domingo, novembro 28, 2021

Aliados do governo dizem que discurso de Guedes ‘prescreveu’ e exigem mudanças para 2022


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Charge do Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Vera Rosa
Estadão

Deputados e senadores que conversaram com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, na noite de terça-feira, não pouparam críticas ao ministro da Economia, Paulo Guedes. Em jantar promovido pela Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo, Campos Neto ouviu queixas sobre a fragilidade das reformas e ponderações de que a retórica de Guedes “prescreveu”, além de cobranças para a retomada do crescimento no ano eleitoral de 2022.

Amigo do ministro da Economia, o presidente do Banco Central respondeu às perguntas sem cair nas armadilhas políticas. Disse que o ritmo de alta na taxa básica de juros tem sido calibrado para colocar a inflação dentro da meta, mas lembrou a influência do cenário internacional nesse jogo. Para Campos Neto, existe um choque de demanda – e não de ofertas –, que justifica o aumento dos juros.

COM ELEGÂNCIA – Os parlamentares “apertaram” o presidente do Banco Central para ver se ele soltava ali uma dica sobre o futuro do Posto Ipiranga do presidente Jair Bolsonaro. Não conseguiram. 

“O Roberto foi apertado de todo jeito, mas se saiu com elegância invejável das intrigas e cascas de banana que lançaram sobre sua relação com Guedes”, disse o senador Esperidião Amin (PP-SC), um dos participantes do jantar, que reuniu 55 parlamentares. O PP de Amin é o principal partido do Centrão.

Um dos que mais “cutucaram” o presidente do Banco Central foi o deputado Sílvio Costa Filho (Republicanos-PE), da base aliada na Câmara. “Eu disse que as ações dele, com Bolsonaro ganhando ou perdendo a eleição, terão reflexo no futuro governo”, afirmou o deputado. “Ele é a única voz que passa credibilidade e segurança institucional, mas o importante não é o que se diz e, sim, o que as pessoas entendem.”

AUTONOMIA – A referência ao futuro governo ocorreu porque, após a aprovação da lei que confere autonomia ao BC, Campos Neto ficará na presidência da instituição após as eleições, até dezembro de 2024, e ainda pode ter o mandato renovado.

A conversa passou por emprego, educação, reformas, 5G, Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos precatórios, Auxílio Brasil, eleições e até inteligência artificial. Muitos ali manifestaram preocupação com os rumos da economia e destacaram que Guedes perdeu credibilidade.

Mas o que se disse sobre a viabilidade da terceira via para enfrentar Bolsonaro e o ex-presidente Lula? “A única insinuação da terceira via no jantar foi a passagem meteórica do Kassab, que veio lançar um novo produto no mercado e, como bom beduíno, já está planejando com qual seda vai embalá-lo”, brincou Amin, ao lembrar que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, entrou e saiu da reunião muito rapidamente.

NÃO CONSEGUE ACERTAR – Embora o jantar tenha reunido muitos integrantes do Centrão e de partidos que se aliam ao governo mesmo sem compor o bloco, não faltaram estocadas na direção do Palácio do Planalto. A avaliação ali foi a de que promessas feitas por Guedes não têm mais eco e o ministro enfrenta intenso processo de desgaste.

“Ele sempre tem a convicção de que vai acertar na mosca, só que isso não acontece”, observou o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). “Não conseguimos ver o pensamento do grande Posto Ipiranga gerar resultados.”

Moreira disse que procurou encaixar no jantar considerações sobre o “mundo real”. “Se o Brasil quer crescimento econômico, não pode ter 80 milhões de pessoas de 18 a 65 anos excluídas do mercado de trabalho. Ficamos discutindo ‘Bolsa isso, auxílio aquilo’, mas o Estado não qualifica profissionalmente as pessoas”, argumentou ele. “De nada adiantam explicações econômicas brilhantes se faltam políticas públicas que geram riqueza.”

NÃO HÁ REFORMAS – A manifestação do deputado provocou surpresa. Motivo: Moreira é visto como um dos mais fiéis bolsonaristas na bancada do MDB. “Sou governista e por isso mesmo fiz ali um diagnóstico. Agora, vamos tratar a doença. O governo é liberal na economia e estatizante no Palácio”, protestou o ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, ao constatar que a sede do governo tem “muitos militares”: “Cadê o projeto de reforma tributária? Cadê o projeto de reforma administrativa?”

Guedes deve ter ficado com a orelha vermelha, mas foi defendido por Campos Neto, que não entrou no mérito de especulações de que seria um nome de confiança do Planalto, do Congresso e do mercado para substituir o Posto Ipiranga.

GUEDES SE DEFENDE – Na noite de quarta-feira foi a vez de Guedes ir a um jantar, também em Brasília, promovido pelo Movimento Brasil Competitivo. O encontro contou com a presença de empresários e parlamentares. Ali o discurso foi diferente. Cansado de ver que jogam sobre suas costas a responsabilidade do aumento do custo de vida, o ministro traçou um panorama no qual conclui que o Banco Central precisa correr para controlar a alta da inflação.

Guedes ponderou que não vê problema em tirar nota baixa “no fiscal”. Alegou que, neste momento pós-pandemia de covid, é preciso ter uma licença para gastos sociais porque, diante de tantas dificuldades, parte da população está “comendo osso”.

Na prática, o dono da chave do cofre quer desviar os holofotes para o lado do Banco Central. Enquanto isso, ele tenta garantir a reeleição de Bolsonaro em 2022.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Bolsonaro só manterá o apoio parlamentar se demonstrar ter condições de ganhar as eleições. Se não avançar nas pesquisas, os ratos abandonarão o Titanic e o último a sair apaga a luz. (C.N.)  


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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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