quinta-feira, novembro 27, 2025

Ilegalidades da Rede Globo não podem ser esquecidas sem ter havido punição


Globo é a sexta marca mais valiosa do Brasil; vale 10 SBT

TV Globo tem sido acobertada pelos sucessivos governos 

Afanasio Jazadji

Prezado editor Carlos Newton, há 25 anos denunciei da tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo os descaminhos trilhados por Roberto Marinho para se apossar da Rádio Televisão Paulista S/A, que ele afirmou em vida e seus filhos repetem ainda hoje ter sido adquirida de Victor Costa Júnior. Era e é tão inverdade, que, na Justiça, quando em 2001, foram processados por alguns dos verdadeiros herdeiros dos seus mais de 600 acionistas, a agora Globo Comunicação e Participações S/A declarou que, na pior das hipóteses, seria a nova proprietária do canal 5 de São Paulo via usucapião.

Marinho inventou esse “usucapião empresarial” para justificar a usurpação criminosa da concessão de serviço público da TV Paulista desde 1965. Que despautério jurídico!

ASSEMBLEIA FANTASMA – Não prosperando essa desabonadora justificativa, Roberto Marinho não teve dúvida de então se valer da fantasiosa e fraudulenta assembleia geral extraordinária da Rádio Televisão Paulista S/A, dita como realizada em 10 de fevereiro de 1965 e na qual teria comparecido e votado um único acionista, proprietário de apenas duas ações de um total de 30 mil, e representando acionistas há anos falecidos. Seu nome: Armando Piovesan.

Tamanhas aberrações transitaram em julgado, mas não foram esquecidas graças ao valoroso jornalista e democrata Helio Fernandes e mais recentemente por meio do blog que sucedeu a Tribuna da Imprensa.

Nesse caminhar, lendo na Tribuna da Internet seus artigos diários, sua simetria argumentativa e seu desfecho, entendo por que estamos regredindo, vendo a pobreza de conteúdo e de método daqueles que se dizem jornalistas e não conseguem ir além das pautas submissas e nada comprometedoras para seus contratantes, abrindo mão da verdadeira liberdade de imprensa. O mesmo de se dizer de nossos políticos, governantes e de boa parte da população. Tudo linear e o que mais se avultará com a inteligência artificial.

IMPUNIDADE GLOBAL – A prosperar a favorecedora opinião de nossas autoridades, nos processos contra a Globo, poder-se-ia admitir que os escândalos do INSS, OI, BRB, Banco Master e outros só viriam à tona daqui 10 ou 15 anos, ninguém seria investigado e punido, em nome da segurança jurídica?

E a segurança jurídica do Estado, a sua obrigação de fazer valer a lei não deve prevalecer? A lei, ora a lei! Não concordo com essa excessiva tolerância e vou cobrar providências junto ao Poder Judiciário, que precisa ser provocado, seja por atos comissivos ou omissivos do Executivo ou por parte de suposta má-fé de seus beneficiários.

Alguém tem a obrigação de cobrar responsabilidades e no caso não poderá ser alegada a decadência do direito de agir, como relatado em seu artigo de 24 de novembro, sob o título “Governo Lula finge investigar podridão da Globo, mas não descobre nada”.

FRAUDES ETERNAS – Nesse caso, faço questão de destacar que do Palácio do Planalto saíram diversas determinações para que essa possível fraude fosse esclarecida pelos Ministérios das Comunicações e da Fazenda, inclusive, a escancarada e inexplicável patrimonialização da microempresa GME Marketing Esportivo Ltda., com capital inicial de R$ 10 mil, e encerramento de atividades com R$ 5,8 bilhões, tudo em apenas 5 anos (2001 a 2006).

Isso descrito em processos judiciais e procedimentos administrativos públicos, que não despertaram a curiosidade de nenhum conceituado veículo de comunicação.

Acontece, prezado editor Carlos Newton, que a Globo, com poderes inquestionáveis e com força demolidora descomunal, muito bem assessorada, sabe fazer uso da arte de alegar a prescrição de direito de litigantes que a acionam ou da perda de direito do Estado de acioná-la, em defesa do cumprimento do ordenamento jurídico vigente e, em particular, do artigo 37 da Constituição, que estabelece os princípios e regras da administração pública.

CUMPLICIDADE – A árvore contaminada pode prosperar e dar frutos, mas não com os benefícios da omissão oficial, como aconteceu sobretudo entre 1964 e 1985, no ilegal apossamento da Rádio Televisão Paulista S/A pelo empresário Roberto Marinho, amigo de Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo.                       

A prática delituosa não pode compensar. Não podemos, com nossa omissão, colaborar para o assalto e esvaziamento dos cofres públicos, diariamente denunciados por uma das maiores redes de comunicação do planeta, pelo que se agradece.

Em um país sério não se pode ganhar eleição com emendas, favores e esmolas sociais. E agora bets da vida, processo que está no gabinete do ministro Fux há mais de ano. Acorda, Brasil!

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Agradecemos a manifestação de Afanasio Jazadji, jornalista, advogado e deputado estadual por cinco legislaturas na Assembleia de São Paulo. A propósito, a revista Consultor Jurídico desta segunda-feira, dia 24, informou que o Superior Tribunal de Justiça condenou a TV Globo a indenizar o deputado federal Gustavo Gayer por linchamento virtual. A Globo atribuiu a ele, de forma categórica, uma conduta ilícita não comprovada. Já no caso da TV Paulista, o Ministério Público Federal assinalou, em 2004, “que tal como se deu, esteado em documentação falsificada, o ato de concessão estaria eivado de nulidade absoluta”. Sem esquecer os quatro laudos do Instituto Del Picchia de Documentoscopia, que atestaram a falsidade dos documentos usados para o apossamento da TV Paulista, que Roberto Marinho alegou ter comprado por Cr$ 60.396,00, que à época equivaliam a singelos 35 dólares, no que seria a Piada do Século. (C.N.)


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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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