terça-feira, fevereiro 26, 2019

JEREMOABO 2020: MELHOR OU FICARÁ PIOR?

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JEREMOABO 2020:
MELHOR OU FICARÁ PIOR?

Querendo ou não, mais uma vez o povo jeremoabense será submetido à prova do pleno exercício da cidadania, momento em que cada um dará sua contribuição para que tenhamos dias melhores ou afundarmos ainda mais, ingrata realidade, mas da qual não podemos fugir nem fazer o papel do avestruz, enterrar a cabeça e deixar que a tempestade passe, não, o momento não é para vivermos mais uma aventura, requer melhor análise da atual situação, já que não podemos trocar seis por meia dúzia, como fizemos em 2017, chega de mesmices, precisamos evoluir como pessoas ou a história nos jogará no Baú do Esquecimento.
Tenho plena consciência de que os males no meio político se eternizam em razão da ausência de caráter e de princípios éticos, quer seja por considerável parte da própria sociedade, quer seja esta em decorrência do próprio ser humano em sua formação pessoal, onde presentes vão estar os interesses próprios que se sobrepõem aos interesses coletivos, ou ainda, por dar apoio ao que há de pior, apenas com a argumentação de que não gosta do outro, assim, ausentando-se do uso da razão e do bom senso, que muitas vezes, origina-se na vaidade de não ter coragem de dizer: eu contribuí para a desgraça que aí está!
Pode-se ainda entender que diante do conceito de que alguns nascem para comandar e outros para serem comandados. Separar comandante de comandado não está em separar pobres de ricos, negros de brancos, homens de mulheres ou qualquer outra situação que seja aplicável aos grupos sociais, essa separação, a princípio, está vinculada a presença ou ausência de caráter e discernimento entre o certo e o errado, já que é sabido que o caráter está ligado intimamente ao procedimento do indivíduo diante do seu meio social.
Em face ao exposto, entendo que me deparo com um dilema ao retroagir a alguns anos passados, de onde nada vejo neste diagnóstico que mereça meus aplausos ou do qual possa me orgulhar, pois só vi decepções, manipulações, prepotência e coisas do gênero.  Na realidade todos falhos, ausentes e descompromissados com os anseios da sociedade e com a coisa pública, apenas podemos defini-los como usurpadores das benesses do Poder. Mentirosos por ofício, ausentes de uma palavra de confiança, na realidade falsos profetas, enganadores e manipuladores da sociedade em benefício próprio, indignos de credibilidade...
Hoje, menos de um ano do último pleito eleitoral em nosso município, já vivemos o amanhã como sendo mais um momento político. Vivemos anteriormente um período de combate ao qual dizíamos não servir para comandar os destinos de Jeremoabo. O Poder mudou de lado, mas para surpresa nossa, mudou o Poder e todas as mazelas criticadas mudaram de lado também, só que agora multiplicadas por 10, nesse entendimento, já disse anteriormente, eu contribuir para a desgraça que aí está, pois vivemos uma gestão desastrosa onde o respeito aos princípios legais são pisados como se a Justiça não existisse. Errei acreditando que Jeremoabo precisava desta mudança, infelizmente ela veio de forma piorada. É neste momento que faço uso do exercício da cidadania para dizer que reconheço que não apoiei a pessoa certa, mas também vejo que nem tudo foi perdido, pois a mudança era necessária.
2020, mais uma vez nos colocará a prova do bom senso, mas me pergunto: o que posso chamar de bom senso, acaso só me reste como opção, votar em qualquer um dos que ali já passou! O que comandou o mandato tampão, sua sucessora que após ter arrecado algo em torno de R$ 14 milhões em tributos municipais, ainda endividou o município em R$ 7 milhões, com recursos destinados a obras eleitoreiras e de pouca eficácia e eficiência em resultados, ou ainda, naquele que mesmo pegando R$ 14 milhões oriundos de precatórios veio a se perder em sua curta gestão, deixando salários da educação pendente, enquanto poderia ter reduzido o rateio e pago o salário de todos. Aí faltou uma lição de planejamento e gestão administrativa, resultado de ouvir a quem não deveria. Por outro lado à situação ora vivida é uma copia de erros que se repetem em dobro. Esta é a dura e crua verdade que hoje somos obrigados a conviver.
O Senhor Tempo, sábio dos sábios, está constantemente a passar e não retorna para ensinar por lacunas não aprendidas, quem aprendeu segue o caminho com sentido definido, para os que somente entenderam a existência da direção, o destino será incerto, pois não saberá aonde chegar, terá por certo apenas a partida, já que ao ignorar o sentido a seguir, qualquer direção lhe serve, ao ignorar que todo caminho possui uma direção, mas que o mesmo possui dois sentidos.
Aos que arriscarem que Jeremoabo deve ter somente direção (a figura do gestor que não sabe conduzi-lo), certamente perderá a oportunidade de lhe dar o sentido devido, de conduzi-lo ao lugar desejado e esperado por sua sociedade, aí está à diferença entre escolher um Gestor Competente ou escolher qualquer um (aquele mito político) só mito, já que só servirá para partir do nada para chegar a lugar nenhum.
Reflitam, cada eleição errada representa mais 4 anos de desmandos contra a coisa pública e retrocesso na vida dos cidadãos. Mudar é preciso!
J. M. VARJÃO

Em, 25/02/2019





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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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