terça-feira, agosto 30, 2022

Valmir lembra um moribundo à espera da extrema-unção

 em 30 ago, 2022 8:16

Ediberto de Souza

A liminar rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral deixou claro ser insustentável a candidatura de Valmir de Francisquinho (PL) ao governo de Sergipe. Inelegível após ter sido condenado pelo próprio TSE por abuso do poder econômico, o político liberal esperneia para continuar na disputa, porém a situação jurídica dele é pra lá de delicada. Dizer que haverá reviravolta quando os embargos de declaração forem julgados é querer se enganar ou iludir os eleitores que torcem por Valmir. À boca miúda no meio jurídico esse último recurso à disposição dos condenados é chamado de “embargos protelatórios”, pois a defesa invoca teses mirabolantes apenas para adiar o decurso do processo. Este jogo de empurra permite suspeitar que o PL está protelando para reconhecer a inelegibilidade do candidato. O objetivo é só trocá-lo quando a eleição estiver mais próxima, na tentativa de transferir as intenções de votos para o substituto. Portanto, diante da quase impossibilidade de desfazer a condenação junto ao TSE, Valmir se parece com um moribundo à espera da extrema-unção. E a provável rejeição dos embargos terá o efeito de uma pá de cal na candidatura natimorta. Misericórdia!

Fora do páreo

Filiado ao Solidariedade, Sérgio Henrique Rodrigues Santos teve rejeitado o registro de sua candidatura a deputado federal. Os magistrados do Tribunal Regional Eleitoral se fundamentaram no fato de o suplicante não ter prestado contas dos gastos que fez quando disputou as eleições de 2020. A falta de quitação eleitoral levou o juiz-relator Marcelo Augusto Costa Campos a propor a rejeição do registro, sendo seguido pelos demais magistrados. Na mesma sessão, o TRE aprovou a criação da Federação Psol-Rede Solidariedade, porém proibiu esta última legenda de receber recursos enquanto não regularizar a sua inadimplência relativa ao exercício financeiro de 2018. Marminino!

Diálogo aberto

Sabatinado na Associação dos Delegados de Polícia de Sergipe, o candidato a governador Fábio Mitidieri (PSD) disse que não há como atender as reivindicações salariais da categoria já no primeiro ano de mandato. Ele prometeu, contudo, manter o diálogo aberto em torno da valorização dos delegados de polícia. O pessedista disse ainda que se eleito valorizará os servidores da segurança durante todo o mandato. Mitidieri também garantiu que vai recuperar as delegacias do interior sergipano, começando pelas que se encontram em petição de miséria. Home vôte!

Agora vai!

A candidata à Presidência, Vera Lucia (PSTU), anda prometendo um futuro brilhante para a juventude, em especial para os jovens negros e pobres das periferias, vítimas de violência policial e do desemprego. Segundo ela, é preciso promover uma inversão imediata da realidade com a geração de “emprego para todos os jovens, como parte do plano de obras públicas; auxílio emergencial de um salário mínimo para todos os jovens desempregados; fim da violência policial contra a juventude negra; garantia de educação e saúde públicas gratuita e de qualidade”. O problema para que tudo isso ocorra é que antes Vera precisa ser eleita presidente. Aí é onde porca torce o rabo!

Parceria francesa

Aracaju recebeu a visita dos técnicos Laetitia Dufay e Fernando Pacheco, integrantes da Agência Francesa de Desenvolvimento. Ambos definiram com o prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) temas prioritários à mobilidade urbana e à recuperação do centro e políticas públicas com foco no protagonismo feminino. A ideia é a capital sergipana avançar na integração dos modais, permitindo uma efetiva melhora do sistema de transporte como um todo. Sobre as questões de gênero, Laetitia e Pacheco discutiram com o prefeito sobre ações que garantam a igualdade entre mulheres e homens. Supimpa!

Eleições indefinidas

O elevado índice de eleitores indecisos ou dispostos a anular os votos, revelado por todas as pesquisas, mostra que os sergipanos ainda não se envolveram com a campanha eleitoral. As consultas de opinião pública mostram que a soma dos que ainda não definiram candidatos a governador e senador com os que prometem não votar em nenhum deles, supera os postulantes melhor avaliados. Claro que com a aproximação do pleito estes índices serão reduzidos drasticamente. Portanto, quem cantar vitória neste momento, pode se surpreender quando as urnas forem abertas em outubro. Creindeuspai!

Feira saudável

Aracaju recebe, a partir de hoje, a 7ª Feira Estadual da Reforma Agrária promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A feira, que prosseguirá até a próxima sexta, acontece na Praça Dom José Thomaz, Bairro Siqueira Campos. Cerca de 100 famílias assentadas e acampadas das cinco grandes regiões de Sergipe vão trazer em torno de 80 toneladas de alimentos, entre frutas, verduras e seus derivados. O evento objetiva fazer circular a produção agrícola dessas famílias, e também de conscientizar a população sobre os cuidados com a alimentação e o consumo de alimentos orgânicos. Prestigie!

Título virtual

Mais de 27 milhões de eleitoras e eleitores emitiram o e-Título, a versão digital do título eleitoral, que substitui o documento em papel e permite, entre outras facilidades, a consulta ao local de votação e a verificação da existência de débitos eleitorais. Por meio do aplicativo, também é possível justificar a ausência às urnas, bem como emitir certidões de quitação eleitoral e nada consta criminal eleitoral. Pessoas que cadastraram a biometria na Justiça Eleitoral antes da pandemia e têm a fotografia exibida no app poderão utilizar o e-Título como forma de identificação nas próximas eleições. Aff Maria!

Abandonada pelo MDB

Dependesse de MDB sergipano, a candidata à Presidência da República, senadora emedebista Simone Tebet, estaria no mato sem cachorro. É que o partido da fidalga no estado preferiu apoiar o presidenciável Lula da Silva (PT). Diante disso, a moça só não ficou sem palanque aqui na terrinha graças ao PSDB do candidato a governador Alessandro Vieira. Aliás, o tucano se desmancha em elogios à colega de Senado: “Orgulho imenso de ter Simone Tebet como amiga e, principalmente, como minha candidata à Presidência. Mulher séria, qualificada e corajosa. Está prestando um extraordinário serviço para a democracia”, discursa Vieira. Então, tá!

Pés de cana no volante

Apesar das campanhas contra o consumo de álcool no trânsito, ainda é alto o número de pessoas que dirigem embriagadas. A conclusão é de uma pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas. O estudo também revela que as ações repressivas contra esse tipo de crime, como o teste do bafômetro, atingiram um baixo percentual de condutores. Apesar de 85% dos indivíduos entrevistados referirem ter bebido e dirigido nos últimos 12 meses, apenas 9,2% disseram ter sido parado alguma vez na vida para fazer o teste do bafômetro. Só Jesus na causa!

INFONET

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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