quinta-feira, fevereiro 28, 2019

Delação da OAS acusa Rodrigo Maia, Paes, Cabral, Lindbergh e Índio de caixa dois


O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ); o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (MDB-RJ) e o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM-RJ) Foto: Arquivo / Agência O Globo
Como diria o genial Plínio Marcos, três pedidos numa política suja
Aguirre TalentoO Globo
Em acordo de delação premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ex-executivos da OAS citam repasses de caixa dois a diversos políticos do Rio, entre eles o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes . Os delatores também citam pagamentos relacionados à campanha do ex-senador do PT Lindbergh Farias e do ex-deputado Indio da Costa (PSD-RJ).
O atual presidente da Câmara dos Deputados é acusado por um dos ex-executivos do setor de propina da OAS, o delator Adriano Santana, de ter recebido repasse de caixa dois da empreiteira para abastecer sua campanha eleitoral à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2012. Santana afirma que houve um acerto da OAS com Maia para o repasse de R$ 250 mil, via caixa dois, sendo que apenas R$ 50 mil teriam sido efetivamente pagos.
Responsável pelo setor de caixa dois e propina da OAS na região Nordeste, Adriano Santana teria participado do episódio porque o pagamento para a campanha de Maia teria sido feito em dinheiro vivo em Salvador, operacionalizado pela filial da OAS na capital baiana.
INVESTIGAÇÃO – Segundo o delator, o repasse foi feito ao irmão de um assessor da campanha de Maia, enviado a Salvador para cuidar do assunto. Com base no relato de Santana, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, solicitou a abertura de uma investigação preliminar sobre o caso envolvendo o pagamento de caixa dois a Rodrigo Maia. O procedimento foi autorizado pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo.
Maia também já é alvo de um inquérito envolvendo repasses da OAS e benefícios concedidos por ele à empreiteira no Congresso Nacional. A Polícia Federal apontou indícios de corrupção passiva envolvendo o deputado, por causa da captação de doações de R$ 1 milhão para a campanha de seu pai, César Maia, ao Senado em 2014, em troca de sua atuação no Congresso Nacional. O caso está nas mãos da procuradora Raquel Dodge, que, no entanto, ainda não apresentou denúncia ao Supremo.
PAES EM 2012 – A delação dos executivos atinge ainda o ex-prefeito Eduardo Paes e o ex-governador Sérgio Cabral. Responsável pela contabilidade paralela da OAS na região Sudeste, o executivo José Ricardo Breghirolli disse em sua delação premiada que operacionalizou pagamentos de R$ 25 milhões para abastecer o caixa dois da campanha de Paes à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2012. Naquele ano, Paes foi reeleito prefeito no primeiro turno, com 64% dos votos.
Breghirolli afirmou que, desse total, R$ 20 milhões foram pagos em dinheiro vivo. As remessas, no valor de R$ 300 mil, teriam sido entregues a emissários da campanha de Paes em shoppings do Rio de Janeiro. Outros R$ 5 milhões, repassados mediante depósitos em uma conta no exterior que abasteceria a campanha eleitoral.
CABRAL EM 2010 – Breghirolli também disse ter operacionalizado vultosos repasses de caixa dois à campanha eleitoral de Sérgio Cabral em 2010. Segundo ele, a OAS pagou aproximadamente R$ 10 milhões a fornecedoras da campanha de Cabral e de seus aliados naquele ano.
Também foram relatados, por outro delator,  Marcelo Thadeu da Silva, pagamentos de propina – sem especificar os destinatários – em algumas obras da gestão de Paes, como a construção do BRT Transcarioca, a reforma na Praça da Bandeira e a Fábrica de Escolas. Segundo ele, as obras foram superfaturadas pela OAS para gerar recursos destinados ao pagamento de políticos e agentes públicos.
LINDBERGH E ÍNDIO – Outro delator da OAS, Mateus Coutinho de Sá, contou ainda ter feito pagamentos de R$ 400 mil à empresa do publicitário João Santana para cobrir despesas de publicidade do então senador petista Lindbergh Farias em 2012.
O caso também foi relatado na delação premiada de Mônica Moura, mulher de João Santana e responsável pela gestão financeira do casal, igualmente já homologada pelo STF. Segundo ela, Santana foi contratado naquele ano para fazer inserções publicitárias com o objetivo de alavancar a imagem de Lindbergh no Rio de Janeiro. Mateus Coutinho diz ter feito os pagamentos em dinheiro vivo com entregas em um hotel no Rio de Janeiro e na residência do próprio Lindbergh.
O delator José Ricardo Nogueira Breghirolli também relatou, em um dos seus anexos, que repassou “valores espúrios no total de R$ 1 milhão” a campanha eleitoral do ex-deputado Indio da Costa em 2010. Naquele ano, ele foi candidato a vice-presidente do tucano José Serra.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Em notas enviadas por suas assessorias, todos negam acusações de uso de caixa dois e de ter beneficiado a OAS. (C.N.)

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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