Por Vicente Nunes (foto)
Integrantes do mais alto escalão das Forças Armadas dizem, textualmente, que o presidente Jair Bolsonaro está se “borrando” de medo da candidatura do ex-juiz Sergio Moro à Presidência da República. A percepção no entorno do presidente é a de que Moro tem força suficiente para tirá-lo do segundo turno das eleições de 2022.
Segundo militares, o Palácio do Planalto está dizendo que o teto de Moro nas intenções de votos é de 18%. Mas, ao espalhar essa informação, assessores de Bolsonaro admitem que o ex-juiz pode ir muito além. E os votos que ele captar serão, na maioria, de Bolsonaro, não de Lula, cujos eleitores abominam Moro.
Foi montada uma força-tarefa no entorno do presidente para encontrar estratégias a fim de conter o crescimento de Moro nas pesquisas — alguns levantamentos já mostram o ex-ministro da Justiça com 13% da preferência do eleitorado. A percepção é de que, a partir do momento em que Bolsonaro aparecer com menos de 20% dos votos, será ladeira abaixo.
Para os militares, o maior culpado pela grande rejeição a Bolsonaro é o próprio presidente, que escolheu o caminho errado desde que se sentou na principal cadeira do Planalto. E a reeleição dele será atropelada pela economia, por causa das medidas eleitoreiras que ele tomou e tomará para tentar reconquistar o eleitorado.
Correio Braziliense
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Contra Bolsonaro, Moro ganha fácil. Disputa entre Lula e Moro é imprevisível, dizem militares
Por Vicente Nunes
Lideranças das Forças Armadas estão trabalhando em cenários eleitorais para tentar antecipar os resultados da disputa pela Presidência da República em 2022. A percepção deles é a de que Lula está garantido no segundo turno, pois boa parte de seus votos estão consolidados. É muito difícil, por exemplo, ver uma sangria de Lula como a que ocorreu com Marina Silva em 2014, vítima de fake news do PT e do PSDB.
Portanto, no entender dos militares, o mais provável é que o segundo turno das eleições se dê entre o ex-juiz Sergio Moro e Lula, cujo resultado é imprevisível. Já numa hipótese remotíssima de Lula ficar pelo meio do caminho e o embate for entre Moro e Bolsonaro, a vitória será do ex-juiz, com folga.
Ciente desse quadro, Bolsonaro, segundo militares, está se “borrando” de medo de Moro. Pesquisas internas do Palácio do Planalto mostram o ex-ministro da Justiça em ascensão e tirando apoio do presidente. Assessores do presidente disseminam, porém, a informação de que o teto do ex-juiz é de 18% dos votos.
A desidratação de Bolsonaro ficará mais clara, no entender dos militares, a partir do ano que vem, com a deterioração da economia. Esse será o tema decisivo das eleições. Especialistas preveem que o Brasil pode mergulhar na recessão, com inflação alta, juros acima de dois dígitos, desemprego alarmante e pobreza em expansão.
Nem mesmo o pagamento do Auxílio Brasil, de R$ 400, será suficiente para reverter a perda de apoio de Bolsonaro. Não será surpresa, inclusive, se Moro começar a centrar seu discurso nas questões econômicas neste momento para confrontar Bolsonaro e direcionar a questão de corrupção em relação a Lula quando o atual presidente já estiver com a língua de fora.
Correio Braziliense
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Investidores deixam crises criadas por Bolsonaro de lado e focam em Moro
Por Vicente Nunes
Parte dos investidores que vinham se estressando com as constantes crises criadas pelo presidente Jair Bolsonaro deixaram, por ora, as preocupações de lado e passaram a focar na possibilidade de o ex-juiz Sergio Moro, do Podemos, unir a terceira via e quebrar a polarização entre o chefe do Executivo e Lula na disputa pela Presidência da República em 2022.
Para os donos do dinheiro, é importante ter uma opção que não sejam os dois candidatos que ocupam as primeiras posições em todas as pesquisas de intenção de voto. Os investidores viram aumentar a possibilidade de Moro atrair apoio do centro depois da desistência de Luiz Henrique Mandetta em disputar o Palácio do Planalto.
Ainda falta muito, porém, para Moro se consolidar como opção viável para a Presidência, ainda que ele já esteja pontuando mais de 10% em algumas pesquisas. A tendência, acreditam analistas de mercado, é de que o ex-juiz atropele Bolsonaro e vá para o segundo turno com Lula.
Essa, hoje, é a visão com que parte do mercado trabalha. Se Bolsonaro cair nas pesquisas para um patamar abaixo de 20%, dificilmente ele conseguirá viabilizar sua reeleição. A Bolsa de Valores sobe mais de 1% nesta quinta-feira (25/11) e o dólar cai 0,6%.
Correio Braziliense