terça-feira, novembro 30, 2021

O dono do mundo

 



Xi Jinping poderia ter seguido a rota do pai. Mas decidiu seguir o caminho de Mao Tsé-tung. 

Por Dagomir Marquezi 

“O grande ditador fica imóvel como um buda enquanto seus asseclas deslizam pelo palco. Assistindo a Xi Jinping através de binóculos no Grande Salão do Povo, em Pequim, fico maravilhado com sua compostura. Estamos em 2014. Xi recentemente assumiu o poder como líder da nação mais populosa do mundo e sua segunda maior economia. De vez em quando, ele vira uma página enquanto a voz no alto-falante continua. O próprio Xi fala apenas em grandes ocasiões. Ele nunca toca a caneca de porcelana com chá diante de si (uma bexiga de ferro é um requisito para a liderança na China). Nem um olhar, nem uma sobrancelha levantada trai qualquer sentimento. Seu aplauso no final é breve. Enigmático até o fim, ele se levanta e sai do palco com um andar ondulante e satisfeito.”

A cena foi testemunhada por Michael Sheridan, correspondente do jornal britânico The Times no leste da Ásia por duas décadas. Sete anos depois da cerimônia descrita por Sheridan, Xi Jinping endureceu de vez o regime. Garantiu o direito de se reeleger em 2023 — e continuar no poder para sempre.

Virou num certo sentido o “dono do mundo”. Sob suas ordens, uma nova doença mortal chamada covid-19, surgida na China, foi ocultada e negada até paralisar o restante do planeta. Hoje, escreve Michael Sheridan no Times, “satélites assassinos giram nos céus, mísseis nucleares escondem-se em seus silos, uma frota de novos navios de guerra ronda os oceanos e o maior Exército da Terra treina para guerras que desafiarão a imaginação. Ele ameaça Taiwan, uma ilha democrática reivindicada pela China, arriscando um confronto com os Estados Unidos. Seus agentes prendem muçulmanos no extremo oeste da China e perseguem dissidentes em Hong Kong. Suas decisões abalam os mercados de ações, movimentam moedas, enriquecem algumas nações e obrigam outras ao endividamento. Quando você vai às lojas, o preço de tudo que você compra é influenciado por ele”.

Esse poder aparentemente absoluto de Xi Jinping ofusca os problemas reais da China, tão grandes quanto o próprio país. Graças à política de filho único adotada por décadas pelo regime comunista, a população está envelhecendo. Como essa política fazia com que fetos femininos fossem abortados, hoje faltam mulheres no país. A política ferrenha (e irreal) de tolerância zero ao coronavírus cobra seu preço no crescimento econômico. O endividamento do país é monumental. Os preços estão subindo, e Xi Jinping reage como qualquer governo de esquerda: tentando combater a inflação com a pesada mão do Estado. O mercado imobiliário é uma bomba especulativa explodindo aos poucos.

25 pessoas mandam em 1,4 bilhão

O apego de Xi Jinping ao poder vai além de uma estratégia política. Xi sabe o que acontece quando um dirigente perde a luta de foice no escuro que é o Partido Comunista Chinês. Ele mesmo subiu ao poder lutando contra um rival chamado Bo Xilai. Ao perder a briga, Bo foi acusado de “corrupção e abuso de poder” e condenado à prisão perpétua num presídio de segurança máxima.

“Para Xi, os inimigos estão em todos os lugares”, descreve a reportagem de Michael Sheridan no Times. “Ele não deixa o país desde janeiro de 2020, quando se aventurou em Mianmar. Existe um único caminho a seguir — governe pelo resto da vida, sem uma estratégia de saída.”

Para se impor, Xi teve de controlar a burocracia do Partido Comunista Chinês, que tem 95 milhões de membros — uma gota no oceano da população nacional, de 1,4 bilhão de habitantes. Não é fácil se tornar um membro. O mundialmente conhecido ator Jackie Chan quer se filiar, mas não pode porque, segundo consta, ele “traiu sua esposa e seu filho, usou drogas”.

Dentro do clube fechado que é o Partido Comunista existe um pequeno grupo de controle: o Comitê Central, com apenas 205 membros. E dentro desse círculo existe outro foco ainda menor de decisões, a Secretaria Política, com 24 homens e uma mulher. Essas 25 pessoas, escolhidas internamente pelo partido, governam o país mais populoso do mundo. Acima de tudo e de todos está Xi Jinping, que, assim que assumiu a liderança, capturou para si as três “coroas” do poder — ele é o líder do partido, o presidente do país e o comandante das Forças Armadas.

