sexta-feira, novembro 29, 2024

Entenda os impactos das mudanças no Imposto de Renda propostas por Haddad

 Foto: Joedson Alves/Arquivo/Agência Brasil

O ministro Fernando Haddad (Fazenda) mesclou uma reforma nas regras do Imposto de Renda ao anúncio do pacote de medidas de contenção de despesas.29 de novembro de 2024 | 08:03

Entenda os impactos das mudanças no Imposto de Renda propostas por Haddad

economia

O ministro Fernando Haddad (Fazenda) mesclou uma reforma nas regras do Imposto de Renda ao anúncio do pacote de medidas de contenção de despesas. O plano prevê que quem recebe mensalmente até R$ 5.000 ficará isento de pagar IRPF –atendendo a uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para compensar a perda de arrecadação com a proposta, estimada em R$ 35 bilhões, o governo definiu também que quem ganha mais de R$ 50 mil por mês passará a pagar o que o ministro está chamando de um “imposto mínimo”, com alíquota de até 10%.

Depois de um anúncio superficial na televisão, os técnicos da equipe econômica ficaram encarregados de detalhar a proposta em uma coletiva a jornalistas nesta quinta-feira (28). Na prática, o alívio será sentido por quem recebe até R$ 6.980 por mês –cifra que, somada com o desconto simplificado, poderá chegar aproximadamente a R$ 7.500.

Veja a seguir o que se sabe até agora sobre a mudança no IRPF proposta pelo governo Lula e como as novas regras podem afetar a vida dos contribuintes brasileiros nos próximos anos.

Como funciona a isenção do IRPF hoje?
A tabela em vigor prevê alíquota zero para quem tem remuneração mensal de até R$ 2.259,20. Mas, desde fevereiro, quem recebe mensalmente até R$ 2.824 –o equivalente a dois salários mínimos– pode ser isento. Para isso, o contribuinte deve optar pelo desconto simplificado de R$ 564,80.

Quanto é cobrado de contribuintes com rendas mais elevadas?
A tabela do IRPF prevê cobranças nominais de até 27,5% para contribuintes com rendas mais elevadas (acima de R$ 4.664,68). No entanto, essa parcela da população costuma ter ganhos concentrados em rendimentos isentos, como a distribuição de lucros e dividendos transferidos de empresas aos seus acionistas. Isso significa que a alíquota efetiva é menor no topo da pirâmide. Para o 1% mais rico, ela corresponde a 4,2% e, para o 0,01% mais rico, a 1,75%

Qual foi a mudança anunciada pelo governo?
Haddad anunciou a ampliação da faixa de isenção no Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 —promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Quais faixas serão beneficiadas?
O alívio no IR será sentido integralmente por quem ganha mensalmente até R$ 5.000. Pela proposta, a tabela do IRPF em 2026 ficará da seguinte forma: até R$ 5.000 é isento; entre R$ 5.000,01 e R$ 6.980, haverá um desconto (abatimento do imposto a pagar) decrescente.

Acima dos R$ 6.980, o mecanismo será mantido como é hoje: combinação entre faixa de isenção e desconto simplificado para garantir a isenção até dois salários mínimos.

Segundo técnicos da Fazenda, a soma do valor de R$ 6.980 com o desconto simplificado poderia chegar aproximadamente aos R$ 7.500 citados por Haddad. Mas isso vai depender caso a caso.

Como fica a situação dos contribuintes de renda mais alta?
Contribuintes com renda acima de R$ 50 mil por mês (R$ 600 mil por ano) terão de pagar uma alíquota mínima de Imposto de Renda.

Qual é o parâmetro que define se o contribuinte será ou não alvo desta medida?
O parâmetro será a alíquota efetiva, que mede o quanto foi pago de imposto em relação à renda total. Isso inclui parcelas tributáveis e isentas, ou seja, salários, aplicações financeiras, lucros e dividendos, entre outros.

Como será a cobrança?
Segundo a pasta, a alíquota começa zerada para quem ganha exatos R$ 600 mil anuais e vai subindo gradualmente. Não há uma cobrança por faixas, mas sim uma fórmula de cálculo, pela qual a Fazenda estima que o imposto mínimo será de 5% para quem ganha R$ 800 mil. Quem ganha R$ 1 milhão, por sua vez, estaria sujeito a uma alíquota de 8%. Acima de R$ 1,2 milhão, vale a cobrança dos 10%.

Quantas pessoas serão atingidas pela ampliação da faixa de isenção?
A correção da faixa para quem ganha até R$ 5.000 vai beneficiar 26 milhões de pessoas. Do total, 10 milhões de contribuintes ficarão isentos e outros 16 milhões passarão a pagar menos imposto.

Quantos serão atingidos pela criação do imposto mínimo?
A criação do imposto mínimo para quem ganha mais de R$ 50 mil por mês deverá atingir 100 mil pessoas, segundo dados apresentados por Haddad em reunião com parlamentares da bancada do PT.

Há alguma outra mudança prevista?
O governo anunciou também a limitação da isenção de IRPF por motivos de saúde a quem ganha até R$ 20 mil por mês. São consideradas doenças graves, por exemplo, AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), cardiopatia grave, cegueira (inclusive monocular), doença de Parkinson, esclerose múltipla, hanseníase, entre outras.

Como ficam as deduções dos gastos com saúde?
As despesas médicas dos contribuintes continuarão a poder ser deduzidas integralmente pelos contribuintes.

Quando todas as mudanças entrarão em vigor?
A ideia do governo é que a isenção de IR para salários de até R$ 5.000 seja debatida pelo Congresso Nacional no ano que vem. Se aprovada, a medida passará a vigorar em 2026.

Adriana Fernandes, Nathalia Garcia e Idiana Tomazelli/FolhapressPoliticaLivre

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

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