quinta-feira, setembro 25, 2008

Wagner anuncia conquistas turísticas

Após três dias de viagem aos Estados Unidos da América, onde acompanhou o presidente Lula no lançamento do programa de turismo “Brasil Sensacional” e na reunião de abertura da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o governador Jaques Wagner reassumiu, ontem, o comando do Poder Executivo. Depois de 15 horas de vôo, ele desembarcou em Salvador por volta das 10h40 e, ainda no aeroporto, assinou o termo de transmissão de cargo juntamente com a presidente do Tribunal de Justiça, Sílvia Zarif, governadora em exercício. Bem humorado, apesar do cansaço da viagem, Wagner se disse satisfeito porque a casa se manteve arrumada e avaliou o resultado de sua viagem como extremamente produtivo. “A Bahia como 3º destino turístico mais procurado do Brasil não poderia faltar ao lançamento do Brasil Sensacional nos Estados Unidos, em que foram anunciados novos vôos da American Airlines e da TAM diretos de Miami para Salvador, até o primeiro trimestre do ano que vem”, afirmou. No discurso de abertura da Assembléia Geral da ONU, tradicionalmente feito pelo representante do Brasil, o presidente Lula destacou a Bahia como Estado sede da reunião de Cúpula de Países do Mercosul e Latino Americanos, nos dias 15, 16 e 17 de novembro deste ano. A desembargadora Sílvia Zarif, primeira mulher a assumir o cargo de governadora do Estado, avaliou a experiência de ser chefe do Executivo como algo importante para o fortalecimento da democracia. “Obrigada pela confiança no Judiciário e por investir num relacionamento de harmonia, respeito, confiança e independência como convém aos poderes instituídos constitucionalmente”, ponderou Zarif, dirigindo-se ao governador. A desembargadora também informou ao governador que já fez contato com o embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró, solicitando a adoção de medidas possíveis para resolver o caso do baiano Wilson Borges Ferreira, preso em Barcelona. O governador disse ainda que, após as eleições deverá planejar as ações de Estado para o ano de 2009, e reforçou a postura de combate à violência, se referindo ao assassinato de um policial militar, na última terça-feira (23), em Salvador. “Quero me solidarizar com a família enlutada e com a própria corporação e dizer que vamos continuar trabalhando para estimular o crescimento da Bahia com inclusão social e segurança, porque nós não vamos recuar, essa é uma briga de todo dia e nós não vamos perder para a marginalidade”, enfatizou o governador. O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Marcelo Nilo, também foi ao receptivo do aeroporto, onde teve uma rápida conversa reservada com o governador.
Número de desempregados diminui
Em agosto, a taxa de desemprego da Região Metropolitana de Salvador (RMS) diminuiu pelo terceiro mês consecutivo, passando de 20,4% no mês de julho, para 19,9% em agosto de 2008. Este é o segundo menor índice registrado nos últimos 11 anos. Neste mês, foi estimado um contingente de 366 mil desempregados, uma redução de 6 mil pessoas na comparação com o mês de julho. Este resultado reflete a geração de 23 mil novas ocupações, número superior ao das pessoas que ingressaram na População Economicamente Ativa, que é de 17 mil pessoas. A taxa de participação cresceu, passando de 59,6% para os atuais 60,0%. A taxa de desemprego aberto permaneceu estável em 12,2%, enquanto a de desemprego oculto diminuiu, passando de 8,3% para 7,6% da População Economicamente Ativa (PEA). Os dados são da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) realizada pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento, pela Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), pelo Departamento Inter-sindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Ufba, por meio da Faculdade de Ciências Econômicas, órgãos parceiros na pesquisa. Em relação ao desempenho por segmentos, o único que teve um pequeno decréscimo, de 0,4%, foi “Outros Setores”, que inclui serviços domésticos, construção civil e outras atividades. Os demais setores registraram aumento na oferta de postos de trabalho. O Comércio obteve o maior crescimento, de 4,5%, significando 10 mil postos a mais, seguido da Indústria, que expandiu 3,3%, e o setor de Serviços, com 1,1%. Ao todo foram criados 11 mil postos de trabalho assalariado na Região Metropolitana de Salvador, a maior parte pertencente ao setor privado, que aumentou em 7 mil vagas, das quais, 6 mil com registro formal e 1 mil sem registro formal. Já o setor público admitiu, em menor proporção, 3 mil pessoas. No agregado “Outros”, que inclui os empregadores, os trabalhadores familiares e os donos de negócios familiares, etc., houve expansão de 7 mil ocupações. O contingente de trabalhadores autônomos cresceu em 5 mil postos, já o número de trabalhadores domésticos permaneceu estável.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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