quarta-feira, agosto 31, 2022

Valmir de Francisquinho não é Lula da Silva

 em 31 ago, 2022 8:07

Quer apostar uma mariola de goiaba como o ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho (PL), não disputará as eleições deste ano? Diferente do que ele e os seus aliados tentam fazer acreditar, dificilmente o Tribunal Superior Eleitoral voltará atrás na condenação do distinto por abuso do poder econômico no pleito de 2018. Quem ainda acredita numa reviravolta em favor do candidato a governador de Sergipe, argumenta que não seria a primeira vez que a Justiça revisaria uma decisão. É vero! O último exemplo disso foi o processo do ex-presidente Lula da Silva (PT). Após ter sido condenado em quase todas as instâncias, o “Barba” conseguiu que o Supremo Tribunal Federal anulasse suas condenações, tornando-o elegível. Ora, mas Valmir não é Lula! Portanto, é mais fácil um boi voar, do que os ministros do TSE voltarem atrás em suas decisões. Como todo condenado, o ex-prefeito tem direito ao jus sperniandi, porém isso é insuficiente para provocar uma reviravolta no processo. O resto é firula para manter a clima de campanha, na expectativa de transferir parte dos votos de Francisquinho para o seu substituto. Quem viver, verá!

Trabuco proibido

Está proibida a circulação de pessoas armadas nos locais de votação no dia das eleições. Conforme a decisão do Tribunal Superior Eleitoral, mesmo quem possui porte de arma não poderá entrar armado nas seções eleitorais ou permanecer com o trabuco no perímetro de 100 metros do local de votação. A restrição atinge os grupos de colecionadores, atiradores desportivos e caçadores que possuem registros legalizados de armamento e munição. Pela medida, somente integrantes das forças de segurança que vão trabalhar nas eleições poderão estar armados no dia do pleito. Certíssimo!

Bateu em retirada

O deputado estadual Gilmar Carvalho (PL) desistiu de disputar a reeleição. Esta informação é do jornalista Diógenes Brayner, que revela tê-la obtido “em super off, por uma fonte bem avisada. Gilmar vai comunicar oficialmente a sua decisão ao Partido Liberal nesta ou na próxima semana. A informação é que não haverá recuo”, escreve o bem informado colunista político. Hoje cedo, esta coluna pediu a Gilmar Carvalho maiores explicações sobre a anunciada desistência, porém ele deu calado por resposta às duas mensagens enviadas pelo WhatsApp. Então, tá!

Pobres de Marré De Ci

A maneira como são distribuídos os recursos do Fundo Eleitoral é pra lá de injusta. Como a divisão da grana fica a critério dos partidos, enquanto uns candidatos recebem uma bolada, outros ficam a pão e água. Também chama a atenção a maneira como o Fundo provoca uma desigualdade na disputa pelo governo estadual. Partidos sem representação no Congresso comem o pão que o diabo amassou. O candidato Fábio Mitidieri (PSD), por exemplo, já teve direito a R$ 2,6 milhões do Fundo Eleitoral, enquanto Cláudio Geriatra (DC) e Elinos Sabino (PSTU) não receberam um único centavo. Os postulantes à vaga do Senado Airton Costa (DC) e Heraldo Goes (PSTU) também não viram a cor da ajuda financeira. Home vôte!

Candidatura liberada

O deputado federal Fábio Henrique (UB) obteve uma liminar lhe garantindo o registro da candidatura à reeleição. Concedido pelo juiz federal Edmilson Pimenta, o remédio jurídico afasta provisoriamente a inelegibilidade do parlamentar, proposta pelo Tribunal de Contas da União, com base na rejeição das contas da Prefeitura de Socorro na gestão de Fábio. Visando contestar o pedido de impugnação da candidatura feito pelo Ministério Público Eleitoral, o deputado se apressou em protocolar a liminar no Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe. Ah, bom!

