dos caminhões sem recolhimento dos tributos ficou livre". O delegado Oliveira, chefe do Núcleo Operacional da PF em Volta Redonda, era conhecido como "síndico", segundo Caetano: "Era o responsável por arrecadar o dinheiro e distribuir entre os policiais".
Ainda segundo ele, policiais militares faziam a "escolta" de caminhões com combustível, que muitas vezes era adulterado em galpões em Volta Redonda. Um dos empresários presos em Cabo Frio, na Região dos Lagos já tinha sido detido em outras Operações de combate à máfia dos combustíveis.
Segundo o superintendente, a investigação começou após um acompanhamento do trabalho nas delegacias da PF no estado, no qual se detectou que em Volta Redonda a "produtividade era muito baixa". De acordo com a PF, o esquema funcionava há mais de um ano. Ainda não foi calculado o valor dos impostos que teriam sido sonegados. Advogados dos acusados não haviam chegado até o início da tarde à superintendência da PF no Rio.m.
Com a prisão da cúpula da Delegacia de Volta Redonda, o superintendente do Rio convidou o delegado Marcos Antônio Lino Ribeiro, que chefiava os federais no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, para substituir Gaspar.
Fonte: Tribuna da Imprensa

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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