quarta-feira, junho 29, 2022

Petrobras: o fundo do poço eleitoral.




Afinal, o que não fazer da Petrobras? Num momento em que a empresa sofre diversos tipos de ataque, tornou-se urgente responder a essa pergunta. 

Por Carlos Graieb (foto)

Nos últimos vinte anos, a Petrobras foi tema importante de todas as eleições presidenciais brasileiras. De 2002 a 2010, ela serviu de símbolo para dois modelos de desenvolvimento econômico — um conduzido pelo Estado; o outro, com papel preponderante da iniciativa privada. Em 2014 e 2018, a discussão girou em torno da corrupção. O petrolão havia sido descoberto: um esquema criminoso gigantesco, em que partidos políticos e empreiteiras trabalhavam juntos para saquear a companhia.

Agora, em 2022, impera a confusão. A guerra na Ucrânia fez o preço do petróleo disparar no mundo todo, inclusive no Brasil, onde a Petrobras adota há anos a política de repassar aos consumidores os aumentos no mercado internacional. Petróleo mais caro, além de castigar quem abastece o veículo, afeta diversas cadeias de produção e consumo, o que resulta em inflação — o pesadelo de qualquer presidente em busca de um segundo mandato. Sob estresse, Jair Bolsonaro fez trocas sucessivas na direção da Petrobras, passou a tratá-la como inimiga do povo, pôs sobre a mesa um mal-ajambrado plano-relâmpago de privatização e pediu a instauração de uma CPI sobre o preço dos combustíveis. Enquanto isso, seus aliados do Centrão tramam uma mudança na Lei das Estatais que visa a facilitar a ingerência dos políticos na companhia. Nessa empreitada, eles contam com o apoio inusitado do PT, sob cujos governos ocorreu o assalto à Petrobras. Sim, está confuso. Por isso, antes mesmo do começo oficial das campanhas políticas, tornou-se urgente responder: afinal de contas, o que não fazer da Petrobras?

Os efeitos da escalada do petróleo são sentidos no planeta inteiro. O mecanismo mais empregado para suavizá-los tem sido o corte de impostos. Chile, Espanha e Coreia do Sul são três exemplos de países que, muito diferentes entre si, adotaram essa mesma solução. Nesta quarta, 22, o presidente americano Joe Biden pediu ao Congresso que suspenda o imposto federal sobre a gasolina por três meses. Ele solicitou aos estados americanos que também suspendam taxas sobre o gás e busquem caminhos próprios para reduzir o aperto sobre o consumidor. Além das medidas tributárias, subsídios diretos, mais ou menos focalizados, vêm sendo empregados em todos os continentes. O governo espanhol se comprometeu a transferir 16 bilhões de euros para as empresas petrolíferas até o dia 30 de junho, no intuito de baixar em 20 centavos o preço do litro na bomba de combustível. Portugal criou um voucher para quem vai encher o tanque, enquanto a Coreia do Sul decidiu subsidiar o consumo para caminhoneiros e motoristas de taxi.

O governo Bolsonaro usou um pouco de cada um desses ingredientes. Cortou os impostos federais sobre combustíveis e também criou vouchers específicos para caminhoneiros e para ajudar famílias de menor renda a comprar gás de cozinha. Se tivesse se concentrado nessas receitas, o governo brasileiro não poderia ser acusado de forma nenhuma de ter falhado durante a crise. Num ano de eleição, contudo, não bastou fazer a coisa certa. O medo de ser punido nas urnas acabou fazendo com que ele enveredasse por caminhos tortos, tentando transferir “culpas” para os governadores e a Petrobras.

No caso dos impostos, Bolsonaro pressionou o Congresso e os estados a fixar o teto do ICMS para os combustíveis na faixa de 17% a 18%. É parecido com o que está acontecendo nos Estados Unidos, mas com duas diferenças. O presidente brasileiro não pediu colaboração aos estados; em vez disso, tentou transformá-los em vilões dos preços altos. Ele também patrocinou uma mudança estrutural no ICMS para lidar com um problema conjuntural, sem que exista clareza sobre os efeitos dessa medida sobre contas estaduais, em geral, esfarrapadas.

O bullying contra a Petrobras é ainda mais grave. Além de se apoiar em argumentos falsos, todo o discurso de Bolsonaro e de seus aliados do Centrão — Arthur Lira em particular — manda às favas a preocupação com a segurança jurídica, fundamental para um país que quer ser visto como um bom destino para investimentos.

