terça-feira, setembro 30, 2025

O supremo Fachin cancela o after

 

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Edson Fachin assumiu a presidência do Supremo. Alguém pode até ter achado tudo meio monótono, mas parece que é isso mesmo que Fachin anda querendo: mais monotonia no Supremo. Seu discurso já deu o tom da gestão: nada de festinhas, nada de gracinhas fora dos autos, nada de manchetes polêmicas e, especialmente, nada de política. Juiz julga. Até o after, Fachin cancelou. Leia-se: o baile de posse (baile, baile mesmo).

Mesmo sem festa, sua posse foi concorrida. Todos os Poderes estavam por lá. E, para os bolsonaristas de plantão, Fachin não deixou dúvidas: ninguém larga a mão do Xandão. Ele usou palavras como “amigo”, “juiz feito fortaleza”, “magistrado que engrandece o Tribunal”. E ainda mandou essa: “merece nossa saudação e nossa solidariedade, e sempre a receberá”. Mas também completou que todos os outros ministros supremos vão ter solidariedade, se preciso for.

Só a título de registro: Xandão será o vice de Fachin no Supremo.

E o Barroso?

O supremo Barroso, que, sem sombra de dúvida, foi muito mais festivo do que será Fachin, deixou a presidência do Supremo deixando a dúvida no ar: será que vai se aposentar? Ele disse que sempre pode ser uma decisão. Mas, no Roda Viva, chegou a dizer que, quando entrou no Supremo, dizia-se que o Celso de Mello logo iria se aposentar, e, no fim, o decano só saiu quando chegou no limite de idade (um ministro supremo só precisa se aposentar aos 75 anos de idade).

O baile

O baile de posse é sempre oferecido por entidades da magistratura. Mas Fachin não quis saber dos quitutes, e sua posse reuniu mais de mil convidados no Plenário do Supremo mesmo. O recado parece ser: quero falar com todo mundo, mas aqui na sala da presidência.

Os humores do Xandão, by Carminha

A suprema Cármen Lúcia foi a escolhida para falar em nome de todos os ministros. Aproveitou o ensejo para também defender Xandão e fazer mil elogios ao supremo, dizendo que ele é um supremo que não se rende aos humores azedados.

“Com temperamento afirmativo e atuação muito eloquente, o ministro Alexandre de Moraes mantém-se com a mesma firmeza nas mais complexas situações. Não se deixa tocar por algum mal-estar, sequer por humores azedados.”

O Xandão

Teve posse, mas também teve decisões supremas. E uma delas foi a de Xandão para mandar notificar Dudu Bolsonaro de que ele está sendo acusado criminalmente pelo Ministério Público por meio de jornais.

A treta é a seguinte: Xandão não consegue notificar Dudu sobre o processo porque ele não está no Brasil. Mas Dudu segue com residência no Brasil e, inclusive, segue como deputado federal. Então, Xandão entendeu que pode usar esse recurso da lei penal de chamar um cidadão para se defender via notificação pública. Eis o que disse Xandão:

“Além de declarar, expressamente, que se encontra em território estrangeiro para se furtar à aplicação da lei penal, também é inequívoca a ciência, por parte do denunciado Eduardo Nantes Bolsonaro, acerca das condutas que lhe são imputadas na denúncia oferecida nestes autos, sobre a qual também se manifestou por meio de nota divulgada na rede social X.”

Se Dudu não se defender, o Supremo pode aceitar a denúncia do Ministério Público à revelia e até mesmo condenar Dudu, mesmo que ele não se defenda.

Fux

O supremo Fux também tomou decisões hoje. A pedido de Davi Alcolumbre, a estrelinha mais alta do Senado, o ministro supremo decidiu barrar a mudança de número de deputados para a eleição de 2026. Alguns estados teriam menos deputados por conta do número da população registrada pelo Censo. Alguns estados ganhariam mais deputados, enquanto outros perderiam cadeiras. Aí o Congresso, para tentar resolver esse problema, resolveu fazer uma lei que ampliava geral o número de deputados. Lembra disso? Sim, parece confuso, mas foi isso mesmo. O Congresso aumentou o número de deputados para evitar que alguns estados perdessem representação.

Mas Lula vetou o projeto, e até agora o Congresso não avaliou se derruba ou não o veto. Na dúvida, Alcolumbre pediu para o Supremo adiar a mudança. E o Fux concordou em adiar a mudança. O caso vai para o colegiado do Supremo.

Mais um veto
Lula, que já tinha vetado o aumento do número de deputados, agora vetou trechos da mudança da Lei da Ficha Limpa que reduziria o tempo de inelegibilidade de políticos. Mais uma para o Congresso decidir se derruba o veto presidencial e fica com a conta.

Tarcísio mansinho

Tarcísio se lançou candidato a presidente e já tinha até slogan: 40 em 4. Agora está todo pianinho porque não quer perder o apoio de Bolsonaro. Hoje foi visitar o nosso ex e garantiu que será candidato à reeleição para governador, e defendeu mais uma vez a anistia para pacificar o país.

Flavitcho, o filho 01 que é senador, deu a real do rolê: parece que Tarcísio vai mesmo receber o aval de Bolsonaro. O senador garantiu que a centro-direita vai estar junta (em outras palavras, parece que Dudu Bolsonaro dançou mesmo).

“O presidente hoje apadrinha o Tarcísio, ele é do nosso campo político. Mas não haverá decisão nenhuma enquanto não soubermos o que vai acontecer com o projeto da anistia. Somente após o processo legislativo, com o seu desenrolar final, poderemos discutir nomes. Não há por que antecipar nada. Enquanto não resolvermos a questão da anistia, não há como tomar decisão com base em achismos ou torcida.”

Israel e Gaza

Hoje Trump anunciou um plano de paz que foi amplamente aceito por Israel. O Hamas parece que não aceita muito. E daí Trump disse que, se o Hamas não aceitar, Israel vai ter que responder. Enfim, parece mais do mesmo, né? Mas o que não é mais o mesmo é o apoio da população americana. Uma pesquisa Times/Siena mostra que, se logo depois dos ataques terroristas promovidos pelo Hamas em 2023, 47% da população se dizia ao lado de Israel e apenas 20% ao lado dos palestinos, agora está assim: 34% estão do lado de Israel e 35% dos palestinos.

Além disso, seis em dez americanos disseram que Israel deveria encerrar sua campanha militar, mesmo que os reféns israelenses restantes não fossem libertados ou o Hamas não fosse eliminado. E 40% dos eleitores disseram que Israel estava matando civis intencionalmente em Gaza, quase o dobro do número de eleitores que concordaram com essa afirmação na votação de 2023.

Por falar em Trump
Lula disse hoje que vai levar a Janja quando for falar com o Trump. Janja fez sinal de não, tipo um “me inclua fora dessa, companheiro”. Até agora, ninguém sabe ainda se, e quando, vai ter a tal conversa da química.

Vida loka, BRASEW. E hoje é só segunda-feira.

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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