quarta-feira, agosto 31, 2022

Tarcísio testa popularidade no Brás e promete linha de crédito a empreendedoras




A caminhada do candidato ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) pelo Brás, bairro comercial no centro da capital paulista, chamou a atenção de curiosos e causou leve engarrafamento nas ruas. A movimentação começou tímida, no início da manhã desta terça-feira, 30, mas, à medida que o candidato andava entre as lojas, ouviam-se os gritos favoráveis - mais para seu padrinho político, o presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, de quem ele foi ministro da Infraestrutura, do que a ele próprio.

"Vou votar nele. Se tem o apoio de Bolsonaro, confio", diz Maurício Santos, funcionário de uma das lojas visitadas por Tarcísio. Ele achava que os dois eram do mesmo partido. Se juntavam por ali cerca de 100 pessoas, entre militantes com a bandeira do Brasil amarrada ao corpo, trabalhadores, imprensa e observadores que queriam saber mais das propostas do representante do "mito" em São Paulo. "Até então, só tinha ouvido falar", conta outra colaboradora, Maria da Paixão, hesitante ao ser questionada sobre o cargo que disputa.

Já Eliane Soares, que trabalha na área de Recursos Humanos da empresa, não sabia quem era Tarcísio, assim como outros comerciantes abordados nas ruas. "Deve ser aquele com a bandeira, né?", supõe uma vendedora. Nenhuma tinha voto definido ainda. "Sabe como é brasileiro né, só vai parar para pesquisar no último dia", acrescenta Maria. A exceção dentre as três era Valéria Fernandes, que já escolheu o voto com base no do marido. "Ele falou que as propostas dele eram boas", afirma Valéria, sem saber detalhar quais eram.

A maioria dos apoiadores foi incentivada pelo assessor político do Sindicato dos Comerciário de São Paulo, Regis Cristal, a acompanhar a caminhada do candidato. A mobilização, no entanto, não convenceu o agricultor Paulo Ricci, que mora em Espírito Santo do Pinhal, cidade a cerca de 200 quilômetros da capital paulista, e estava ali para fazer compras. Ricci diz ser "contra a polarização" e se arrependeu de ter votado em Bolsonaro em 2018. "Vou no Garcia", diz. Mesmo depois da passagem do ex-ministro pela loja, Cristina Pigatti, que trabalha há 20 anos no Brás, não se impressionou. "Esse que apertou a mão da gente que é o candidato?", pergunta.

Em busca do voto feminino

Tarcísio de Freitas fez um aceno às mulheres na apresentação das propostas, durante as andanças pelo bairro. Se eleito, ele prometeu criar uma secretaria para a promoção de políticas públicas para mulheres e uma linha de crédito específica para empreendedoras. "Temos várias mulheres com vocação para o empreendedorismo. Se a gente der capacitação e fizer com que o crédito chegue a elas, elas vão decolar", afirma Tarcísio, nesta terça-feira, 30.

O crédito seria concedido através do Desenvolve SP, agente financeiro do Banco do Povo, com o objetivo de oferecer "taxas mais atrativas e prazos mais longos". Ele não detalhou quanto seria destinado a essa linha: "Tem que avaliar conforme a demanda". O candidato ainda falou em apoiar as prefeituras paulistas na extensão dos horários das creches. "As mulheres precisam ter a segurança para deixar seus filhos e poder trabalhar, inclusive até mais tarde, para investir na sua capacitação", argumenta. A terceira medida sobre o tema é combater o assédio sexual e a violência doméstica, através do monitoramento dos agressores.

Segurança pública

O candidato pretende ainda reforçar o efetivo das polícias Civil e Militar, se eleito. Ao final de quatro anos, a promessa é restabelecer o déficit de 25 mil homens - 15 mil na Polícia Civil e 10 mil na Polícia Militar no estado. "É fundamental restabelecer a segurança para que a tenha esse turismo de compras funcionando. A pessoa tem que vir para cá com tranquilidade e precisamos atrair gente do Brasil inteiro", afirma Tarcísio.

Através de um "policiamento ostensivo", da valorização dos salários dos policiais, do reajuste de carga horária e da criação de um plano de carreira, o candidato pretende melhorar a segurança pública no estado. "É fundamental estabelecer o efetivo da Polícia Civil por concurso e valorizar os policiais, para reter os talentos na corporação", disse. A ideia é recompor o efetivo aos poucos, "em função das questões orçamentárias".

Tarcísio de Freitas não é contra nem a favor do uso das câmeras de monitoramento corporais nas instituições. Ele ainda estuda a manutenção delas e fará uma análise com base em experiências internacionais. "Toda política pública merece uma revisão. Vamos verificar em que medida essas câmeras estão afastando o policial do combate ao crime ou colocando ele em desvantagem em relação ao criminoso", pontua.

Redução de impostos

Freitas pretende também reduzir a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), se eleito. Ele quer ainda ampliar o prazo de pagamento do tributo. "A primeira coisa que vamos fazer é reduzir a carga tributária e a alíquota do ICMS e dilatar o prazo para recolhimento do imposto", afirma Tarcísio.

A medida não causaria problema a nível fiscal, segundo ele. "Vamos ter a mesma arrecadação projetada no ano. Para o comerciante, faz uma diferença enorme ter um prazo maior para recolhimento, pós-faturamento", explica Tarcísio. O candidato não deu detalhes sobre o como seria parcelamento nem de quanto seria a redução.

Estadão / Dinheiro Rural

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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