quinta-feira, novembro 27, 2025

Cirurgia por videolaparoscopia é opção menos invasiva contra o câncer de próstata

 






Técnica cirúrgica minimamente invasiva e de alta precisão pode acelerar o caminho para a cura da doença.

A cirurgia por videolaparoscopia para tratamento do câncer de próstata é um dos procedimentos frequentes no Centro Cirúrgico do Hospital de Brotas, que atende exclusivamente beneficiários do Planserv, plano de saúde dos servidores estaduais da Bahia. 

O procedimento urológico, denominado prostatectomia radical - remoção total da glândula prostática, pode ajudar no tratamento do câncer de próstata, especialmente quando diagnosticado em estágios iniciais.

O câncer de próstata representa 29% de todos os casos de câncer em pessoas designadas homens ao nascer no Brasil, com aproximadamente 66 mil novos casos e quase 16 mil mortes por ano, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A doença ocorre principalmente após os 50 anos, com maior incidência acima dos 65. No Hospital de Brotas, a maior parte dos pacientes operados tem entre 60 e 80 anos.

“Na cirurgia de próstata por videolaparoscopia, em vez de uma incisão grande na região inferior do abdômen, fazemos pequenas incisões. São pequenos furinhos na área a ser operada: um para a câmera e quatro para os braços auxiliares. Por meio deles, o cirurgião insere os instrumentos laparoscópicos na cavidade abdominal, trata e remove a próstata de forma oncológica e depois reconstrói o caminho entre a bexiga e a uretra com suturas/pontos. Tudo isso por via laparoscópica, uma forma minimamente invasiva de tratar o câncer de próstata”, explica o urologista Dr. Joabe Carneiro, referência na Bahia e coordenador do Serviço de Urologia do Hospital de Brotas, especialista em laparoscopia, cirurgia robótica e infertilidade masculina. 

A prostatectomia radical laparoscópica é indicada para pacientes com diagnóstico de câncer de próstata. Por sua complexidade, a técnica exige um urologista experiente. Quando há um foco de células malignas na glândula, recomenda-se sua retirada completa. O método também pode ser utilizado no tratamento de doenças benignas, como o adenoma prostático que é o crescimento não maligno da próstata, comum em homens mais velhos, quando é possível remover apenas parte da glândula. Além disso, a videolaparoscopia urológica é amplamente utilizada para remoção de tumores renais, mostrando seu caráter multifuncional.


Vantagens da videolaparoscopia


Segundo Dr. Joabe, as pequenas incisões reduzem a dor no pós-operatório, já que praticamente não há corte de musculatura. Outro benefício é a diminuição do sangramento: um gás utilizado para distender o abdômen amplia a cavidade e ajuda a diminuir o sangramento. 

“A câmera aumenta quase 50 vezes o campo de trabalho e oferece ao cirurgião uma visão mais ampliada das estruturas, o que contribui na redução de riscos”, destaca ele. A visualização detalhada da área operada aumenta a precisão durante toda a cirurgia.

A recuperação também é mais rápida do que na cirurgia aberta. Em geral, o paciente recebe alta em até 24 horas, podendo permanecer em observação por mais tempo em caso de idade avançada ou comorbidades. Ao ir para casa, permanece com uma sonda temporária por sete a dez dias que será retirada em consultório. Na cirurgia aberta, esse período da sonda costuma levar cerca de 15 dias. 

O repouso pós-cirúrgico deve ser ativo. “Não é para ficar parado, deitado ou sentado no sofá. É importante andar no plano e se movimentar para evitar embolia pulmonar e trombose venosa profunda, além de manter uma boa higiene no uso da sonda”, recomenda o urologista.


Resultados funcionais e qualidade de vida


A técnica reduz a manipulação de tecidos e órgãos na região, diminuindo o risco de infecções e problemas de cicatrização. O retorno às atividades de rotina, inclusive laborais, costuma acontecer mais cedo.

“Os resultados funcionais também são melhores que na cirurgia aberta, tanto na preservação da continência quanto na potência sexual que é uma preocupação importante entre pacientes mais jovens. Na cirurgia convencional, geralmente há alguma perda de urina no pós-operatório imediato. Já por laparoscopia, às vezes nem isso acontece: retira-se a sonda e o paciente não chega a usar fralda. Na maioria das vezes, permanece totalmente continente”, afirma Dr. Joabe.


A detecção precoce do câncer de próstata garante ao paciente mais de 90% de chance de cura. Em casos avançados, o tratamento é outro, sem possibilidade de cura cirúrgica.


A cirurgia videolaparoscópica está disponível pelo SUS em Salvador, em centros de referência como o Hospital do Homem, o Hospital Roberto Santos e o Hospital das Clínicas da UFBA. Dr Joabe Carneiro fez questão de salientar que no Hospital de Brotas, todas as cirurgias para tratamento do câncer próstata são por via laparoscópica, justamente para levar o que se tem de melhor tecnologia e segurança para o usuário que é o servidor público do estado.


Depois do Outubro Rosa, o Novembro Azul


Em outubro, a equipe de enfermagem do Centro Cirúrgico do Hospital de Brotas foi treinada para o acolhimento de pacientes em tratamento de câncer de mama. Em novembro, o foco foi o aprimoramento da assistência em cirurgias urológicas laparoscópicas. Não apenas pela simbologia do Novembro Azul, mas porque todas as cirurgias de próstata no hospital utilizam essa técnica.

O enfermeiro Victor Coelho, responsável por ministrar parte dos treinamentos, destaca que a capacitação é estratégica para garantir segurança, atualização e autonomia à equipe. 

“Num cenário de constante evolução, seja em protocolos, equipamentos ou práticas assistenciais, capacitar os profissionais fortalece a linha de frente do cuidado. Quando o profissional domina o que faz, sente-se mais seguro para se comunicar com clareza, acolher demandas e atuar de forma cooperativa. Embora nossa área tenha um forte componente técnico, o treinamento também é um processo relacional e humano, capaz de aprimorar vínculos de equipe e promover um ambiente de cuidado mais harmônico”, afirma.

Lembrete importante - de novembro a novembro

Os exames preventivos do câncer de próstata, com o urologista, devem começar aos 50 anos para quem não tem fatores de risco e aos 45 para pessoas com histórico familiar da doença.

Pauta enviada pelo jornalista Fábio Almeida

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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