Bolsonaro se acostumou a dizer que os lucros da Petrobras são exorbitantes e representam um “estupro“. Em outra era, seu ministro da Economia Paulo Guedes talvez entrasse de sola nessa discussão, citando a frase de um de seus gurus, o ganhador do Prêmio Nobel Milton Friedman: “O único propósito de uma empresa é gerar lucro para os acionistas”. Mas deixemos Paulo Guedes para lá. A premissa de Bolsonaro está errada. “Os lucros da Petrobras não decorrem da venda de combustíveis no mercado nacional, mas principalmente da produção e exportação de petróleo”, diz Alexandre Szklo, professor de planejamento energético da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também não é verdade que os lucros sejam mais altos que os de outras grandes petroleiras. A empresa que obteve os melhores resultados no primeiro trimestre de 2022 foi a Saudi Aramco, da Arábia Saudita. O valor, de 39,4 bilhões de dólares, é mais de quatro vezes o da Petrobras, no mesmo período: 8,8 bilhões de dólares. A norueguesa Equinor também se saiu melhor e teve um lucro de 17,9 bilhões de dólares. Petroleiras de tamanho semelhante ao da Petrobras e igualmente focadas em extração e exportação de petróleo, como a Shell e a Exxon, tiveram lucros de 9,1 bilhões e 8,8 bilhões de dólares, respectivamente. “São números da mesma ordem de grandeza”, diz Szklo.

Outro argumento falacioso é que a distribuição de dividendos da Petrobras beneficia estrangeiros que detêm ações da empresa, em detrimento dos brasileiros. Como a União é a maior acionista da Petrobras, ela é quem fica com a parte do leão. “Quanto mais dividendos são distribuídos, mais o cofre da União engorda. O excelente resultado fiscal do governo neste ano, bem melhor que o esperado, se deve em grande parte à Petrobras”, diz o economista Wagner Varejão, sócio da Valor Investimentos. “O governo tem usado esse dinheiro para abater a dívida pública, mas ele poderia ter outras destinações, como a saúde, a educação ou programas sociais. É muito melhor pensar dessa forma nos recursos que vêm da Petrobras do que imaginar esquemas para controlar os preços da gasolina reduzindo os lucros ou a distribuição de resultados da empresa. Controle de preços beneficia um monte de gente que não precisa de ajuda, como donos de carros de luxo.”

Existe um paralelo óbvio entre a situação de Bolsonaro e a de Dilma Rousseff, que manipulou os preços dos combustíveis e da energia elétrica em 2014, em busca da reeleição. Para infelicidade de Bolsonaro, contudo, uma mudança crucial teve lugar entre 2014 e 2022. Os descalabros desvendados pela Lava Jato ensejaram tanto a edição da Lei das Estatais, em 2016, quanto alterações nos estatutos da Petrobras. As novas regras não proibiram, mas dificultaram bastante as interferências do Estado na companhia. Diretores e conselheiros que não puserem os interesses da Petrobras em primeiro lugar estão sujeitos a responder com seu próprio patrimônio por perdas que acarretarem, o que os torna infinitamente mais resistentes diante de pressões externas. Isso explica por que Bolsonaro, apesar de ter trocado o presidente da petroleira três vezes em poucos meses, não conseguiu bloquear os reajustes de preços. Em segundo lugar, governos que optarem pela intervenção terão de suportar um ônus: ressarcir a companhia, caso lhe causem prejuízos. Isso explica por que Bolsonaro, ao contrário de Dilma, não partiu de uma vez para a farra.

“Os últimos acontecimentos mostram que a Petrobras criou um sistema de governança muito forte, à prova de ingerências. Não tem político que consiga meter a mão lá dentro“, diz o professor de economia da Universidade de São Paulo (USP) e ex-presidente da Eletropaulo Paulo Feldman. A blindagem da Petrobras tem se mostrado particularmente irritante para Arthur Lira. Na semana passada, a empresa anunciou um aumento logo depois que o corte do ICMS foi aprovado no Congresso, anulando os ganhos dessa medida. Isso enfureceu o presidente da Câmara, que chamou a Petrobras de “república rebelde em guerra com o Brasil”. A ideia de que a petroleira deveria se curvar à conveniência dos políticos ou a um hipotético “interesse social”, contudo, esbarra na questão da segurança jurídica. Se hoje a Petrobras tem 700.000 acionistas de todas as partes do mundo, é porque eles acreditam que as regras que protegem o seu investimento serão respeitadas.

