sexta-feira, setembro 26, 2025

Taxa de US$ 100 mil para visto dos EUA muda planos de brasileiros; veja opções

 Foto: Reprodução/Instagram/Arquivo

Donald Trump26 de setembro de 2025 | 06:55

Taxa de US$ 100 mil para visto dos EUA muda planos de brasileiros; veja opções

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Com uma simples assinatura, o presidente americano, Donald Trump, provocou uma mudança brusca nos planos de milhares de brasileiros altamente especializados que têm como objetivo trabalhar nos Estados Unidos.

Em decreto da última sexta-feira (19), Trump determinou que o visto H-1B, destinado a esse perfil de trabalhador, passará a ter a cobrança de uma taxa de US$ 100 mil (cerca de R$ 530 mil). Essa autorização só pode ser concedida a quem já possui oferta de emprego por uma empresa americana, e o custo precisa ser coberto pelo empregador.

O H-1B foi criado em 1990 pela Lei de Imigração, em meio a um período de escassez de mão de obra especializada nos Estados Unidos, e tem o objetivo de preencher vagas que não podem ser ocupadas por trabalhadores americanos.

“Em geral, o H-1B exige pelo menos um diploma de bacharel e experiência na função. É bastante usado por empresas de tecnologia, engenharia, saúde e finanças, que buscam talentos qualificados em nível global”, explica Leda Oliveira, CEO da AG Immigration.

Devido à enorme procura pelo visto, os EUA só disponibilizam 85 mil vagas para esse tipo de autorização, e fazem um sorteio anual, a “loteria do H-1B”, para determinar quais trabalhadores serão escolhidos para avançar no processo.

Ele está entre os vistos mais desejados por trabalhadores —no ano passado, houve 427.084 petições por essa autorização— e concede direito de permanecer trabalhando nos EUA por três anos, renováveis por mais três.

Entre eles, estão os brasileiros: no ano passado, o país teve 2.641 petições do H-1B aprovadas, segundo dados do U.S. Citizenship and Immigration Services (serviço de imigração americano), ou o nono lugar do ranking dos países que mais enviam talentos aos EUA.

De acordo com Leonardo Freitas, fundador e CEO da consultoria de imigração Hayman-Woodward, a mudança fez com que muitos brasileiros passassem a considerar outros destinos, como os Emirados Árabes Unidos, onde a entrada para trabalho é processada em menos de uma semana.

“Enquanto os EUA encarecem e dificultam a entrada de profissionais qualificados, outros países estão aproveitando a oportunidade para se posicionar como destinos mais atraentes”, afirma. Outro exemplo, diz ele, é a China, que lançou o visto K, programa que facilita a entrada de estrangeiros em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Até agora, o valor pago pelo H-1B, entre taxas administrativas e gastos com advogados, era cerca de US$ 10 mil. Com o decreto de Trump, a taxa de US$ 100 mil se somará a essas despesas.

“A taxa representa uma mudança significativa no programa H-1B, em uma nova camada ao planejamento da força de trabalho para os empregadores”, diz Bo Cooper, sócio da consultoria de imigração Fragomen.

A medida praticamente inviabiliza a concessão de novos vistos desse tipo, e provocou preocupação e muitas dúvidas entre brasileiros. Nas redes sociais, muitos candidatos ao H-1B, como dentistas, professores e arquitetos, constatam que, na prática, os EUA estão quase proibindo a emissão de novos vistos.

A reportagem procurou profissionais que estão tentando conseguir o visto para que relatassem suas histórias, mas muitos dos procurados apontaram que não desejam falar com a imprensa por medo que isso provoque dificuldades no processo de obtenção do visto.

Um dos principais temores de profissionais de TI, engenheiros de software e profissionais de saúde que já são detentores do H-1B é se podem viajar e voltar aos Estados Unidos sem ter que pagar a taxa —a resposta é que sim.

Outro questionamento é se a cobrança é válida para novas aplicações e se é anual —a dúvida foi sanada pelo governo americano, que apontou que a cobrança da taxa de US$ 100 mil é feita apenas uma vez e é válida somente para novas aplicações.

Segundo a Fragomen, a taxa também não será aplicada a extensões de vistos com o mesmo empregador. Entretanto, ressalta a empresa, ainda há incertezas sobre o alcance das novas regras, e nas próximas semanas provavelmente haverá mais esclarecimentos do governo. “Embora o decreto permita isenções por interesse nacional, ainda não se sabe exatamente como elas serão aplicadas”, diz Cooper.

VISTOS ALTERNATIVOS
Na avaliação dos especialistas, as empresas devem recorrer a vistos alternativos para mitigar os impactos da nova taxa, garantindo a permanência de estrangeiros altamente qualificados em seus quadros.

Entre essas opções, estão os vistos O-1 (visto temporário destinado a pessoas com habilidades extraordinárias nas ciências, artes, educação, negócios ou atletismo) e o L-1, voltado para executivos, gerentes ou especialistas de empresas multinacionais que já tenham trabalhado fora dos EUA e precisam ser transferidos para a filial americana.

“Para quem pensa em algo mais permanente, existe o EB-2 NIW [National Interest Waiver], que permite aplicar direto para o green card se o candidato provar que seu trabalho tem mérito substancial e importância para os EUA, sem a necessidade de uma oferta de emprego específica”, diz Freitas.

Já o EB-1 atende profissionais no topo de carreira ou executivos internacionais e costuma ter processamento mais rápido. “Empreendedores de start ups podem avaliar o IEP (International Entrepreneur Parole), que dá permissão de permanência se houver investimento relevante ou apoio governamental nos EUA”, afirma o executivo da Hayman-Woodward.

Maeli Prado/Folhapress

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

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