quarta-feira, agosto 31, 2022

"Portugal deveria pedir desculpas por escravidão no Brasil"




Laurentino Gomes, autor de trilogia sobre a escravidão, afirma que o extermínio de negros e indígenas tem consequências reais até hoje e que o gesto do país europeu seria um passo essencial para enfrentar essa herança.

Por Rayanne Azevedo

Agraciado sete vezes com o Jabuti, mais prestigiosa honraria literária no Brasil, o jornalista e escritor paranaense Laurentino Gomes afirma que Portugal deve desculpas ao Brasil pelo seu passado colonial.

Autor de uma trilogia sobre a escravidão – o último volume foi lançado em julho –, Gomes argumenta que a exploração de negros e o extermínio de indígenas têm consequências concretas nos dias atuais, deixaram "feridas abertas" e, portanto, não são comparáveis a "curiosidades históricas" como as injustiças cometidas pelos faraós do Egito ou reis da Pérsia.

Pedir perdão, segundo Gomes, demonstra "uma atitude de reflexão e estudo, de ajudar as gerações atuais a observar esse passado e perceber como ele afeta o presente". Decidir quais outras ações virão a partir daí, contudo, é assunto que compete à sociedade portuguesa discutir democraticamente.

"Quando eu aponto o dedo para Portugal, estou apontando para o Estado brasileiro também", diz o escritor. Para ele, o Brasil pós-Independência foi cúmplice da escravidão e continua a prestar serviços ao sistema escravocrata até hoje ao não oferecer à população negra condições dignas de vida.

Ele chama de "projeto de esquecimento" o fato de a escravidão não ocupar um lugar de destaque na memória nacional dos dois países, o que permite distorcer fatos históricos para "fugir de responsabilidades".

Para Gomes, a ideia do Brasil como democracia racial "é uma premissa errada, que complica a construção do futuro". "Se você acredita nisso, não vai votar em candidatos que se comprometam a enfrentar o legado da escravidão. (...) Vamos continuar nos enganando. E isso só vai complicar as futuras gerações, que vão continuar tomando decisões políticas com base em premissas erradas", adverte.

DW Brasil: Por que você defende que Portugal deve perdão a africanos e negros escravizados?

Laurentino Gomes: Os países, as empresas, as instituições – como a Igreja – são pactos que se perpetuam no tempo. Se uma geração não fez o que deveria ter feito, a outra vai ter que fazer. Se essa ferida continua aberta na forma de racismo, desigualdade social, em que uns têm acesso a determinados privilégios, riquezas, oportunidades, e outros não – e essa é a herança da escravidão –, todo mundo que teve a ver com a escravidão deveria pedir perdão. É o primeiro passo para a construção de um futuro melhor. É fugir do negacionismo e enfrentar o problema.

Há quem argumente que essas coisas aconteceram há muitos anos e diga, como o fizeram alguns intelectuais portugueses à imprensa de lá, que "a maioria não tem qualquer responsabilidade no processo colonial".

Ouço muito essa conversa em Portugal. "Ah, isso passou… Por que eu vou me preocupar com a escravidão? O número de negros em Portugal é muito pequeno comparado com o Brasil". É a mesma lógica que Bolsonaro usa hoje para não enfrentar o legado da escravidão e adotar políticas públicas adequadas – quando ele diz que eram os próprios africanos que escravizavam, os portugueses nem entravam na África. Ou seja: "É culpa deles, eles que se virem, eu não tenho nada a ver com isso". São argumentos históricos que são distorcidos, de forma proposital, para fugir de responsabilidades.

Não adianta a gente se esconder no passado. Não é [como] o exílio de Israel na Babilônia, os faraós do Egito, os reis da Pérsia… Não é uma curiosidade histórica. Claro que [esses eventos] têm consequências hoje. O problema é que [no caso da escravidão] a ferida continua aberta. Milhões de pessoas continuam sofrendo pelas consequências do que aconteceu.

Portugueses e brasileiros juntos foram responsáveis por mais da metade das viagens de navios negreiros, traficaram 5,8 milhões de seres humanos ao longo de 350 anos – mais da metade dos 10,8 milhões que chegaram à América. Os principais traficantes no Brasil, mesmo depois da Independência, até 1850, eram portugueses – muitos são homenageados em ruas e estátuas no Rio de Janeiro e em Salvador.

Existe uma responsabilidade por uma tragédia humanitária que foi a escravidão, e que não é uma nota de rodapé nos livros de história. O Brasil é um país pobre e subdesenvolvido, tanto quanto os países africanos de língua portuguesa, por causa da escravidão. Existe um mar de pessoas que foram traficadas, açoitadas, que não tiveram o direito de construir as suas famílias de forma digna.

Acha que Portugal deve desculpas por outras coisas?

O colonialismo destruiu a África no século 19 – e as consequências estão lá até hoje. O massacre dos indígenas, que começou em 1500, com a chegada dos portugueses, continua acontecendo no Brasil. A primeira carga de pessoas escravizadas que cruzou o Atlântico não veio da África para o Brasil; saiu da Bahia, em 1511, levando indígenas que foram leiloados em Lisboa. Nos três primeiros séculos da colonização, Brasil e Portugal mataram cerca de 3 milhões de indígenas – com doenças, invasões de território e guerras. E há consequências hoje. Está aí mais uma frente importante para um pedido de desculpas – até porque outros países têm feito isso.

Esse pedido de desculpas deveria se restringir a uma declaração, ou incluir atos concretos de reparação?

