quarta-feira, junho 29, 2022

Bolsonaro faz AGU virar AG Eu




Passando dos limites

Por Gilberto Menezes Côrtes  

Jair Bolsonaro passou de todos os limites. Após afrontar leis fiscais (teto de gastos) e eleitorais com o pacote de bondades de mais de R$ 100 bilhões para tentar virar o jogo eleitoral favorável ao ex-presidente Lula, o presidente da República editou nessa 2ª feira um decreto que dá poderes para que a Advocacia-Geral da União (AGU) opine se atos do governo visando a favorecer a reeleição do presidente neste ano ferem ou não a legislação eleitoral já durante o processo interno de elaboração desses atos.

Pelo decreto, que visa agilizar a adoção de medidas em ano eleitoral, como a criação do auxílio para caminhoneiros e a ampliação do Auxílio Brasil (de R$ 400 para R$ 600) em discussão no Congresso com apoio do governo, a Advocacia Geral da União, atualmente chefiada pelo advogado Bruno Bianco, o fala mansa que até meados do ano passado atuou no ministério da Economia, passa a dar pareceres prévios não só para a União, mas à figura do presidente da República, candidato à reeleição. Qual Luís XIV, o Rei Sol, da França, Bolsonaro ignora a Constituição, os demais poderes e a harmonia que deve existir entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, guardião da Constituição.

A lei eleitoral proíbe a criação e a ampliação de benefícios sociais no ano do pleito, mas o governo e parlamentares tentam driblar a regra. Pelo decreto de Bolsonaro, compete ao advogado-geral da União dar parecer sobre "os tópicos em propostas de atos normativos que gerem dúvidas quanto à conformação com as normas de Direito Eleitoral e de Direito Financeiro, no último ano do mandato presidencial".

Em condições normais, as consultorias jurídicas de cada órgão do governo afetado por uma decisão da presidência teriam de dar o parecer inicial. Agora, a AGU toma a iniciativa e seu parecer passa a ter valor absoluto.

Bons sinais da China animam mercado

Sinais de que as atividades econômicas vão ser retomadas na China, após controle dos surtos de Covid em Pequim e Xangai animaram os mercados de ações e commodities, com reflexos sobre o Brasil. O minério de ferro apresenta alta superior a 4,5%, o que impulsionou ações da Vale na B3, onde o Ibovespa avançava mais de 1%, enquanto o dólar tinha nova queda, se estabilizando na faixa de R$ 5,21.

Entretanto, os resultados negativos da sondagem da confiança do consumidor americano em junho esfriaram os ânimos dos investidores, provocando reversão da alta inicial dos indicadores de ações nos Estados Unidos.

Estagflação e criptos, os temores do BIS

O BIS, o Banco de Compensações Internacionais, com sede em Basiléia (Suíça) é considerado o “Banco Central dos Bancos Centrais”. Os parâmetros de Basiléia (revisados a cada ano) balizam os índices de solvência que bancos precisam ter com aporte de capital e reservas capaz de suportar níveis de alavancagem (empréstimos e exposição em determinados ativos) da carteira.

Em seu informe anual divulgado domingo, o BIS demonstrou duas preocupações: 1 - com o risco de estagflação (escalada da inflação, que os BCs procuram controlar mediante elevação das taxas de juros e maiores restrições monetárias, derivar em forte desaceleração da economia, já pressionada pela contração do comércio após as consequências da invasão da Ucrânia pela Rússia e os impacto das sucessivas interrupções das cadeias produtivas da China sobre as cadeias industriais globais. Para o BIS, os riscos atuais são “sem precedentes”.

A 2ª preocupação é com o avanço das criptomoedas em meios às distorções deste mercado com baixa transparência e liquidez apertada. O BIS listou mais de 10 mil criptomoedas (são 10.805 nos dias atuais, com capitalização total de US$ 937.86 bilhões. A questão é que esse mercado se comunica, direta e indiretamente com a economia real e o mercado financeiro.

O mercado de cripto vem sendo sacudido por sucessivas crises de liquidez (quebras de alguns operadores e emissores) e a movimentação diária fica em US$ 56,83 bilhões. O BIS chama a atenção para o fato de que o Bitcoin (criptomoeda mais conhecida) concentra mais de 40% dos negócios diários.

O BIS alerta que “a fragmentação do universo cripto aponta em uma direção muito diferente: como explicado abaixo, quanto mais usuários se reúnem em um sistema blockchain, pior é o congestionamento e maiores são as taxas de transação, abrindo a porta para a entrada de rivais mais novos que podem cortar os cantos da segurança em favor de maior capacidade. Assim, ao invés da narrativa monetária familiar de "quanto mais melhor", a criptomoeda exibe a propriedade de "quanto mais, mais triste". É essa tendência à fragmentação que talvez seja a maior falha da criptomoeda como base para um sistema monetário”

O olho da autoridade monetária

Por isso considera que as “ações regulatórias são necessárias para enfrentar os riscos imediatos no sistema monetário cripto e apoiar metas de políticas públicas. Acima de tudo, as autoridades precisam abordar rigorosamente casos de arbitragem regulatória”.

No país, o Banco Central está preocupado com as tentativas de esvaziamento, pelo Congresso, das medidas de regulação com a retirada de dois trechos tidos como chave para garantir a segurança dos investidores. Um dos casos é a segregação dos patrimônios das corretoras e dos clientes, o que impediria que criptos de usuários fossem atingidas em caso de insolvência da plataforma.

Outro ponto que preocupa o BC brasileiros é a remoção do trecho que obrigaria as corretoras de criptoativos a informarem todas as transações acima de R$ 10 mil ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). Com a mudança, o texto manteria somente a obrigação de informe das transações acima de R$ 35 mil mensais à Receita Federal, norma que já vigora hoje para empresas com presença no país. Isso poderia facilitar as pirâmides financeiras, além da elisão fiscal e da evasão de divisas.

Jornal do Brasil

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas