quarta-feira, agosto 31, 2022

Nos EUA, 43% consideram guerra civil "provável" em dez anos




Pesquisa aponta que a maioria dos americanos vê aumento da divisão e da violência política desde 2021. Republicanos são mais propensos a crer que hostilidades podem culminar em uma guerra civil na próxima década.

Dois em cada cinco americanos acreditam que uma guerra civil nos Estados Unidos é pelo menos um pouco provável na próxima década. Considerando a orientação política dos entrevistados, a ideia é ainda mais forte entre republicanos do que entre democratas.

O dado é de uma pesquisa realizada pela empresa de sondagens YouGov e a revista The Economist, que indagou cidadãos sobre mudanças no clima político do país e o que eles esperam no futuro.

Questionados sobre a probabilidade de haver uma guerra civil em território americano nos próximos dez anos, os participantes podiam responder entre muito provável, um pouco provável, não muito provável e nada provável.

Enquanto 43% responderam que uma nova guerra civil é muito ou um pouco provável na próxima década, 35% acham não muito ou nada provável. Outros 22% não têm certeza.

Entre aqueles que se identificam como republicanos ferrenhos, a porcentagem dos que acreditam em uma guerra civil sobe para 54% – sendo um em cada cinco dizendo ser muito provável. Outros 30% consideram não muito ou nada provável, e 16% não têm certeza.

Já entre os democratas ferrenhos, 40% responderam ser pouco ou muito provável, 39%, não muito ou nada provável, e 21% estão incertos.

Mais divisão e violência política

A ideia está ligada à forma que os americanos enxergam o cenário político nos EUA hoje, com a maioria dizendo acreditar que a polarização e a violência política estão afloradas e só devem piorar.

Dois terços dos entrevistados (66%) acreditam que as divisões políticas aumentaram desde o início de 2021, em comparação com apenas 8% que dizem que o país ficou menos dividido.

A perspectiva não é boa para o futuro próximo. Segundo a pesquisa, 63% acreditam que essas divisões vão aumentar nos próximos anos, enquanto 7% acham que vão diminuir.

Os apoiadores do Partido Republicano são mais propensos a considerar a sociedade dividida. Entre eles, 79% acham que a divisão política aumentou desde o ano passado, e 72% preveem que ela vá aumentar nos próximos anos. Já entre os democratas, essas porcentagens são de 59% e 58%, respectivamente.

As respostas dos entrevistados foram semelhantes quando questionados sobre violência política. Ao todo, 65% responderam que a violência política aumentou desde o início de 2021, e apenas 8% acreditam que ela diminuiu.

Além disso, 62% pensam que a violência política vai aumentar nos EUA nos próximos anos, diante de apenas 9% que acreditam que ela vai diminuir.

Apoiadores de Trump

Em 6 de janeiro de 2021, o país testemunhou um episódio que se tornou símbolo das hostilidades políticas. Centenas de apoiadores do então presidente Donald Trump invadiram o Capitólio, sede do Congresso americano em Washington, durante uma sessão para confirmar a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais de 2020. Alegando fraude no pleito, o republicano Trump havia instigado a multidão a marchar até o prédio.

Nove mortes, incluindo suicídios de policiais, foram relacionadas ao ataque. Desde então, os temores de violência política aumentaram nos Estados Unidos.

A nova pesquisa vem na esteira de uma retórica ainda acalorada entre os apoiadores de Trump, que agora é alvo de investigações por ter retido documentos confidenciais depois de deixar a Casa Branca. Os materiais foram recuperados pelo FBI na residência do ex-presidente neste mês.

No último domingo, o senador republicano Lindsey Graham previu "motins nas ruas" se Trump for indiciado formalmente pelo caso. A fala gerou repúdio generalizado.

Mary McCord, ex-vice-procuradora-geral, afirmou à emissora CNN que é "incrivelmente irresponsável uma autoridade eleita basicamente fazer ameaças veladas de violência, apenas porque a polícia e o Departamento de Justiça fazem seu trabalho".

Segundo McCord, dizer que "as pessoas estão com raiva e podem se tornar violentas" mostra "o que Trump sabe e o que Lindsey Graham também sabe: que as pessoas ouvem isso e as pessoas realmente se mobilizam e fazem coisas". Para ela, "6 de janeiro foi resultado desse mesmo tipo de tática do presidente Trump e de seus aliados".

Deutsche Welle

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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