Publicado em 26 de novembro de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Amarildo (agazeta.com.br)
Pedro do Coutto
Estudos do Itaú Unibanco e do Credit Suisse apontam a estagnação econômica e a retração do Produto Interno Bruto como os maiores obstáculos para a candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição nas urnas de outubro de 2022.
O risco de recessão aumenta com a inflação e com a alta de juros que está se tornando inevitável no mercado. O Itaú Unibanco e o Credit Suisse consideram que o PIB pode registrar um recuo de 0,5% até o final de 2021. Resultado péssimo, sobretudo porque a população brasileira cresce à velocidade de 1% ao ano.
ESTAGNAÇÃO – A taxa de natalidade é de 1,7% e a de mortalidade de 0,7%. Carlos Kawall, ex-secretário do Tesouro Nacional e atualmente consultor da Asa Investments, projeta PIB estagnado (0%) em 2022. O cenário é muito ruim para a economia brasileira em 2021, afirmou. O quadro econômico, efetivamente, só pode tirar votos de Bolsonaro até o limite de eleitores que embora conservadores não sejam extremistas.
Na minha opinião, os extremistas na ordem de 20%, devem permanecer apoiando o atual presidente da República. Reportagem sobre o estudo do Itaú Unibanco e do Credit Suisse, incluindo a opinião de Carlos Kawall, de Leonardo Vieceli, Folha de S. Paulo desta quinta-feira.
SIMONE TABET – O MDB já praticamente decidiu que vai concorrer às eleições à presidente da República com a senadora Simone Tebet. Na minha opinião, uma excelente parlamentar, presença marcante na CPI da Pandemia, e sempre presente no debate econômico e social do país, de forma firme, objetiva, desapaixonada e bastante clara em suas colocações.
Sua perspectiva de vitória não é das maiores, mas a contribuição de sua presença ao debate será de grande importância para o eleitorado brasileiro. Ela fortalecerá, sem dúvida, a legenda partidária e exercerá influência no desfecho no segundo turno se ele efetivamente reunir, como o Datafolha prevê atualmente, Lula da Silva e Jair Bolsonaro.
Além de Simone Tebet, a participação nas eleições presidenciais do ex-juiz Sergio Moro e do senador Rodrigo Pacheco constitui também uma face significativa do processo político que vai culminar nas urnas do próximo ano. São duas personalidades marcantes cujas colocações são igualmente lúcidas e objetivas, o que funcionará para também conduzir os eleitores e eleitoras à definições com base em panoramas bastante claros envolvendo a realidade brasileira.
TAXA INFLACIONÁRIA – Na manhã de ontem, quinta-feira, a TV Globo divulgou pesquisa do IBGE registrando para o mês de novembro uma taxa inflacionária de 1,1%, o que faz com que no período de novembro de 2020 a novembro de 2021, o índice atinja 10,7%, o que levará a um fechamento, segundo os sintomas indicativos, por volta de 11%, com a boa vontade de IBGE.
Essa boa vontade não creio que seja dos técnicos do instituto, mas sim consequência do clima no governo que os leva sempre a um exercício de trapézio difícil para não escapar demais à realidade tanto econômica e social, quanto a realidade dos fatos. É um princípio do jornalismo, atividade que exerço há 62 anos, de que não se pode, ou mesmo adianta, lutar contra os fatos.
FRENTE DEMOCRÁTICA – O presidente dos Estados Unidos Joe Biden convidou o Brasil e, portanto, o presidente Jair Bolsonaro, a uma participação numa frente democrática cujo objetivo é o de fortalecer a democracia no mundo e, com isso, se opor aos extremismos. Atualmente, aliás, só o da direita, porque a extrema-esquerda restrita a Cuba e Coreia do Norte, já desapareceu do mapa internacional. Os regimes da Rússia e da China são, sem dúvida, autoritários e ditatoriais, porém não são comunistas no sentido amplo do termo, já que há algumas décadas passaram a aceitar e até incentivar a presença do capitalismo privado, convivendo com o capitalismo estatal.
Antigamente, nos dois países não existia capitalismo particular. Leitores poderão perguntar neste momento “E a Nicarágua e a Venezuela?”. Dou a minha opinião: são ditaduras claras, sem dúvida, fraudando eleições, perseguindo opositores, sufocando manifestações de rua, além de amordaçarem jornais. Tudo isso é verdade, mas comunistas não são. Pelo contrário, estão na seguinte situação, o comunismo para o povo e o capitalismo para os detentores do poder. Esta é a contradição dramática dos regimes de Ortega e Maduro.
RUY CASTRO E O VERBO “PAZUELLAR” – Ao mesmo tempo marcada pelo humor e por forte carga de crítica política, Ruy Castro, Folha de S. Paulo de ontem, criou o verbo “pazuellar” e a expressão “empazuellamento” como meio de traduzir e também refletir a atuação do ex-ministro Eduardo Pazuello à frente do Ministério da Saúde. Ruy Castro cita uma série de momentos e situações protagonizadas por Pazuello, incluindo a utilizada para explicar o recuo na compra da vacina chinesa, vetada inicialmente por Bolsonaro, e semanas depois aceita por ele. Não havia nada de subversivo ou de carga doutrinária no imunizante.
Mas quando se viu na contingência de explicar o primeiro recuo, em vídeo gravado ao lado do presidente da República, Eduardo Pazuello , a meu ver, marcou uma frase na história política do país: ” Um manda, outro obedece”. Quer dizer: não importa o conteúdo do assunto, sua importância, sua oportunidade. Importa uma falsa hierarquia.