Pedindo votos

Como todos os candidatos, o deputado federal João Daniel (PT) está nas ruas pedindo votos para a sua reeleição. Ontem, o petista visitou canteiros da construção civil na Barra dos Coqueiros e em Aracaju para fazer panfletagem e detalhar a mensagem política do presidenciável Lula da Silva (PT). Presidente estadual do Partido dos Trabalhadores, Daniel revela que o apoio dos sergipanos ao “Barba” é extraordinário, devendo crescer ainda mais até as eleições. Aff Maria!

Cadê a grana?

O clima anda super quente pras bandas do PT sergipano. Ao menos é o que faz crer uma postagem no WhatsApp atribuída à candidata petista a deputada federal Dandara Esperança Vermelha. A moça reclama que, dos R$ 450 mil a serem repassados pelo partido para a campanha dela, recebeu como primeira parcela R$ 135 mil, ao invés do esperado R$ 250. Diante disso, Dandara partiu para a ameaça. Segundo ela, se o restante do dinheiro não entrar na conta de sua campanha, vai comunicar o fato ao Tribunal Regional Eleitoral, divulgar na imprensa o que aconteceu e retirar a candidatura. Esta informação é do blog do jornalista Cláudio Nunes. Danôsse!

Disputa no TJ

O Tribunal de Justiça de Sergipe está com uma vaga de desembargador aberta em função da aposentadoria do magistrado José dos Anjos, que completou 75 anos na última sexta-feira. Seu substituto será escolhido pelo critério de merecimento, podendo concorrer à cadeira do Pleno os 17 juízes de Direito mais antigos. Estão na disputa os magistrados e magistradas João Hora Neto, José Pereira Neto, José Anselmo de Oliveira, Maria da Conceição da Silva Santos, Bethzamara Rocha Macedo, Marcelo de Castro Britto, Manoel Costa Neto, Cristiano José Macedo Costa, Aurea Corumba de Santana, Gardênia Carmelo Prado, Sérgio Menezes Lucas, Maria Angélica Garcia Moreno Franco, Vânia Ferreira de Barros, Edivaldo dos Santos, Simone de Oliveira Fraga, Fernando Clemente da Rocha e Elbe Maria Franco do P. de Carvalho. Boa sorte a todos e todas!

Endereços errados

O ex-deputado estadual Jorge Araújo (PSD) anda preocupado com a identificação das vias públicas de Aracaju. Segundo ele, estão sendo colocadas placas com informações equivocadas nas ruas e avenidas do centro da capital. Jorge informa que a Avenida Barão de Maruim, por exemplo, vai da Praça Camerino até a Praça da Bandeira. O primeiro trecho daquela via, ligando a Avenida Ivo do Prado (Rua da Frente) à Camerino, chama-se Travessa João Francisco da Silveira. “A Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), portanto, está orientando errado e descaracterizando a nomenclatura de várias vias de Aracaju”, denuncia o jornalista Jorge Araújo. Creindeuspai!

Informação requentada

Parece que tem faltado fatos novos para ajudar na divulgação da campanha do candidato a governador Fábio Mitidieri (PSD). Exemplo disso é o release distribuído com a imprensa informando que o ilustre acaba de receber o apoio dos prefeitos de Estância, Gilson Andrade, e de Riachão do Dantas, Simone de dona Raimunda. Ora, foi o próprio candidato quem atraiu os dois gestores para o PSD, em 2020. Portanto, como de lá pra cá não houve nada que mudasse as boas relações entre os três, não há qualquer novidade em doutor Gilson e Simone estarem apoiando Mititieri. O fato novo seria se o prefeito e a prefeita apoiassem outro candidato ao governo. Misericórdia!

Golpe na cultura

O deputado federal Márcio Macedo (PT) acusa o presidente Jair Bolsonaro (PL) de, na calada da noite, ter publicado duas Medidas Provisórias adiando para 2023 e 2024 o repasse de recursos para a cultura através das Leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc 2. Segundo o petista, esta foi “mais uma manobra para retirar o direito do povo brasileiro ter acesso à cultura”. As duas Leis garantem o repasse de R$ 5,5 bilhões para o setor cultural. Como os textos das MP’s não trazem justificativas para o adiamento, parlamentares estão pressionando o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD), a devolver as duas Medidas Provisórias ao Palácio do Planalto. Marminino!

INFONET

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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