Não estou numa campanha para que Portugal peça perdão. Acho que esse é um assunto do governo e dos cidadãos portugueses. A consequência disso aí [um pedido de desculpas] é uma discussão que se dá num ambiente democrático. Portugal poderia adotar um tratamento preferencial em relação às vítimas da escravidão – como deu aos sefarditas o direito de cidadania até recentemente? Pode ser, mas aí não é mais meu campo. Vai ter que pagar indenização? Não necessariamente. Eu não estou impondo uma carga de responsabilidade financeira, porque realmente é um país que tem dificuldades orçamentárias. O que estou dizendo é que [pedir perdão] é uma atitude de respeito em relação ao passado, de reconciliação e enfrentamento da herança escravista que continua presente entre nós. É um passo fundamental para um diálogo mais maduro, entre pessoas que realmente se tratam como iguais.

Agora, acho que não dá para fugir do pedido de perdão alegando, por exemplo, que Portugal não tem dinheiro para pagar indenização. Ninguém está falando que Portugal agora vai ter que indenizar a África inteira, toda a população negra do Brasil. Nem o Brasil fez isso até agora.

Passados 200 anos da Independência brasileira, qual é a parcela de responsabilidade brasileira pela história que se desenrolou de lá para cá?

Quando eu aponto o dedo para Portugal, estou apontando para o Estado brasileiro também, que nunca teve a dignidade de pedir desculpas pelo papel que desempenhou em relação às pessoas escravizadas e aos seus descendentes do século 19 até agora. Depois da Independência, o Império brasileiro foi cúmplice com o tráfico de mais de 1 milhão de pessoas e prestou serviços ao sistema escravocrata até a Lei Áurea, em 1888. E eu diria que continua prestando os serviços até hoje quando não dá à população descendente de escravos boas oportunidades de educação, moradia e segurança.

Eu sei que o Lula foi à Ilha de Goreia [no Senegal, em 2005] e pediu desculpas pelo tráfico negreiro. Achei louvável, mas só isso não basta. O Estado brasileiro, formalmente, não fez esse pedido de desculpas. Isso ajudaria muito na hora de discutir as políticas afirmativas e de compensação.

Acha que a cultura da memória sobre o período colonial é falha em Portugal?

Recentemente houve na Holanda uma exposição de arte da época da ocupação holandesa no Brasil. Lá no meio tinha uma placa: "É sempre bom lembrar que tudo isso foi construído com sangue e sofrimento e suor de pessoas escravizadas". É um detalhe, mas que mostra uma atitude de busca de reconciliação. 

Portugal inaugurou recentemente um belíssimo museu do ouro e do diamante em Lisboa sem uma única menção à escravidão. Acho indigno isso. Lá tem uma pepita de ouro de 20 quilos e uma quantidade inacreditável de diamantes – quando quem garimpava ouro e diamante no Brasil eram pessoas escravizadas. O auge da escravidão no Brasil se deu durante o ciclo do ouro e do diamante em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

Essa mitologia de Portugal – navegador, explorador – é tão forte na formação da identidade portuguesa que as pessoas acham que não cabe a escravidão. É a mesma razão pela qual o Brasil nunca teve um grande museu nacional da escravidão e da cultura afro-brasileira. É um projeto de esquecimento. Mais do que isso: é um projeto de fingimento.

Não estou propondo que alguém comece a se chicotear e se punir agora pelos erros do passado. Põe lá: "Tudo o que você está vendo foi construído com mão de obra cativa”. É um gesto aparentemente banal, mas que mostra uma atitude de reflexão e estudo, de ajudar as gerações atuais a observar esse passado e perceber como ele afeta o presente. É isso que estou propondo.

É muito comum você encontrar em Portugal pessoas muito bem intencionadas, simpáticas, que dizem: "Que bom que você vai ter a oportunidade de falar a verdadeira língua portuguesa aqui". Como se as ex-colônias fossem um subproduto da civilização portuguesa – na língua, nos costumes, na culinária, no jeito de se expressar, nas relações políticas. É uma atitude de arrogância colonialista que complica um pedido de desculpas.

Você acredita que, com esse pedido de desculpas, Brasil e Portugal terão consciência históricas diferentes?

A história constrói a identidade. Mas essa identidade é, às vezes, usada para fins políticos, de manipulação, opressão. Por isso que a história é tão manipulada por governos, partidos políticos. Existe esse revisionismo histórico que não acontece por acaso, que produz dividendos políticos. Está acontecendo hoje nos Estados Unidos sob o trumpismo, acontece sob o bolsonarismo no Brasil. A Rússia usou o revisionismo histórico como desculpa para invadir a Ucrânia.

A história tem um poder político grande na construção do futuro. Por isso que a gente tem que ser honesto em relação ao estudo e à reflexão da história. Porque se a gente manipula o passado ou subestima ele, nós entramos num processo de autoengano e passamos a construir o futuro com premissas erradas. Isso é grave numa democracia.

Essa ideia de que o Brasil teve uma escravidão melhor do que em outras regiões do planeta é uma herança [da ideia] do português que se misturava muito facilmente com outras culturas – o resultado seria uma grande democracia racial, exemplar. É uma premissa errada, que complica a construção do futuro. Porque se você acredita nisso, não vai votar em candidatos que se comprometam a enfrentar o legado da escravidão.

A história tem consequências hoje. E se a consequência é um pedido de desculpas, vamos fazer já, ou vamos continuar nos enganando. E isso só vai complicar as futuras gerações, que vão continuar tomando decisões políticas com base em premissas erradas.

Deutsche Welle

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas