terça-feira, novembro 26, 2024

Chegou a hora de fatiar os cargos da Prefeitura de Aracaju

 em 26 nov, 2024 8:21

Adiberto de Souza

Embora não admita publicamente, a prefeita eleita de Aracaju, vereadora Emília Corrêa (PL), deve se reunir, em breve, com os líderes dos partidos aliados para dividir em fatias generosas a grande quantidade de cargos existentes na Prefeitura. Serão contemplados com os melhores pedaços desse bolo os partidos PL, AGIR, PSDB e Cidadania, que integram a coligação vitoriosa. Durante as conversas com os líderes dessas legendas Emília ouvirá o que cada um pretende, para só então dizer o que pode oferecer. Seguramente, o “bolo” a ser colocado à mesa deverá saciar a fome dos partidos, afinal é toda a estrutura administrativa da Prefeitura que será rateada. Tomara que todos os beneficiados com essa divisão estejam mesmo preocupados com um futuro melhor para Aracaju e que não exista entre eles quem pensa apenas em se locupletar, à maneira dos piratas contemplados com a pilhagem dos navios que eram saqueados em alto mar. Home vôte!

Imagens ficam

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou, ontem, maioria de votos para permitir a continuidade do uso de símbolos religiosos em órgãos públicos. A Corte já tem seis dos 11 votos para rejeitar um recurso do Ministério Público Federal, que pede a proibição de crucifixos, imagens de santos e outros objetos nos prédios públicos. Em seu voto, o ministro relator Cristiano Zanin ressaltou que o cristianismo faz parte da formação da sociedade brasileira. Dessa forma, segundo o ministro, a manutenção dos símbolos nas repartições não é inconstitucional. Então, tá!

Discutindo 2026

O governador Fábio Mitidieri (PSD) evita discutir sobre as eleições de 2026 tal qual o diabo foge da cruz. Apesar disso, os aliados dele falam cada vez mais sobre esse palpitante assunto. À boca miúdas, a classe política discute o resultado das eleições deste ano e as suas consequências delas para o pleito de 2026, quando estará na disputa as cadeiras ocupadas hoje por Mitidieri, pelos senadores Rogério Carvalho (PT) e Alessandro Vieira (MDB), além das 24 vagas na Assembleia e das oito na Câmara Federal. Podes crer, será uma briga de cachorro grande. Misericórdia!

Sob nova direção

O promotor de Justiça Nilzir Soares Vieira Junior (D) é o novo procurador-geral de Justiça de Sergipe. O fidalgo foi empossado, ontem, em solenidade das mais concorridas. Nilzir substituiu o promotor Manoel Cabral Machado Neto, devendo permanecer no cargo até 2026. “Teremos um olhar especial para o atendimento ao público, para que todos que tenham seus direitos lesados ou ameaçados encontrem alguém a quem recorrer”, discursou Nilzir. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Sergipe, o novo procurador-geral de Justiça ingressou no Ministério Público em 2003. Boa sorte na nova empreitada!

Poesia premiada

A Câmara Municipal de Aracaju vai premiar, dia 2 próximo, os 10 vencedores do 7° prêmio de poesia Marcelo Deda. Este ano, 271 estudantes participaram do certame, 60% a mais do que em 2023. O 1° lugar foi conquistado pela aluna Taís Aparecida Ferreira Silva, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Bebé Tiúba, localizada no Conjunto Médice. O concurso objetiva incentivar a criatividade literária, a promoção de talentos e a valorização da arte poética. Supimpa!

Jovens covardes

Pesquisa revela que 55% dos jovens com idades entre 15 e 24 anos já praticaram algum tipo de violência contra as mulheres. Feita pelo Instituto Data Popular, a sondagem citou agressões como xingar, empurrar, ameaçar, dar tapa, impedir de sair de casa, proibir de sair à noite, não deixar usar determinada roupa, humilhar em público, dar um soco, obrigar a ter relação sexual sem vontade e ameaçar com arma. Entre as mulheres ouvidas pela pesquisa, 66% disseram já ter sido vítima de um desses tipos de agressões. Creindeuspai!

“A fome faz o homem procurar caminhos nunca andados. O que importa! Ele vai por aí! Todos os caminhos o levam para lugar nenhum. Ele sabe que é macho. Cabra da peste e que vive no agreste, mas é um nordestino sem destino. Seu destino é enfrentar a seca terrível do sertão. Vida de graça. Vida sem graça, Vida desgraçada. Vida desigual”. Como é atual este trecho do romance Vidas Secas, escrito pelo alagoano Graciliano Ramos. Aff Maria!

Divisão de Aracaju

A Procuradoria-Geral do Município promove reunião, hoje, com os representantes do Fórum em Defesa da Grande Aracaju visando discutir sobre a decisão da Justiça alterando os limites geográficos da capital sergipana. A decisão em última instância determina que 20,78 km² do território de Aracaju sejam devolvidos a São Cristóvão. A área em litígio inclui residências, escolas, postos de saúde, estabelecimentos comerciais e espaços de lazer. Marminino!

Batendo pernas

Quem avionou com destino ao exterior foi o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD). Em caráter particular, a viagem do fidalgo para a Argentina deve durar uma semana, período em que o estado será administrado pelo vice Zezinho Sobral (PSB). Antes de assumir o governo, o pessebista se licenciou do cargo de secretário estadual da Educação. No próximo mês, o governador viajará aos Estados Unidos para visitar a filha Ana Célia, que há muito tempo mora na Terra de Tio Sam, onde se formou em Cinema. Quem pode, pode, quem não pode se sacode!

Nova rota turística

O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), sancionou o Projeto aprovado pela Assembleia Legislativa instituindo a Rota Turística “Lagoa dos Tambaquis”, no município de Estância. O objetivo da nova Lei é potencializar o turismo na região, valorizando seus recursos naturais e culturais. A Lagoa atrai mais de 80 mil pessoas ao longo do ano, impulsionando a economia local e fomentando o faturamento de vários restaurantes na região. Ah, bom!

Noite de autógrafos

A jornalista Franciele Oliveira lança, hoje, o livro-reportagem “Quem protege quem? O caso Genivaldo e o medo da polícia”. O lançamento da obra ocorre justamente no dia em que se inicia o júri popular dos três ex-policiais rodoviários federais acusados pela brutal morte de Genivaldo, que foi trancado numa câmara de gás improvisada na viatura da PRF. A noite de autógrafos está agendada para às 19 horas, na Biblioteca Pública Epiphanio Dória, em Aracaju. Prestigie!

INFONET

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas