sexta-feira, setembro 26, 2025

Salvador sedia encontro da Frente Nacional dos Prefeitos para debater adaptação climática e saúde urbana

 Foto: Valter Pontes/Secom PMS

O prefeito Bruno Reis e o diretor-geral da Codesal, Sosthenes Macêdo, na reunião da Comissão de Adaptação Urbana e Prevenção de Desastres25 de setembro de 2025 | 20:20

Salvador sedia encontro da Frente Nacional dos Prefeitos para debater adaptação climática e saúde urbana

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Salvador sediou, na tarde desta quinta-feira (25), a abertura da 20ª reunião da Comissão de Adaptação Urbana e Prevenção de Desastres (CASD), uma iniciativa da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) com apoio técnico do WRI Brasil. O gestor da capital baiana, Bruno Reis, que também é presidente da CASD, foi o anfitrião do encontro, realizado no Polo de Economia Criativa Doca 1, no bairro do Comércio.

O evento, que tem como tema deste ano ‘Calor Extremo e Saúde nas Cidades’, reúne na capital baiana até esta sexta-feira (26) gestores municipais de diferentes estados, especialistas e parceiros institucionais para debater estratégias de adaptação climática, prevenção de riscos e saúde urbana diante dos impactos das mudanças climáticas.

A abertura também contou com a participação do prefeito de Francisco Morato (SP), Ildo Gusmão; do prefeito de Camaragibe (PE), Diego Cabral; da prefeita de Conde (PB), Karla Pimentel; do prefeito de Santa Bárbara do Tugúrio (MG), Donatinho; e da coordenadora de Adaptação Urbana do WRI Brasil, Lara Caccia.

Também estiveram presentes autoridades municipais de Salvador, como o diretor-geral da Defesa Civil de Salvador (Codesal), Sosthenes Macêdo, que também preside o Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Defesa Civil das Capitais e Grandes Cidades Brasileiras (FNDC), e o secretário municipal de Sustentabilidade, Resiliência e Bem Estar e Proteção Animal (Secis), Ivan Euler.

Na abertura, o prefeito Bruno Reis falou sobre a importância do debate. “A gestão municipal apresenta inúmeros desafios, e reconhecemos que a administração e a organização das cidades já constituem uma tarefa complexa para os gestores. Mesmo com o controle sobre diversos aspectos, a equação entre recursos limitados e necessidades crescentes é sempre um ponto de partida. A isso se somam os imprevistos, como os desastres naturais, que, infelizmente, têm se tornado mais frequentes e intensos a cada ano”, declarou.

“A experiência da prefeita do Conde, na Paraíba, que enfrentou a maior chuva dos últimos 60 anos, é um exemplo dessa realidade que se repete não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Observamos uma crescente intensidade dos fenômenos naturais, com invernos mais rigorosos e verões com temperaturas elevadas. É nesse contexto desafiador que precisamos atuar”, acrescentou Bruno Reis.

O diretor-geral da Codesal, Sosthenes Macêdo, também ressaltou o papel de Salvador na pauta climática. “A Defesa Civil de Salvador tem se destacado em nível nacional. A Prefeitura tem progredido bastante nas discussões sobre mudanças climáticas. Diante desse cenário, alcançamos muitos avanços. Salvador possui protocolos bem definidos para diversas situações, como chuvas, áreas do Centro Histórico, altas temperaturas, períodos festivos, como o Carnaval e o Réveillon. Esses protocolos são implementados visando garantir a segurança dos moradores e turistas”, disse.

Os prefeitos presentes também comentaram suas experiências em seus municípios. “Em Francisco Morato, nos últimos dois meses, registramos mais de 90 ocorrências de queimadas, o que, lamentavelmente, tem gerado consequências preocupantes para a saúde da população. Estar em Salvador e poder acompanhar o trabalho do prefeito Bruno Reis nos proporciona maior resiliência e a possibilidade de implementar estratégias de enfrentamento em nosso município, mesmo que em outros estados”, avaliou Ildo Gusmão, de Francisco Morato (SP).

Na mesma linha, o prefeito de Camaragibe (PE), Diego Cabral, classificou a discussão como um momento para “compartilhar experiências”. “Reconhecemos que os desafios enfrentados pelas cidades frequentemente se assemelham, e a busca por soluções é constante. A participação em encontros como este, que promovem a troca de experiências bem-sucedidas entre os municípios, nos permite identificar soluções para aprimorar a qualidade de vida em nossa cidade. Eventos como este fortalecem o municipalismo”, emendou o gestor.

Ações – Presente na abertura do evento, o titular da Secis, Ivan Euler, reforçou como Salvador tem trabalhado para enfrentar os efeitos do calor. “É um fato que a temperatura global está aumentando, e as cidades estão se tornando mais quentes, especialmente em regiões com menos áreas verdes. As ilhas de calor, que são áreas urbanas com temperaturas mais altas que as áreas circundantes, tendem a se intensificar. Neste evento, nos dois próximos dias, discutiremos o impacto dessas ilhas de calor na saúde humana”, disse.

“No ano passado, a Secis e a Codesal, juntamente com a Ufba, realizaram o primeiro mapeamento das ilhas de calor em Salvador. Mapeamos a temperatura em três períodos distintos do dia – manhã, tarde e noite – para identificar as regiões mais quentes e aquelas com maior tendência a aumentar a temperatura. Com base nesses dados, estamos avaliando quais políticas públicas podem ser implementadas para mitigar as ilhas de calor e reduzir a temperatura. A arborização e a manutenção de áreas verdes, como o projeto Corredor Verde, lançado recentemente, são exemplos de medidas que visam diminuir as ilhas de calor em Salvador”, completou Ivan Euler.

Durante a abertura do evento, Bruno Reis e Sosthenes Macêdo lançaram o livro “Defesa Civil e os Novos Paradigmas”, elaborado pela Prefeitura por meio da Codesal. A obra aborda a mudança de paradigma da Defesa Civil de Salvador, citando os avanços alcançados após sua estruturação, com foco na promoção da segurança da população por meio da prevenção e da redução de desastres. O conteúdo reúne ações e relatos que marcam a trajetória da Codesal, reforçando seu papel como referência nacional.

Programação – A reunião segue nesta sexta-feira (26), com uma visita técnica organizada pela Prefeitura de Salvador para apresentar iniciativas de monitoramento de risco e adaptação climática, além de uma visita guiada à Galeria Mercado Modelo. À tarde, no Doca1, ocorrerá a mesa “Comunicação e Resposta à Saúde em Situações de Calor Extremo”, com Sosthenes Macêdo; Walace Medeiros, secretário de Defesa Civil de Niterói; e Andreza Rodrigues, professora e pesquisadora da UFRJ, sob moderação de Daniel Miranda, da FNP.

Na sequência, será realizada a mesa “Arborização Urbana e Soluções Baseadas na Natureza para Resiliência Climática”, com a participação de Ildo Gusmão, prefeito de Francisco Morato; Maurício Guerra, diretor de Meio Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima; André Fraga, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana; e o titular da Secis, Ivan Euler.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

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