quarta-feira, junho 29, 2022

UE condena ataque russo "hediondo" a shopping na Ucrânia




Chefe da diplomacia europeia diz que ataque, que deixou pelo menos 18 mortos, equivale a um "crime de guerra" e que Rússia será "responsabilizada" por "atos de agressão".

O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, condenou nesta terça-feira (28/06) em nome do bloco o ataque a um shopping center na cidade de Kremenchuk, na área central da Ucrânia, classificando a ação como "hedionda" e responsabilizando a Rússia pelo "ato de agressão". 

O centro comercial foi atingido por um míssil no dia anterior. O ataque deixou pelo menos 18 mortos e 59 feridos - mas os serviços de emergência ucranianos temem que os números possam aumentar enquanto prosseguem os trabalhos de resgate.

"Este é mais um ato hediondo em uma série de ataques a civis e à infraestrutura civil pelas Forças Armadas russas, que incluem ataques recentes com uso de mísseis a edifícios e infraestrutura civil em Kiev e outras regiões. O bombardeio contínuo contra civis e infraestrutura civil é repreensível e totalmente inaceitável e equivale a um crime de guerra", afirmou Borrel, em comunicado.

"A Rússia tem total responsabilidade por esses atos de agressão e por toda a destruição e perda de vidas que está causando. [A Rússia] Será responsabilizado por eles", completou o chefe da diplomacia da UE.

Repúdio do G7 e de Zelenski

Na terça-feira, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, disse que o centro de compras não representava qualquer ameaça aos russos, e "não tinha valor estratégico algum". Ele acusou Moscou de sabotar "as tentativas das pessoas de levar uma vida normal, algo que irrita tanto os invasores".

"A Rússia continua a descontar sua impotência nos cidadãos comuns. É inútil esperar por decência e humanidade da parte deles", afirmou Zelenski.

Os líderes do G7, reunidos em cúpula na Alemanha, também divulgaram um comunicado classificando o ataque como um crime de guerra. “Ataques indiscriminados contra civis inocentes constituem um crime de guerra. O presidente russo Putin e os responsáveis ​​serão responsabilizados”, escreveram em nota conjunta tuitado pela presidência alemã do G7.

'Bombeiros buscavam nos escombros nesta terça-feira cerca de 30 desaparecidos após ataque'

Rússia nega ataque

Após permanecer em silêncio nas horas seguintes ao ataque, o Ministério da Defesa da Rússia negou nesta terça-feira ter atacado o shopping center, afirmando que os militares do país atingiram um depósito de armas e que uma subsequente explosão de munição provocou um incêndio no centro comercial próximo.

O ministério, em comunicado divulgado pelo Telegram, também afirmou que o shopping "estava desativado". No entanto, tal afirmação é desmentida pelo relato de funcionários e clientes que estavam no local. 

Ainda nesta terça-feira, o vice-embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Dmitry Polyanskiy, escreveu no Twitter, sem apresentar provas, que o ataque foi uma “provocação ucraniana”.

"Exatamente o que o regime de Kiev precisa para manter o foco da atenção na Ucrânia antes da Cúpula da Otan", disse ele, referindo-se à reunião de cúpula da aliança ocidental prevista para ocorrer na Espanha na terça-feira.

Desde que o regime de Vladimir Putin lançou sua guerra de agressão contra a Ucrânia, em fevereiro, ataques russos já atingiram teatros, jardins de infância, prédios residenciais. Um dos bombardeios contra alvos civis mais marcantes atingiu uma maternidade em Mariupol, no sul da Ucrânia, em meados de março. 

Outro ataque sangrento russo contra civis atingiu um teatro em Mariupol no dia 16 de março, matando civis que se refugiavam no prédio. Do lado de fora da construção havia um aviso escrito em letras grandes no chão, indicando a presença de crianças no lugar.

Em praticamente todos os casos, a reação russa ao repúdio causado pelos ataques seguiu o mesmo roteiro: negar ter atingido deliberadamente civis ou afirmar, sem provas, que os alvos na verdade camuflavam instalações militares ucranianas ou ainda acusar, novamente sem provas, os ucranianos de encenarem a destruição. 

Míssil partiu do território russo, diz Ucrânia

Ucrânia disse que shopping foi atingido diretamente por mísseis russos e que cerca de mil pessoas estavam dentro do prédio no momento do bombardeio.

Os esforços de resgate continuavam nesta terça-feira para encontrar possíveis sobreviventes sob os escombros do edifício, que ficou em grande parte destruído.

De acordo com a Força Aérea Ucraniana, mísseis ar-terra X-22 foram usados ​​no ataque. Ainda segundo os ucranianos, eles foram disparados por aviões bombardeiros de longo alcance Tu-22 da região russa de Kursk. O secretário do Conselho de Segurança, Oleksiy Danilov, disse que um segundo míssil atingiu um estádio esportivo local.

A Ucrânia tem relatado um forte aumento dos ataques russos nos dias recentes.

No domingo, um prédio residencial na capital, Kiev, foi atingido, no primeiro ataque à capital desde o início de junho.

Além do centro comercial, a Ucrânia disse que mísseis russos também atingiram nesta segunda-feira as cidades de Kharkiv e Lysychansk, no leste do país em um dos dias mais sangrentos para vítimas civis em semanas.x

Deutsche Welle

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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