quinta-feira, novembro 27, 2025

Moraes julga pedidos de relaxamento de penas: 'confusão mental' e 'perda de memória

 

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DESPACHOS DO RELATOR

Moraes julga pedidos de relaxamento de penas: ‘confusão mental’ e ‘perda de memória’ | Começou a fase de análise pelo ministro do STF Alexandre de Moraes dos pedidos de relaxamento de pena feitos pelas defesas dos condenados por tentativa de golpe que começaram a cumprir pena nesta semana. O relator do processo terá de decidir sobre elementos que surgiram depois das prisões. Nos primeiros despachos, ele vai julgar as solicitações de avaliação médica e de prisão domiciliar protocoladas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e pelo general Augusto Heleno Ribeiro. Moraes não tem prazo para tomar as decisões. Um dos documentos que servem para análise do STF é o exame feito na data da prisão. No relatório de Heleno consta que ele sofre da Doença de Alzheimer, que teria sido diagnosticada em 2018. Ele disse padecer de “perda de memória recente, hipertensão, prisão de ventre” e que toma medicamento continuado. A informação foi mencionada novamente na audiência de custódia realizada por videoconferência pela juíza auxiliar do gabinete de Moraes, Luciana Yuki Sorrentino, nesta quarta-feira, 26. LEIA+

RISCOS POPULISTAS

Pauta trabalhista encampada por Lula para 2026 preocupa empresários | A pauta trabalhista encampada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições de 2026 já preocupa empresários pelo custo adicional que pode trazer para as companhias e pelo impacto fiscal bilionário ainda não estimado, segundo executivos ouvidos pelo PlatôBR nas últimas semanas. Em cerimônia no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, 26, para sancionar a lei que isenta de IR (Imposto de Renda) quem ganha até R$ 5.000, o petista apontou dois temas prioritários: redução da jornada 6×1 e fim da tributação de PLR (Participação nos Lucros e Resultados) pago aos trabalhadores. O imposto incide para valores superiores a R$ 8.214,00. LEIA+

TRADIÇÃO EM XEQUE

O desconforto do STM com o julgamento inédito de generais acusados de ‘indignidade’ | Os novos ares que sopram no STM (Superior Tribunal Militar) serão colocados à prova. A corte mais antiga e tradicional do país deve decidir em 2026 se muda uma de suas tradições, diretamente ligada ao respeito à hierarquia nas Forças Armadas. Quatro generais devem ser levados a julgamento como “indignos” e podem perder as patentes e alguns benefícios, em decorrência da condenação e do início, nesta semana, do cumprimento de pena por tentativa de golpe de Estado. LEIA+

MARCHA LENTA

Pronto, mas parado: relatório do caso Zambelli ainda não tem data para ser votado | O relatório do processo sobre a perda de mandato da deputada contra Carla Zambelli (PL-SP) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) está pronto, mas segue parado à espera de uma data para ser votado. O relator, Diego Garcia (Republicanos-PR), disse ao PlatôBR que só vai protocolar o texto quando o presidente da comissão, Paulo Azi (União Brasil-BA), marcar a sessão de análise — mesmo com o prazo formal para a entrega chegando ao fim nesta quarta-feira, 26. LEIA+

CRISE NA CÚPULA

Governo ainda procura razões de Alcolumbre para veto a Messias | A ausência de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) na cerimônia de sanção do projeto do IR (Imposto de Renda) e sua ofensiva contra o Planalto ainda é um assunto pouco entendido por membros do governo. Muitos consideram desproporcional a reação do presidente do Senado, até então considerado um aliado importante do governo no Centrão, diante da escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Jorge Messias para a vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), em detrimento da indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), nome defendido pelo presidente do Senado. Dentro do governo, existe a avaliação de que essa situação é insustentável para Alcolumbre, que mantém indicações em vários ministérios e órgãos do governo como autarquias e bancos públicos. Para o Planalto, não haveria interesse do presidente do Senado em abrir mão dessa relação a menos de um ano da eleição. LEIA+

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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