Contra a blindagem da Petrobras, há várias reações em curso. Bolsonaro, de um lado, incentiva a criação de uma CPI para investigar os diretores da empresa e, de outro, se mostra simpático ao plano de uma privatização-relâmpago: em vez de um longo processo de estudo estratégico e valoração de ativos, uma mera conversão de ações sem direito a voto em ações ordinárias. Como já disse o presidente, se a empresa lhe dá dor de cabeça, é melhor vendê-la.

A aposta do Centrão é outra. Seus condestáveis rejeitam a ideia da CPI e tentam convencer Bolsonaro a editar uma medida provisória para enquadrar a empresa. Colega de Arthur Lira no PP, o ministro Ciro Nogueira põe a coisa em termos singelos: o objetivo é “ampliar a sinergia” entre o governo e a Petrobras. Trata-se, obviamente, de um eufemismo. O propósito é facilitar a ingerência nos assuntos da petroleira e franquear novamente aos políticos suas diretorias, como nos tempos felizes que antecederam a Lava Jato. O PT vai de mãos dadas com o Centrão nessa empreitada. O partido tem defendido a tese de que, por meio do diálogo, Lula conseguiria aquilo que Bolsonaro não conseguiu: convencer a Petrobras a abandonar sua política de paridade com os preços internacionais dos combustíveis, sem ônus e com um sorriso nos lábios. Mas o apoio à medida provisória mostra que os próprios petistas não botam fé nessa hipótese. Nesta quarta-feira, 22, a presidente do PT Gleisi Hoffmann disse que o partido votaria a favor de uma modificação na Lei das Estatais que devolvesse ao governo o poder de comandar a Petrobras. “Um governo eleito pelo povo tem de dar a linha de atuação das estatais”, disse Gleisi. Segundo ela, impedir que isso aconteça é “criminalizar a politica”.

Excetuada a CPI, que não seria mais do que teatro político, os outros planos envolvem mudanças profundas, que não deveriam sequer ser cogitadas a pouco mais de três meses das eleições. Se Bolsonaro não idealizou um plano de privatização em três anos e meio de governo, perdeu o bonde. Deve deixar a ideia para um eventual segundo mandato.

“O fast-track no meio de um processo eleitoral nos parece inviável jurídica e politicamente”, diz o advogado Leonardo Pietro Antonelli, ex-integrante do conselho administrativo da Petrobras e atual representante de acionistas minoritários. “A Petrobras é uma paixão nacional. E com tantos interesses divergentes, como aprovar num prazo de seis meses a venda da maior empresa da América Latina, um gigante que pode faturar meio trilhão de reais por ano? A prudência é um imperativo quando se trata da joia da coroa.”

Da mesma forma, o descontrole no preço dos combustíveis é temporário e não pode servir de pretexto para virar de ponta cabeça, permanentemente, a governança da Petrobras. Isso só interessa a políticos que desejam ter os recursos da empresa à sua disposição.

É um fato conhecido que países ricos em petróleo com frequência apresentam níveis ruins de crescimento econômico, desenvolvimento humano e democracia. É a chamada maldição do petróleo. Dono do pré-sal, uma das maiores reservas de combustível fóssil do mundo, o Brasil não chega a ser um caso típico desse infortúnio. O país conheceu de perto a corrupção que costuma vicejar nas empresas e governos que nadam em petrodólares, mas não se pode afirmar que suas mazelas decorrem de uma dependência exagerada desse recurso natural, como acontece, por exemplo, na Venezuela. O Brasil tem, no entanto, sua versão peculiar da maldição do petróleo. Ela se manifesta de quatro em quatro anos, há pelo menos duas décadas, quando velhos debates sobre a Petrobras são reciclados de maneira pobre e superficial. É improvável que neste ano se dê um passo adiante. Mas é preciso impedir, ao menos, que as soluções apressadas e interesseiras que estão em gestação em Brasília passem a valer. A empresa não pode ser jogada no fundo do poço eleitoral.

Revista Crusoé

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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