quinta-feira, novembro 28, 2024

Politicamente falando, este ano de 2024 já bateu as botas

 em 28 nov, 2024 8:01

Adiberto de Souza

Embora o calendário 2024 ainda se arraste até 31 de dezembro, em termos políticos o ano acabou no último dia 27, quando os eleitores foram às urnas escolher os futuros prefeitos, a exemplo de Emília Corrêa (PL), eleita prefeita de Aracaju. Depois da campanha do 2º turno, as lideranças políticas vitoriosas ainda comemoram o resultado das urnas, enquanto se arrumam para as festas de diplomação e da posse. Em sua grande maioria, os políticos derrotados colocaram as violas no saco, só devendo voltar a afiná-las ano que vem, de olho nas eleições de 2026. Na Assembleia, o ritmo também é de fim de feira, até porque o cidadão não está muito interessado nos discursos proferidos pelos deputados. Ocorre o mesmo na Câmara Municipal de Aracaju, onde 12 vereadores não reeleitos se despedem do Legislativo na mudança do calendário. Portanto, nesta reta final de 2024 a preocupação da maioria do povo é mesmo com os presentes de Natal e as festas do Ano Novo. Marminino!

Zezinho em Brasília

O vice Zezinho Sobral (PSB) nem bem assumiu interinamente o governo de Sergipe e já viajou à Brasília para participar, hoje, do fórum nacional dos governadores. Serão discutidos temas como segurança pública e reforma tributária. O evento, que terá a presença de pelo menos três ministros, contará com as participações de 17 governadores e quatro vices. Zezinho permanecerá no governo até a próxima segunda-feira, quando o titular Fábio Mitidieri (PSD) retorna da viagem de descanso à Argentina. Aff Maria!

Licitação tá valendo

A prefeita eleita Emília Corrêa (PL) vai ter que aceitar a concorrência feita pela Prefeitura de Aracaju para o transporte coletivo. É que o Tribunal de Justiça derrubou a liminar que suspendia a licitação nesse sentido. Quando o certame foi suspenso, Emília ressaltou o alto custo do processo, que, segundo ela, não favorece diretamente aos usuários do sistema. Diante da decisão judicial, as empresas vencedoras Viação Atalaia e Transportes Sergipe serão responsáveis pelo transporte coletivo de Aracaju, Socorro, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros. Só Jesus na causa!

Desigualdade cruel

O sistema tributário brasileiro provoca um tipo mais profundo de injustiça, pois onera proporcionalmente os mais pobres em relação aos mais ricos. Recente estudo do Instituto de Estudos Socioeconômicos revela que os 10% mais pobres da população comprometem 32% da renda com o pagamento de tributos. Para os 10% mais ricos, o peso dos tributos cai para 21%. Nos 10% mais pobres da população, 68,06% são negros e 31,94%, brancos. A faixa mais desfavorecida é composta por 45,66% de homens e 54,34% de mulheres. Creindeuspai!

Amanhã tem FASC

Começa amanhã e prossegue até domingo, a 39ª edição do Festival de Artes de São Cristóvão (Fasc). Criado há mais de 50 anos pela Universidade Federal de Sergipe, este evento vista divulgar as expressões culturais de Sergipe. Tendo como tema “Cidade Viva”, o Fasc deve atrair para São Cristóvão mais de 55 mil pessoas nos três dias de festa. Além de muita música, a programação do festival também consta de oficinas, palestras, debates e desfile de grupos folclóricos. Participe!

Contra a violência

A vereadora aracajuana Sônia Meire e a deputada estadual Linda Brasil – ambas do Psol – participaram, ontem, em Brasília do Seminário pela Prevenção e Enfrentamento da Violência Política de Gênero e Raça. O evento reuniu mulheres parlamentares, ativistas, jornalistas, advogadas, líderes comunitárias e representantes de organizações da sociedade civil. Durante o Seminário foram debatidas questões da violência política de gênero e raça, além do combate ao neofascismo. “A Democracia só será plena com a garantia dos direitos das mulheres”, afirma Sônia Meire. Supimpa!

Governo paralelo

A bem informada jornalista Rita Oliveira informa que o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), vai criar a Secretaria Metropolitana para entregá-la ao ainda prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT). Comenta-se nas esquinas da cidade que o objetivo do pedessista é “montar” um governo paralelo na capital sergipana que, a partir de 2025, será administrada pela prefeita eleita Emília Corrêa (PL). Aliás, o derrotado prefeiturável governista Luiz Roberto (PDT) já reassumiu a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano, uma das mais importantes do governo Mitidieri. Misericórdia!

Futuro reitor

O Colégio Eleitoral Especial homologou, ontem, o resultado das eleições para reitor e vice da Universidade Federal de Sergipe, que teve como grande vencedor o professor André Maurício. Agora, a lista tríplice será enviada ao Ministério da Educação cabendo ao presidente Lula da Silva (PT) nomear os futuros reitor e vice da UFS. A expectativa da comunidade universitária é que o petista indique o professor André Maurício, que teve mais de 10 mil votos, contra apenas 3.763 votos do segundo colocado, o atual reitor Valter Joviniano de Santana Filho. Aguardemos, portanto!

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Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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