segunda-feira, junho 27, 2022

Bolsonaro tenta impedir processos por criar auxílio caminhoneiro ilegalmente

Publicado em 27 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Bolsonaro acumula contradições em três anos e meio de governo; veja a lista  - CartaCapital

Jair Bolsonaro pensa (?) que pode burlar a lei impunemente

Weslley Galzo
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro (PL) editou um decreto nesta segunda-feira, 27, para tentar se proteger de eventuais processos que levem à impugnação de sua candidatura à reeleição pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A medida publicada no Diário Oficial da União atribui temporariamente ao advogado-geral da União, Bruno Bianco Leal, a palavra final sobre a legalidade dos atos do governo nas áreas eleitoral e financeira, criando um respaldo jurídico a mais a Bolsonaro contra eventuais medidas que o levem a responder na Justiça por condutas vedadas aos agentes públicos durante o ano de eleição

AUXÍLIO ILEGAL – O governo aposta na criação do chamado “auxílio caminhoneiro”, no valor de R$ 1 mil mensais, para manter o apoio da categoria, que é tida como estratégica pela campanha do presidente. Uma forma de viabilizar a proposta seria decretar estado de calamidade pública, abrindo margem para o governo realizar investimentos fora do teto de gastos.

Especialistas, contudo, vêm indicando que a proposta do Planalto pode ser enquadrada na Lei Eleitoral, o que levaria a consequências como a impugnação do registro de candidatura de Bolsonaro, cassação de mandato e inelegibilidade por 8 anos.

O advogado eleitoral Renato Ribeiro, doutor em direito pela Universidade de São Paulo (USP), explica que a manobra do governo tem pouca margem de êxito, caso seja alvo de contestação na Justiça Eleitoral

NÃO HÁ CALAMIDADE – “O Brasil está muito longe de uma situação que poderia se enquadrar na calamidade pública. A gente não está em uma situação emergencial. Nós temos um custo elevado decorrente de duas situações especiais: política de preços da Petrobras e guerra na Ucrânia. É forçoso o argumento de que isso justificaria uma atividade emergencial por parte do governo federal. É um argumento que não se sustenta”, afirmou o especialista.

O decreto determina que os atos de Bolsonaro passarão, a partir de agora, por duas instâncias de análise: a primeira no Palácio do Planalto, na Secretaria de Assuntos Jurídicos, e a segunda na AGU.

Mas o advogado Luiz Gustavo, da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, explica que a criação de apoios financeiros como o “auxílio caminhoneiro” é proibida no ano das eleições, com exceção da existência de um estado de calamidade.

FIM ELEITOREIRO – Segundo o advogado, no entanto, é necessário que o benefício tenha relação com as causas da situação emergencial. “O que não parece ser o caso da instituição do “auxílio caminhoneiro” já que o aumento de preços dos combustíveis decorrente de um processo inflacionário não se enquadra no conceito de emergência ou calamidade”, completou.

Para o professor de direito constitucional da USP Rubens Beçak, a decisão de Bolsonaro visa centralizar na AGU – e em seu homem de confiança no órgão, Bruno Bianco Leal – a função de chancelar as propostas do governo para que não passem desapercebidos eventuais crimes eleitorais.

“O temor do presidente é de fazer qualquer coisa que possa ser imputada pela Justiça Eleitoral como criminosa ou indevida, sobretudo quem disputa a reeleição. Como ele domina a máquina pública, a possibilidade de cometer um deslize é muito grande, como a questão do ‘vale caminhoneiro’, que teria um fim eleitoreiro ou não”, afirmou.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Em tradução simultânea, o decreto é infantil e não impede que Bolsonaro fique inelegível se criar o Auxílio Caminhoneiro. Com isso, abrira caminho para a vitória de Ciro Gomes ou Simone Tebet. Nada mal. Seria um final feliz para o Brasil. (C.N.)

Em destaque

Aliados de Flávio temem que filme reabra crise do financiamento às vésperas da eleição

Publicado em 23 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Novo núcleo da campanha defende antecipar filme Luís...

Mais visitadas