É esse modelo ultraconcentrado, burocrático e tirânico de poder que foi recentemente elogiado pela ex-presidente petista Dilma Rousseff. Para ela, a China é um “modelo admirável. Representa uma luz nessa situação de absoluta decadência e escuridão que é atravessada pelas sociedades ocidentais”.

As demonstrações cada vez mais insistentes e ameaçadoras de poder da China seriam na verdade um sinal de fraqueza? O regime comunista estaria num beco sem saída? A China Comunista seria uma estrutura apodrecida à espera do desabamento, como a União Soviética de 1991?

Michael Beckley e Hal Brands escreveram recentemente na revista Foreign Affairs: “O governo da China está escondendo uma séria desaceleração econômica e voltando ao totalitarismo frágil. O país está sofrendo de severa escassez de recursos e enfrenta o pior colapso demográfico em tempos de paz da História. Os gastos com idosos vão triplicar até 2050. Não menos importante, a China está perdendo acesso ao mundo acolhedor que possibilitou seu avanço”.

Em consequência de sua agressividade, a China está sendo tratada com reservas crescentes na Austrália, Índia, Japão, Filipinas e em vários países da Europa, fora os Estados Unidos e o Canadá. Produtos chineses de alta tecnologia são vistos com desconfiança, pois poderiam servir de instrumento de espionagem e controle a serviço do regime. Beckley e Brands notam que o crescimento do PIB chinês caiu de 15% em 2007 para 6% em 2019, e meros 2% em 2020 — por conta da pandemia que eles mesmos causaram. Estudos mais rigorosos citados pelos autores sugerem que o governo está mentindo, e que o PIB cresce metade do que alega.

“A China está traçando um arco que geralmente termina em tragédia: uma subida vertiginosa seguida pelo espectro de uma queda dura”, alertam Beckley e Brands. “O que acontece quando um país que quer reordenar o mundo conclui que isso não poderá ser feito pacificamente? Tanto a História quanto o atual comportamento da China sugerem que a resposta é: nada de bom.”

Jude Blanchette, especialista em China no CSIS (Centro de Estudos Estratégicos Internacionais), discorda. Em artigo para a mesma revista Foreign Affairs, ele lembra que essa perspectiva de colapso do regime foi anunciada muitas vezes: no fim do reinado de Mao Tsé-tung (1976), na sangrenta repressão da Praça Tiananmen (1989) e na queda da URSS dois anos depois. Considera que a economia está crescendo mais lentamente, mas não entrando em colapso.

Em seu artigo, Jude Blanchette nota que o regime autoritário pode “mobilizar e canalizar recursos com velocidade impressionante”. O desrespeito a qualquer direito humano, o desprezo pela liberdade e a degradação do meio ambiente não importam — o partido consegue o que quer com força bruta e propaganda patriótica.

Segundo Blanchette, o “PCC em 2021 está mais forte, mais capaz e no comando de mais recursos do que em qualquer outra época em seus 100 anos de história. Xi construiu uma estrutura de poder em torno dele na qual qualquer desafio à sua autoridade seria extremamente difícil de se realizar. (…) Sabe em primeira mão que o sistema político da China é um esporte sangrento, que exige demonstrações constantes de poder e dominação”.

As pulgas e os milhões

Xi Jinping é filho da “aristocracia vermelha”. Nascido em 1953, é o primeiro dirigente máximo a nascer depois da revolução. Seus pais lutaram pela implantação do comunismo durante a revolução de Mao Tsé-tung, em 1949. Viviam confortavelmente em Pequim como membros privilegiados do partido.

Em 1962, quando Xi tinha 9 anos de idade, aprendeu que não existe segurança no Partido Comunista Chinês. Seu pai, Xi Zhongxun, caiu em desgraça com Mao Tsé-tung, num dos muitos expurgos movidos a paranoia do “Grande Timoneiro”. Quatro anos depois, o país foi tomado pela loucura extremista da Revolução Cultural. Foi um período muito duro para o jovem Xi Jinping, que caiu na miséria, passou fome, não tinha onde morar e era constantemente “comido pelas pulgas”. Esse período de sofrimento explica em boa parte sua obsessão em nunca mais sair do poder

Ironicamente, seu pai, Xi Zhongxun, passou seus anos de desgraça política lendo o autor-símbolo do liberalismo, o escocês Adam Smith, além das memórias escritas por Winston Churchill. Quando Deng Xiaoping assumiu o poder, em 1978, reabilitou Xi Zhongxun. O pai de Xi Jinping ajudou o novo presidente da China a implantar alguns dos princípios de liberdade econômica que transformaram o país na grande potência que é hoje.

Com o pai reabilitado, o jovem Xi Jinping voltou ao conforto, mas revelou-se ambicioso e disciplinado. E iniciou sua planejada ascensão no Partido Comunista. Segundo documentos diplomáticos americanos, o futuro ditador agia de maneira contraditória nessa época. Por um lado, seguia sem contestar as regras da ortodoxia comunista. Por outro, exibia uma mente aberta, simpática ao budismo, às artes marciais e a práticas milenares de saúde.

Com o tempo, a mente se fechou. Em 1986, Xi teve um romance fulminante com a cantora de ópera Peng Liyuan. Em um ano, estavam casados. Foi uma união muito lucrativa. Levantamento da Bloomberg em 2012 descobriu que a família estendida de Xi Jinping e Peng Liyuan já possuía o equivalente a US$ 376 milhões em negócios relacionados a minerais, imóveis e componentes de celulares. O patrimônio incluía uma mansão em Hong Kong com preço estimado em US$ 31 milhões, que permanecia vazia a maior parte do tempo. Nada estava no nome do dirigente comunista. A investigação da Bloomberg tentou conhecer os detalhes desses negócios, mas deu de cara com um muro de burocracia e censura a documentos oficiais.

A ausência da verdade

Poderoso, impiedoso, exibindo seus trens-bala, suas impressionantes conquistas espaciais e seus letais mísseis hipersônicos, Xi Jinping parece imbatível e destinado a determinar os destinos do mundo. Ultrapassar os Estados Unidos como a maior potência econômica do planeta parece apenas uma questão de tempo.

Roger Garside, ex-diplomata britânico e especialista em assuntos chineses, não pensa assim, segundo declarou ao Times: “O corpo político da China está em estado terminal, e somente um transplante político pode salvá-lo. Os inimigos de Xi sabem disso, mas ele, não. A contradição entre a reforma econômica e a paralisia política produziu toda uma série de problemas profundamente arraigados — uma montanha de dívidas, grande e crescente desigualdade, corrupção sistêmica, profunda desconfiança interna e externa e a ausência da verdade. Agora, um confronto com os EUA sobre os mercados de capitais está se aproximando rapidamente. Quando vier, uma crise financeira chinesa se tornará uma crise política”.

O artigo do Times mostra que a economia da China está estatizada na prática. Empresários sobrevivem apenas se obedecerem ao que Xi Jinping e a cúpula do Partido Comunista determinarem. Se saírem da linha, serão acusados de corrupção e desaparecerão no pântano jurídico do país. Jack Ma, criador do gigante Alibaba, criticou a burocracia estatal e sumiu por meses para retornar menos rebelde. O magnata imobiliário Ren Zhiquiang escreveu um post em seu blog reclamando das medidas adotadas para enfrentar a covid-19 por “um palhaço que se despiu e que ainda queria ser o imperador”. Pegou 18 anos de cadeia e teve de pagar uma multa equivalente a US$ 668 milhões.

Num regime em que tudo é controlado e proibido, a verdade é substituída por versões oficiais. Os 25 membros do politburo do Partido Comunista não sabem o que acontece de verdade no país. Ninguém se arrisca a apontar os erros e os defeitos do sistema. Por baixo dos sorrisos e dos aplausos das cerimônias oficiais, as rachaduras se espalham, pois ninguém se atreve a falar sobre elas.

Xi Jinping poderia ter seguido a rota do pai. Podia ter lido mais Adam Smith e aprofundado as reformas iniciadas por Deng Xiaoping. Aí talvez a China pudesse se tornar uma potência realmente invencível. Mas Xi decidiu seguir o caminho de Mao Tsé-tung, aquele mesmo que desgraçou sua infância, atormentou sua família e a China como um todo, matando 50 milhões de pessoas no processo.

Revista Oeste

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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